terça-feira, 2 de agosto de 2011

Equações Celestiais, saudades Terrenas

A comunicação ágil fez chegar a minha caixa de correio primeiro e, depois uma mensagem no mural davam conta de que meu amigo Amadeu Barin Filho, com quem tive o prazer de trabalhar no Curso Mauá e no Colégio Americano, deixou carentes os ex-alunos e aqueles que o conheceram. Não mais poderemos ter sua companhia e me recordo com detalhes, lastimo mesmo que na época não haviam celulares com câmera pois com certeza, eu teria fotografado várias vezes os quadros negros nos quais ele expunha e explicava a matemática.

Havia naqueles quadros paíxão, muita arte e uma simetria tão perfeita que eu, cuja escrita era irregular, que sempre misturei as letras, sempre apagava com pena, como se estivesse destruindo uma obra de prima, o quadro do Amadeu. E todas as vezes sentia isso. Ele tinha por seu trabalho um carinho romântico e com certeza, se mais professores de matemática existissem e fizessem seu trabalho da forma como o Amadeu, a Magáli, a Dolurdes e alguns poucos que conheci fazem, faz muito que estudar matemática teria se convertido em prazer ao invés de ser uma ameaça de castigo, um desconforto nerd.


A iinformação foi enviada por uma professora de matemática que, por sua vez a recebeu de outra professora de matemática,ex mulher do professor de matemática. Mas todos sentimos que nessa subtração da presença do amigo, a equação do afeto ficou mais complexa,não sei ao certo que acontece aos catetos, nem a razão da proporção da perda, pois isso é particular, a parte faz falta ao todo e nessa intersecção de sentimentos, menos aqui não vai virar mais,pela simples razão de que não é possível repor,não fecha essa conta mas o que conta é o carinho que nos une e desejo à Ju e ao Mano, o subproduto afetivo mais caro da existência do Amadeu,que lidem com a dor como lidaram com a vida, com esse desprendimento de quem sabe que no fim das contas, o amor se impõe. Dodô também receba meu carinho afetuoso e somam-se a vocês em solidariedade todos que vos conhecem e sabem o quanto vocês são especiais.

Vai Amadeu, desenhe quadros no céu, e daqui imaginaremos aquelas linha simétricas que tanto nos encantaram.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Era uma Vez a Cozinha

As pessoas consomem coisas que as deixam felizes. Alguns que conheço compram nesses sites ou através de programas que estimulam as pessoas para que adquiram as coisas mais bizarras. Me recordo com um divertido sorriso que as crianças lá de casa sempre foram muito criativas e um dia organizaram o programa: Não lembro o nome mas, digamos que soasse como Trouble Shot. Carol era a apresentadora, Chiquinho fazia a função de Câmera man e Nathalia era a consumidora a quem não sei por qual razão eles denominaram dona Maria do Carmo. Nessa época, Carol devia ter uns 12 anos, Francisco seus 9 ou 10 e Nathalia uns 8. Estávamos fora trabalhando e quando chegamos eles haviam produzido um programa muito divertido.
Hoje ao acompanhar as peripécias de uma querida amiga candidata a chef, e comprou um fogão para descobrir que o mesmo não cabe em sua cozinha. Havia toda sorte de sugestões. Tirar a porta, derrubar parede, subir o fogão com uma corda, para tentar que entrasse pela janela. Mas creiam, ela nem sequer usou e vai ter que vender aquele objeto de desejo convertido em produto de consumo, quase reduzido a móvel de decoração e por fim rebaixado à categoria de "Porcina Culinária"uma vez que Foi sem nunca ter sido, já que minha querida Aninha nem água conseguiu esquentar, porque o fogão não entrava, nem de ladinho...
Bom, a cozinha não ganhou um novo fogão, a Ana estava furiosa com a compra mas logo encontrará quem assuma o bicho, espero apenas que ela não desista de ser chef e se aprimore em dotes culinários que espero poder provar quando ela vier passear por aqui...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Tornar-se Seguidor

Existem muitos blogs por aí e o meu foi criado de maneira descompromissada e tenho certa dificuldade em manter a periodicidade das publicações, muito embora reiteradas vezes tenha postado aqui que desejava porder fazer isso; Mas nem sempre as coisas andam da maneira como desejamos e alguns projetos tornam-se mais difíceis de serem mantidos, mesmo assim ainda me esforço e talvez acabe conseguindo.

Um amigo mantém um blog e decidi tornar-me seguidor porque gosto de muitas coisas postadas alí e o humor ácido que ele pratica em geral me faz bem. Por essas e outras que Oscarmundongo.blogspot.com é agora um dos poucos blogs que eu sigo.

sábado, 30 de abril de 2011

Mães,Não há Um Dia,são em tempo integral

A minha avó tem 97 anos e preocupa-se com todos seus filhos. Minha mãe, manda presente de Natal, acompanhado de cartão, preocupa-se com cada um de seus filhos e ora por eles todas as noites pedindo a Deus que os guie e proteja. Mas essas mulheres maravilhosas são apenas minha referência familiar que define esses seres especiais, para os quais seremos sempre crianças, e elas preocupam-se mesmo quando se tornam o objeto de nossas preocupações.

Os filhos devem ser criados, isso minha mãe disse a mim e aos meus irmãos, devem ser criados com raízes e asas. Saber que haverá sempre um lugar seguro para onde voltar, o coração materno será sempre esse abrigo quando o mundo parecer frio e cinzento, mas também, devemos poder ir em busca de nossos sonhos, voar em qualquer direção,e as mães nos preparam para isso.

Uma vez lí que as mulheres passam por mudanças auditivas quando tornam-se mães. Ficam mais sensíveis a sons agudos para que despertem quando os bebês choram. Creio que isso aconteça mas e depois? mesmo quando crescemos, elas continuam a se preocupar, passam a escutar com o coração, sentem quando algo não vai bem, não importa a distância física,elas sabem,nunca adianta ocultar nada de uma pessoa que nos deu a vida porque ela vai saber.

Há um dia em maio que convencionou-se como sendo dedicado às mães. Mas sabemos todos, que elas o são em tempo integral, desta forma, podemos até usar o dia para mandarmos mensagens, cartões, darmos presentes ( contanto que não sejam panelas nem quaisquer outrso utensílios domésticos, dêem passeios, viagens,almoços, jantares, dias de limpeza e faxina em que elas nada precisem fazer) mas elas contentam-se com um simples: Mãe, eu amo você, sempre vou te amar e sou grato por esse teu incondicional amor.

Em Algum Lugar do Passado

O filme que dá título a esse post é de uma poesia lindíssima, a trilha sonora também foi escolhida com apuro, cuidado, e faz com que nos sintamos dentro do enredo, transportados nele através dos detalhes envolventes. E a escolha se justifica pois através da internet fui reencontrando pessoas muito queridas de um passado recheado de eventos especiais.

Era a década de 1990 e tornei-me professor de história do Colégio Americano, que havia passado a se chamar Instituto Metodista de Educação e Cultura, mas ainda permanece o nome com que ficou conhecida essa instituição de ensino fundada em Porto Alegre em 1885 e que se afirmou na cidade. Minha mãe havia estudado nesse colégio e quando soube que eu me tornei professor lá, ficou muito contente e contou aos meus avós, tios, fechava-se para eles um ciclo familiar e todos acharam interessante mas, isso me impunha uma obrigação extra, fazer bem o meu trabalho.

O professor, era também ativista político, filiado ao sindicato, acreditava nas lutas e sendo oriundo da faculdade de história, sentia-se compelido a participar das lutas e a escola era tambem um micro campo de lutas onde me tornei delegado sindical. Tínhamos uma associação de professores que lutava internamente pelas demandas conforme as mesmas se apresentavam e isso fazia com que muitas vezes houvesse conflitos com a direção da escola.

A direção do colégio estava a cargo da professora Eliane Thaís,docemente conhecida como Nina, ela realmente foi uma linda pessoa com quem tive o privilégio de conviver e mesmo não estando mais em nosso convívio, creio que a passagem dela pela terra enriqueceu aqueles que a conheceram. Acima dela, como diretora geral, estava a profesora Alba Salgado Beloto, a quem cabia a palavra final em nossas negoiações e ela era muitas vezes dura, aprendi demais com aqueles embates e creio que tenham contribuído para minha atividade como advogado. Estávamos em lados opostos, elas representavam os patrões e a nós, da associação, cumpria a função de defender os empregados.Mas sempre houve respeito mútuo, mesmo quando discordávamos, era com fidalguia e acredito que em alguns momentos conseguimos mesmo ter uma relação de proximidade cúmplice. No aniversário dos 105 anos da escola, se não me falha a memória, a APIMEC(entidade dos professores) pagou a instalação de alguns "outdoors" cuja arte foi confeccionada por um ex-professor de artes. Foi nossa maneira de homenagear a instituição pela qual nutríamos verdadeiro afeto. Nina chegou à escola, nos chamou a sua sala e disse que : " chorei ao ver o outdoor, assim vocês me matam de emoção." Se não me engano, a professora Magáli, era quem presidia a associação, e o Paulo Reverbel era o vice, eu continuava delegado sindical. Foi um momento muito agradável em nossa relação.

Os alunos que conheci ali, e muitos deles estou reencontrando graças a internet, foram e são importantes em minha vida. Sinto uma pontada de orgulho ao ver os caminhos que escolheram, as pessoas nas quais se tornaram. Ensinei a eles os conteúdos de história previstos em nosso programa, mas procurei ser também amigo, e aprendi muito com eles.

Assim o presente e o passado se encontram nas ondas da banda larga. Mandei e recebi pedidos de amizade, troco mensagens, posso estar de novo em contato com tanta gente querida. Se fosse postar aqui um música dedicada a todos eles, creio que seria o tema daquele filme com Sidnei Poitier:" Ao Mestre Com Carinho". Um dia em uma formatura, já aqui no Rio, quando fui um dos professores a quem fizeram homenagem eu disse que tínhamos algo de vaidade, uma busca pela imortalidade, pois imaginávamos que nos perpetuaríamos através daqueles a quem ajudamos a formar...não sei se isso faz sentido mas,aqueles meninos que chegaram em minha sala de aula, na turma 101,ou 102... e depois, ao sair, nas turmas 301,302... hoje muitos estão casados, alguns tem filhos, e meus colegas estão em diferentes escolas, formando mais gente, e mesmo aqueles que não mais estão físicamente entre nós, permanecem em nossas carinhosas lembranças.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O Caderno (Toquinho) - Cristina Motta

Era 1990 quando fui contratado como professor de História Geral,para os alunos do primeiro ano do segundo grau(hoje ensino médio) e também lecionava História do Brasil para os alunos do terceiro ano. Eles se encontravam comigo ao sair do então ginásio,quando estavam com 14, 15 anos, e depois, aos 17,voltávamos a nos encontrar.
O Colégio Americano, instituição Metodista tradicional em Porto Alegre, na qual minha mãe havia sido aluna nos anos 1950, foi especial em minha vida por uma serie de razões. Os professores com quem tive o prazer de trabalhar, o momento histórico vivido,e de uma maneira mais do que especial, os alunos que conheci durante os anos em que lecionei naquela instituição.
Era tradicional mas nos permitia ousar. Festival de músicas com letras baseadas no conteúdo de biologia moviam o "Bio In Concert", e nós da história, junto com o pessoal de português, literatura, filosofia,matemática(porque os professores daquele tempo, naquela escola, praticavam uma interdisciplinaridade linda)bolamos o "Oscarito" festival de vídeos produzidos pelos alunos. Categoria ficção e documentário. Fantásticas mentes criativas produzindo diferentes coisas. Também tinha gincana, olimpíadas das escolas metodistas, entre outros projetos.
E também teve greve, e conflito, demissões e perdas. Mas todos crescíamos,a convivência era positiva,ensinávamos nossas matérias, mas aprendíamos muito com nossos alunos também. Quando o Inter(meu time) perdia, já sabia que haveria algo no quadro sobre a derrota, logo que entrasse em sala mas, quando era o arqui-rival que tropeçava, sabiam os gremistas meus alunos, que também me divertiria.
A primeira passeata pelo Impeachment de Collor, no ensino privado do RS, partiu do Colégio Americano,um grêmio estudantil ativo,estudantes que participaram daquele momento histórico e hoje estão pelo mundo:engenheiros, advogados,médicos,fotógrafos,músicos,arquitetos,designers,foram em busca de seus sonhos, da realização.
E tanto tempo depois, graças aos recursos da internet, aos poucos, vou enconrando alguns,vendo seus progressos, sentindo-me orgulhoso porque, em algum momento de suas vidas, por breves instantes, pude de alguma forma contribuir com aquilo que eles decidiram ser.
Cada pedido de amizade no facebook me deixa alegre,e vejo a página, descubro o que fazem, muitos deles casados, com filhos, sim, o tempo passa para todos nós, e a escolha dessa música tem a ver com nossos tempos na escola...de ver cadernos rabiscados, corações desenhados,emblemas de times de futebol,e tudo que comportava um caderno.
Meus queridos ex alunos, meus amigos,desejo que sejam felizes em cada etapa de vossas vidas e na minha, vocês me deram muitas alegrias, tenham certeza.

Atrasos e Periodicidade

Ter um blog deveria também implicar na responsabilidade de escrever nele cotidianamente, atualizar os conteúdos e coisas assim, mas eu tenho essa dificuldade, de vez em quando venho e posto vários conteúdos, sinto-me à vontade para escrever e compartilhar mas em outros momentos, simplesmente não venho, ou porque nada há que eu desejo compartilhar ou, apenas ando sem inspiração.

Outro dia alguém me disse que basta postar qualquer coisa, mas isso me incomoda, mesmo assim, hoje, quando vim ao blog, planejava postar algo sobre meus tempos de Colégio Americano, Porto Alegre, anos 1990. Mas decidi que isso será feito com alguma música pertinente ao fundo, enquanto isso, peço desculpas ao amigos, aos leitores,por essa minha inconstância aqui,tentarei ser mais assíduo.