segunda-feira, 30 de junho de 2008

um Novo "Big Stick"?

Os Estados Unidos reativaram sua IV frota naval, conforme matéria publicado no jornal Le Monde Diplomatique Brasil,edição de julho de 2008. Seria apenas mais uma notícia sobre o poderio bélico norte-americano e motivo de preocupação para os países sul-americanos,pois quando olhamos para a história da América Latina e a política agressiva dos EUA para a região sob a liderança do presidente Theodore Roosevelt, defensor da "política do grande porrete", fica evidente a cultura belicista e intervencionista norte-americana para a região. É atribuída a esse governante a frase:"Com os latinos fale manso, mas tenha sempre um porrete à mão."

Primeiro eles mostraram as armas,hoje,em matéria publicada em"O Globo" no caderno de economia,o senhor Carl Meacham,assessor sênior da Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano defendeu uma aproximação maior entre os políticos brasileiros norte-americanos falando que é importante existir uma agenda específica para o legislativo dos dois países. Ele disse que se os brasileiros querem derrubar as tarifas sobre o etanol brasileiro ,precisam conversar com o Congresso dos EUA,pois é por lá que estas decisões passam.

Negociações, conversas,aproximação econômica mas, em meio a esse discurso a IV Frota Naval está a postos. As bases militares norte-americanas em El Salvador,Paraguai, entre outras, estão ativas e o orçamento para a indústria bélica nos EUA continua elevado. É preciso que os governos sul-americanos estejam atentos e coesos para não serem surpreendidas por ações divisionistas como,no passado, o apoio que os EUA deram ao Panamá, então território que integrava a Colômbia, para que este se tornasse um Estado Independente.

A Colômbia tem servido aos propósitos políticos norte-americanos mas o seu isolacionismo crescente pode fazer com que o presidente Uribe reveja sua política externa e, no conjunto das questões que se apresentam,dos novos desafios que estão diretamente ligados a temas de ordem geoeconômica,a criação de um Conselho de Defesa do Cone Sul, e uma maior aproximação com a Comunidade Européia são desafios que se impõe no plano das Relações Exteriores das nações sul-americanas.


domingo, 29 de junho de 2008

Democratas ou Republicanos:A América do Sul deve ficar atenta

Em excelente reportagem publicada no Le Monde Diplomatique Brasil,a reativação da IV frota naval norte-americana é uma demonstração de força bélica que parece ter como principal motivação o interesse geoeconômico na América do Sul, especialmente a partir de dois episódios interessantes: a descoberta de importantes jazidas petrolíferas no Brasil e a eleição de Fernando Lugo, de esquerda, para a presidência do Paraguai.

Acredito que o interesse nas reservas petrolíferas brasileiras não precisa de maiores explicações e, quanto as eleições no Paraguai,existe um dado bastante significativo: Em 2000 foi concluído o aeroporto Mariscal Estigarríbia,No Paraguai.Trata-se de uma base militar norte-americana muito próxima à usina hidrelétrica de Itaipú.Trata-se de uma instalação militar moderna, com pista de pouso que permite a operação de aviões de carga do porte dos B-52 e, também pode abrigar um contingente de 16 mil soldados nas proximidades da fronteira entre Brasil,Argentina e Bolívia.Em junho de 2005 o Congresso paraguaio autorizou a livre circulação de tropas norte-americanas e concedeu-lhes imunidade peal.Isto quer dizer que qualquer ato praticado por soldado americano em território paraguaio não poderá ser julgado pelas cortes do país.O objetivo norte-americano era obter as mesmas regalias no Cone Sul,a resistência de Brasil e Argentina impediu que isso acontecesse.Na época, parlamentares bolivianos manifestaram-se sobre a base dos EUA próximas à fronteira da Bolívia, na região de Tarija,onde está uma das duas maiores reservas de petróleo e gás do país.

A preocupação com a eleição de Fernando Lugo se explica porque,o Congresso do Equador não autorizou a instalação de novas bases militares norte-americanas no país, além de determinar que a base de Manta seja devolvida em 2009. O governo paraguaio poderá adotar a mesma atitude,até porque os acordos e autorizações dados aos EUA ferem a soberania do Paraguai.

Em recentes declarações à imprensa, o pré-candidato democrata Barak Obama declarou que continuaria a apoiar a Colômbia em sua luta contra as Farc e o narcotráfico. Apoiará o direito da Colômbia de atacar terroristas que buscam abrigo seguro cruzando as fronteiras. Uma clara alusão ao recente episódio de invasão ao território do Equador. Desta forma,mesmo se apresentando como um candidato da esperança e da renovação, para a América do Sul, é importante observar que os interesses econômicos norte-americanos vão continuar determinando sua política externa, mesmo que a justificativa seja a luta internacional contra o terrorismo.

domingo, 22 de junho de 2008

Seleção e Resgate

Ronaldinho Gaúcho estará na seleção olímpica que vai a Pequim,conforme notícias recentes divulgadas pela mídia.Possivelmente também vai constar das próximas escalações do time principal. Está fora de forma, o Barcelona não o quer mais e mesmo com o interesse demonstrado pelos ingleses em contratar Ronaldinho Gaúcho, não se trata de um parâmetro dos melhores, pois já contrataram Gilberto Silva, Anderson e estão em vias de trocar Crisitiano Ronaldo o jovem e habilidoso atacante da seleção portuguesa, de apenas 20 anos,por um deslumbrado Robinho mais alguma compensação financeira.

Aquele garoto irreverente, de futebol alegre e que encantou a torcida gremista e depois o Brasil é um homem de 28 anos que vive um momento delicado em sua carreira.O melhor lugar para demonstrar que superou uma fase ruim é fazer isto em campo. No entanto não creio que isto deva acontecer na seleção, durante uma olimpída, porque este é um título que o Brasil não conquistou, algo curioso para um Pentacampeão mundial.

No jogo em que o Brasil foi desclassificado pela França em 2006 na Copa da Alemanha, as imagens mostraram um Ronaldinho Gaúcho que parecia apenas cumprir um protocolo. Ele não estava abatido nem desapontado, em contraste com o povo brasileiro que naquele instante sentia-se frustrado. Sorria, foi conversar com seus colegas de clube, não havia nada que indicasse estar desolado porque a representação de seu país, a "pátria de chuteiras", nas palavras do genial Nelson Rodrigues, fracassou diante de Zidane e seus compatriotas.

Tempos depois, no Japão,na final do mundial de clubes entre Barcelona e Internacional de Porto Alegre,quando a partida terminou e o time gaúcho praticou a façanha de vencer o poderoso Barcelona e tornar-se Campeão Mundial Interclubes, as imagens mostram um Ronaldinho gaúcho desolado chorando porque seu clube perdeu o título.

Dois momentos, duas imagens e uma mensagem: O amor ao clube parecia muito mais latente do que o orgulho que devia sentir por jogar na seleção e representar seu país.A desolação no jogo em que o Barcelona perdeu o título no Japão e o conformismo despreocupado pós desclassificação na Alemanha são imagens que deveriam ser exibidas para que as pessoas reavaliassem que tipo de jogador queremos na seleção brasileira. Habilidade sem coração,bom, isso está disponível em muitos lugares.

Zico, Falcão e, mais recentemente, Romário, usavam a camisa da seleção brasileira com orgulho,tinham brio e ao perderem estavam inconformados porque pensavam nos milhões de brasileiros que entravam em campo com eles e sofriam as derrotas como suas e festejavam as vitórias porque haviam estado em campo, seus corações e mentes estavam também nas vitórias.

Por isso, antes de pretender voltar à seleção é bom que Ronaldinho Gaúcho reavalie suas prioridades e o presidente da CBF Ricardo Teixeira também deveria analisar as imagens às quais me referi antes.

sábado, 21 de junho de 2008

Stand Up Comedy

Nos EUA, esse gênero de comédia no qual há grande interação com o público é uma modalidade de show bastante comum e que projetou muitos humoristas e já apareceu em vários filmes. Em um bar ou pequeno teatro um ator ou comediante conta piadas e histórias engraçadas e, não raro, usam pessoas da platéia e transformam algumas características delas em diversão.

O avanço dos conceitos que limitam aquilo que é considerado políticamente correto tem limitado muito a atuação dos humoristas, mesmo assim ainda faz bastante sucesso e possui adeptos em diferentes lugares do mundo, inclusive o Brasil, onde recentemente começaram a acontecer exibições que estão atraindo cada vez mais público.

Fazer rir é difícil e se expor no palco solitáriamente é um desafio que requer preparo, raciocínio rápido e um senso de oportuidade bem afiado. Os brasileiros, em geral irreverentes e que conseguem rir da própria desgraça possuem as habilidades necessárias para explorar e popularizar este gênero de comédia por aqui e, como dizia uma coluna das Seleções Reader's Digest, que eu lia na infância: " Rir é o melhor remédio".

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Quem avalia o avaliador

Ontem,19/06/2008 foi noticiado pela imprensa nacional e internacional que o banco norte americano JP Morgan rebaixou a classificação das ações das empresas brasileiras alegando que os riscos de inflação ameaçavam os fundamentos da economia do Brasil, há risco de instabilidade e por isso não seria,na visão do banco JP Morgan, seguro investir em empresas brasileiras.

Faz poucos meses o Brasil recebeu o Grau de Investimento por parte de agências norte americanas e isto fez com que a Bolsa de Valores de São Paulo,BOVESPA, tivesse em um único dia um aumento superior a 5 pontos percentuais com empresas alcançando valorização intensa e chamando a atenção de investidores estrangeiros que, com o grau de investimento passaram a julgar seguro investir na BOVESPA.

Mas algo que me deixou curioso foi o fato de que estas agências que atestam se um país é ou não seguro para receber investimentos, o banco JP Morgan, que reduziu a classificação das empresas brasileiras, foram incapazes de ver que o sistema hipotecário norte americano estava à beira do colapso. Um dos maiores bancos dos EUA, Bear & Stearns não superou a crise e acabou sendo comprado por um valor bem abaixo do que valia até que suas perdas foram divulgadas e, a operação contou com a ajuda do Federal Reserve, o equivalente norte americano ao nosso Banco Central.

Diante destas questões é necessário saber quem fiscaliza o fiscal?quem recomenda ser o mercado dos EUA seguro ou não? Não seria a hora de países emergentes também poderem avaliar outros?agências do bloco formado por Brasil,Rússia, Índia e China (BRIC)também deveriam poder avaliar a conveniência de investir nos EUA e mesmo a Comunidade Européia deveria analisar questões dessa natureza.

A força econômica norte americana fez com que Wall Street ditasse o ritmo dos negócios financeiros no mundo durante várias décadas mas hoje em dia, considerando a progressiva desvalorização do dólar em nível mundial, até mesmo este conceito de ser a moeda norte americana o padrão financeiro mundial, é algo que está sendo reavaliado e, segundo alguns especialistas, existe relação direta entre o aumento dos preços do petróleo e a desvalorização do dólar.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Cota Social Faz Sentido, racial, tenho dúvidas

Faz alguns anos começaram movimentos de inclusão social, projetos de ação afirmativa em algumas universidades públicas e foi instituída a cota para afro descendentes, e tal medida teve como justificativa a falta de oportunidades para que os negros ingressem nas universidades públicas..

As desigualdades sociais no Brasil são inegáveis e é fato que entre a população de excluídos existe um grande contingente de negros que sofrem diferentes tipos de discriminação porque negar que ela exista também é ignorar a realidade. Mas vivemos situação bem distinta daquela experimentada pelos negros dos EUA, país onde a ação afirmativa foi uma necessidade e o acesso de negros às universidades precisou ser garantido na justiça e com o apoio da guarda nacional. Aqui, declaradamente os negros nunca foram impedidos de estudar, ao menos, se levamos em conta o período republicano da história do país, ou seja,desde 1889.

A herança de um passado escravista é um fardo sobre toda a população e corrigir desigualdades é importante para que o país avance. No entanto, há pobres de todas as raças, excluídos em todo país, cotas para negros contrariam o PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ISONOMIA e mesmo o argumento de tratar desigualmente os desiguais não me parece válido para este caso.

Considerando estes aspectos e pensando que não precisamos acirrar conflitos ou disputas desnecessários, entendo que o mais adequado seria adotar cotas sociais porque assim contemplaríamos de fato TODOS OS EXCLUÍDOS, até porque, no interior do RS, PR, SC, por exemplo, os pobres em muitos casos são loiros de olhos azuis e estariam fora das cotas como estão definidas hoje. Não sofrem também com a desigualdade? Penso que sim.

terça-feira, 17 de junho de 2008

O Aprendiz e outras Escolhas

Nos EUA,Donald Trump levou ao ar um programa de seleção para recrutar novos profissionais para suas empresas chamado "O Aprendiz" que está em sua sexta edição. Um reality show que tornou-se sucesso de audiência e que a Rede Record de Televisão, em parceria com o empresário Roberto Justus exibiu em 3 edições e que passou por algumas mudanças, tendo como nova proposta a escolha de um sócio.

A maneira como o programa é apresentado possui um caráter educativo que considero bastante interessante e as tarefas são propostas com ética e profissionalismo ressaltando sempre que as pessoas não podem usar o programa ou as tarefas como forma de obter qualquer vantagem para o grupo.

A cada semana, no programa brasileiro, dois candidatos são eliminados em escolhas que em geral fazem sentido e são justificadas. O público se identifica com os concorrentes e torce para que seu escolhido vença e conquiste o posto de novo sócio de Roberto Justus.

Na verdade, o aprendizado que se pode extrair de um programa destes excede em muito outras propostas que apenas exploram a vaidade das pessoas e sua ânsia por uma fama rápida que pode levá-los a se tornarem apresentadores de algum programa de televisão, capa de revista masculina ou revista gay. Exploram os sentimentos mais baixos pois, como disse o personagem interpretado por Al Pacino no filme "O Advogadodo Diabo": "A vaidade é meu pecado favorito". Faz sentido, pois este desejo é algo que faz as pessoas cometerem todas as outras transgressões.

Desta forma, creio que a televisão pode ser um espaço qualificado em que haja informação de bom nível e onde os programas transmitam conteúdo ético e socialmente resposável.

Boas iniciativas devem ser saudadas e divulgadas para que as pessoas tenham novas alternativas e estejam abertas a experiências saudáveis. Espero que alguém imagine algo que eduque as pessoas quanto à gestão de suas finanças, especialmente em uma época com tantas e perigosas ofertas de crédito.

domingo, 15 de junho de 2008

Graciliano Ramos e o poder da palavra

A obra de Graciliano Ramos analisada a partir de duas obras específicas: São Bernardo e Vidas Secas, permite compreender a preocupação do autor com o conhecimento, o domínio da palavra e o que isto poderia representar para as pessoas em um país no qual o acesso ao estudo era restrito a uma parcela ínfima da população à época em que escreveu estes livros, ou seja, na década de 1930.

Fabiano, em Vidas Secas, sente-se um bicho e em vários momentos faz referência explícita a esta sensação. Paulo Jorge, que de simples peão da fazenda, conseguiu tornar-se dono da mesma, em determinado momento esclarece que ter sido preso devido a uma briga foi algo que mudou sua vida.Foi na prisão que ele aprendeu a ler e foi modificando sua realidade até converter-se em dono da fazenda São Bernardo.

O estudo havia transformado por inteiro a vida de Paulo Jorge e, a falta de saber lidar com as palavras fazia de Fabiano refém de sua condição pois como não conseguia se comunicar com clareza, acabava sendo explorado, enganado nas contas, humilhado. Fabiano ia vagando pelo sertão fugindo da seca e tentando encontrar alternativa para ele e a família. Paulo Jorge havia conquistado bens e algum poder, casou-se com uma professora e depois sofreu por não sentir-se culto o bastante para acompanhar a esposa nos interesses desta e, perturbado pelos ciúmes ele tornou a vida da esposa tão perturbadora que ela não podia mais suportar e, num gesto de total desespero suicidou-se.

Em suas características próprias Graciliano Ramos demonstrou nos dois livros sua preocupação com o ensino e o quanto julgava importante que as pessoas tivessem acesso à educação porque isto permitiria uma mudança em suas realidades e libertar-se-iam da condição de inferioridade e submissão na qual se encontravam.

As Meninas vão a Pequim

A seleção feminina brasileira de basquetebol venceu Cuba em um jogo de superação. Ficou evidente o espírito de equipe e a atuação de um técnico que sabe o que quer. O treinador tem exata noção da maneira como um esporte coletivo deve ser jogado e onde a rotação de jogadores e o uso do banco precisam ser utilizados como um recurso adicional. Não existe dona da vaga, mesmo grandes jogadoras como Hortência, Paula e, mais recentemente, Janeth, têm dias em que estão abaixo de seu padrão habitual.

Kelly e Micaela jogaram acima da média que vinham apresentando nesse torneio e contribuíram muito para a vitória brasileira. E também é preciso ressaltar que as meninas que vieram do banco jogaram com perfeita noção de sua importância para um objetivo comum ao grupo e isso fez muita diferença.

A derrota para a Bielorússia foi responsabilidade coletiva e também hoje a vitória sobre Cuba evidenciou o que de mais importante o novo técnico trouxe para a seleção: Espírito de grupo,solidariedade, vontade de superar as adversidades e transformar crise em oportunidade.


Faz muito que acompanho a seleção brasileira e o que sempre me incomodou nos outros técnicos que comandaram nossos times foi estarem presos a um número fixo de jogadores, como se fosse futebol onde existe limite para substituições. Bernardinho usa o banco e o volei tem obtido excelentes resultados e eu esperava alguém com essa noção comandando a seleção de basquete. Paulo Bassul mostrou que, além de jogar com o banco,conhece estratégia, sabe pedir tempo e usar os momentos exatos para mexer na equipe e este avanço produzirá bons resultados.

Técnico jovem mas que tem estado com a seleção na qualidade de auxiliar, afastou-se após o pré-olímpico das Américas porque divergiu do então treinador Barbosa, cujas substituições eram previsíveis e a visão de jogo, no meu entender era deficiente. Vamos às Olimpíadas e espero que a seleção masculina, desfalcada de suas estrelas da NBA se inspire no espírito coletivo das menias.

Espero que Iziane pense em suas atitudes e declarações recentes mas,para o bem do grupo e tranqüilidade do treinador, é melhor manter essa equipe. No caso da Iziane ficou claro que não é confiável para qualquer treinador que precise dela mas priorize o jogo coletivo ao invés de talentos individuais que podem ser desagregadores.

Há uma pivô alta, que jogou no Pan Americano, é branca mas sabe enterrar, tem altura, é jovem e acredito que talvez pudesse ser valiosa quando enfrentarmos pivôs altas e precisarmos de substitutas para Kelly e Ega. O problema é excluir alguém desse grupo, pois todas as meninas que disputaram o torneio até a vitória sobre Cuba fizeram por merecer ter o passaporte carimbado para Pequim. Há uma vaga, a de Iziane, a ser preenchida.Espero que venha mais uma jogadora consciente de que o time são as doze, é assim que se conquistam vitórias.

sábado, 14 de junho de 2008

Encontrei a letra perdida

Em outro texto falei de minha frustração porque a falta de uma letra, o cedilha, me obrigava a buscar sinônimos e nem sempre eles serviam aos fins daquilo o que eu pretendia dizer. O socorro veio dos mais jovens, pois em assuntos de informática a juventude contribui para desvendar esse mundo novo. Um amigo de minha filha mais nova foi quem me disse onde localizaria a letra perdida e por isso, agora mesmo, quando escrevia sobre Iziane e a seleção brasileira feminina de basquete que está disputando na repescagem uma vaga para as olimpíadas de Pequim, pude escrever o texto com mais tranqüilidade e sem precisar ficar buscando sinônimos.

Arrogância,caminho para o desastre

Após haver sido cortada da equipe porque recusou-se a entrar em quadra durante o jogo entre Brasil e Bielorússia,a jogadora Iziane deu entrevista a um canal de esportes e disse que: " não sou de ficar no banco torcendo e, como vocês dizem, a estrela deve estar em quadra".

A seleção brasileira precisa ser um grupo coeso e uma atleta que não consegue pensar no coletivo em um esporte no qual essa é a principal característica não pode permanecer na equipe porque acaba agindo como agente desestabilizador e desagregador. Também não creio que haja espaço para que ela seja convocada para outras ocasiões e, caso a seleção brasileira consiga a vaga para Pequim, terá feito isso sem o auxílio de Iziane e assim, a jogadora não é tão determinante quando se imagina.

O time no qual a Iziane joga na WNBA, na cidade de Atlanta está realizando uma campanha bem ruim, 9 derrotas em 9 jogos e ela esteve em quadra durante esta campanha e lá ela senta no banco com tranqüilidade, sem esses arroubos de estrela.

Como disse um telespectador da ESPN Brasil, a Iziane é o Nézinho ( jogador que teve atitude semelhante jogando pela seleção masculina no pré - olímpico das Américas) de saias. A atitude da atleta causou espanto e revolta entre as pessoas que acompanham e gostam do basquete, inclusive algumas ex - jogadoras que hoje comentam para as emissoras de televisão os jogos do Brasil.

A falta de humildade e espírito de equipe tirou Iziane da seleção brasileira e será difícil esquecer este triste episódio.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Basquetebol,dinheiro e intrigas

A equipe brasileira masculina de basquetebol não vai poder contar com o pivô Anderson Varejão porque o time norte americano no qual ele joga não o liberou e acaba de fazer o mesmo com um jogador lituano que também atua no Cleveland Cavaliers. Seria compreensível levando-se em conta os salários pagos no basquete profissional dos EUA mas, o mesmo time liberou uma de suas estrelas, Lebron James para jogar nas olimpíadas.

Os EUA ainda estão ressentidos pela derrota nos jogos de Atenas, quando não foram competentes para vencer a Argentina, que também tem jogadores atuando na NBA e a respeito dos quais, até o momento não houve notícia de veto dos clubes aos quais estão ligados e, caso isso venha a ocorrer ficará a dúvida: estaria a NBA impedindo os atletas estrangeiros que atuam no basquete americano para, dessa forma, garantir que não terão de enfrentar equipes competitivas?

Anderson Varejão aceitou o veto que sua equipe lhe impôs, ainda não sei o que fará o jogador lituano mas, gostaria muito que ele decidisse enfrentar seus empregadores e jogasse nas olimpíadas de Pequim defendendo seu país, coisa que os brasileiros desistiram e, só me resta tornar a dizer: QUE SAUDADES DO OSCAR, DO MARCEL, DO MAURY,e de outros para os quais era um dever cívico, um ritual sagrado, usar a camisa verde e amarela que significava O País em quadra.

Acredito que haja meios para montar uma equipe competitiva nos EUA e disputar as olimpíadas sem impedir que os estrangeiros que atuam na NBA de jogarem por seus países. Mas, assim como eles não precisam agir desta forma, deveria haver por parte dos jogadores, nesse caso falo específicamente dos brasileiros, uma atitude e uma postura mais digna porque representar o país deveria ser importante e ainda é uma grande vitrine.

Ontem, dia dos namorados

12 de junho, dia dos namorados, influências de nossas raízes católico - portuguesas, devido a Santo Antônio, o santo casamenteiro. Jovens "casadoiras" como diriam os antigos, vão às igrejas de todo país e fazem promessas e aquelas mais determinadas e que acreditam ser necessária uma pressão maior utilizam várias práticas: ouvi dizer que algumas colocam o santo numa bacia com água, outras tiram o bebê que ele traz no colo, tem de tudo.

Mas o comércio se movimenta com intensidade e sempre surge algo novo. Ontem no centro do Rio camelôs vendiam uma Rosa que virava uma minúscula calcinha vermelha, essa exótica oferenda estava sendo ofertada por 1 Real. Não sei quanto à demanda e, nem imagino como as mulheres que receberam o curioso mimo reagiram mas, deve ter havido circusntâncias bastante divertidas.

Também procurei um presente.Depois de 12 anos,ainda gosto de namorar. Olhei vitrines e, como gosto de pés, (falarei mais disso quando achar o cedilha perdido em meu teclado), olhava as sapatarias e imaginava algo adequado, até que encontrei e, como as calcinhas vermelhas, deleite de quem ofereceu e que deve ter sido maior do que a pessoa a quem o presente se destinava, também experimentei este prazer quando encontrei e comprei uma botinha tamanho 34, imaginem esse pézinho e, sempre bom lembrar, não era uma loja de artigos infantis...

Mas, celebrar é sempre bom, porém confesso que preferia um significado mais amplo, como possui o Valentine's Day, onde amigos se presenteiam, celebra-se o afeto, lembro com especial carinho uma oportunidade em que visitava meus avós no interior dos EUA e, calhou de ser nessa época do dia de São Valentin e, meu avô me deu uma caneca de café, bebida da qual sempre fui apreciador e ele também, apesar das críticas de minha avó aos nossos exageros. Infelizmente, não posso mais encontrar com ele aqui para outro Valentine's Day mas, a caneca sempre me lembra que é um dia de Carinho, o que não requer seja exclusivo entre namorados, mas abrange muito mais gente . Mesmo assim,sempre bom ter uma namorada....

Drumond, depois falo mais

Estive lendo alguns poemas de Carlos Drumond de Andrade, reunidos no livro "Claro Enigma" publicado após a Segunda Guerra Mundial e que mostra alguma influência do existencialismo francês, no entanto também critica a ânsia de viver com intensidade e sacrificar a essência do ser humano. No belíssimo poema "Um boi vê os homens" encontrei várias referências a essa postura, os humanos perdendo seu referencial.

Um pequeno trecho que transcrevo aqui permite trazer aos dias intensos de nosso mundo moderno a visão crítica e aflita de um Drumond dos anos 50, que escrevia:

" Tão delicados (mais que um arbusto)e correm e correm de um para outro lado, sempre esquecidos de alguma coisa. Certamente falta-lhes não sei que atributo essencial,posto se apresentem nobres e graves, por vezes. Ah, espantosamente graves, até sinistros. Coitados, dir-se-ia não escutam nem o canto do ar nem os segredos do feno, como também parecem não enxergar o que é visível e comum a cada um de nós(....)
e carecidos de emitir sons absurdos e agônicos: desejo, amor, ciúme(que sabemos nós?)....e difícil,depois disso,é ruminarmos nossa verdade."


O Melancólico Mestre Crítico de Itabira, assim é como o vejo nesta fase de seus poemas, ou seja, cunhei a expressão nesse momento, não a tomei emprestada de nenhum crítico literário ou dos livros de estudo,apresentava na década de 1950 uma angústia mas, ao mesmo tempo, havia o que esperar dos seres humanos, mesmo que ruminar a verdade de negar o amor, o ciúme e estes sentimentos que nos caracterizam todos, seja um exerício cotidiano difícil.

Vinícius de Moraes, no poema "Rosa de Hiroxima" também fala destas angústias de um mundo no qual a capacidade destrutiva havia se tornado intensa, contava-se mortos aos milhões, além dos efeitos "colaterais" da guerra, como "Mulheres rotas, alteradas, pensem nas meninas como rosas pálidas, sem cor , sem perfume, sem rosa, sem nada".

Pretendo retornar ao tema mas, o que de fato despertou minha curiosidade nestas releituras de Drumond foi a atualidade de poemas escritos faz mais de 50 anos. Densos, fortes e que realmente nos levam a pensar em nossas atitudes, quer sejam elas de conformismo ou de incômodo com as mazelas de toda sorte espalhadas na urbe que urge em crescer, correr,na qual ninguém mais tem tempo de ser e nada ter pra fazer, como uma música de Marcos e Paulo Valle, regravada pelos Paralamas do Sucesso, intitulada "Capitão de Indústria", procurem ouvir esta música.


PS: Ainda não achei a letra, o popular "cedilha"em meu teclado,por isso, além de buscar sinônimos para minhas palavras, não pude transcrever o poema de Drumond como gostaria mas, talvez isto os estimule a procurar o texto e então ler com calma e profundidade, talvez com Piazzolla ao fundo, não experimentei mas, creio ser boa mistura....

A Falta De Uma Letra

Computador novo, ao invés do Windows, o Linux, coisas novas para aprender e outras a descobrir e nesse meio tempo não encontrei o "Cedilha" em meu teclado. Tentei combinar teclas como fazia em outros computadores que usei mas ainda não obtive resultado e, diante disso, buscar sinônimos em todos os textos que escrevo torna-se um curioso exercício lingüístico.

Cada texto representa um novo desafio e a necessidade de encontrar palavras que me permitam dizer realmente o que desejo mas, confesso que há momentos de angústia e frustra...,viu, não dá, qual o substituto?inconformismo?aborrecimento?Incômodo? nenhuma destas parece traduzir o sentimento de algo não realizado mesmo com que os meios disponíveis sejam bons.

Algo como o time que o treinador Dunga escalou no recente amistoso contra a Venezuela...Faltavam várias coisas àquela equipe: criatividade, empenho, postura,determina...denovo falta a letrinha, bom, garra se adequa a este caso,talvez nós brasileiros estejamos mal acostumados em virtude da oferta de excelente jogadores nos mais diversos clubes mas que, reunidos em uma equipe não conseguem produzir da mesma forma...não sei, mas acredito que a habilidade do treinador em motivar seus comandados é sempre um componente a ser observado.

Hoje novamente treinador do Palmeiras, Vanderlei Luxemburgo teve uma passagem pelo futebol espanhol e, o elenco do Real Madrid era uma reunião de astros, os Galáticos, como a equipe era conhecida. O treinador não conquistou nada com um time onde havia jogadores de indiscutível talento, tais como: Ronaldinho Fenômeno,Zidane, Berckcamp, Roberto Carlos,Raul,apenas para citar alguns. Era o time ou quem comandava? Luís Felipe Scolari reuniu jogadores para conquistar a Copa do Mundo de 2002 e, mesmo que a crítica especializada dissesse que Romário deveria ser convocado e Ronaldinho não estava em seu melhor momento ( mas não era obesidade mórbida, como em 2006), Scolari seguiu seus institntos e venceu a Copa, trouxe o Pentacampeonato para o Brasil.