domingo, 29 de junho de 2008

Democratas ou Republicanos:A América do Sul deve ficar atenta

Em excelente reportagem publicada no Le Monde Diplomatique Brasil,a reativação da IV frota naval norte-americana é uma demonstração de força bélica que parece ter como principal motivação o interesse geoeconômico na América do Sul, especialmente a partir de dois episódios interessantes: a descoberta de importantes jazidas petrolíferas no Brasil e a eleição de Fernando Lugo, de esquerda, para a presidência do Paraguai.

Acredito que o interesse nas reservas petrolíferas brasileiras não precisa de maiores explicações e, quanto as eleições no Paraguai,existe um dado bastante significativo: Em 2000 foi concluído o aeroporto Mariscal Estigarríbia,No Paraguai.Trata-se de uma base militar norte-americana muito próxima à usina hidrelétrica de Itaipú.Trata-se de uma instalação militar moderna, com pista de pouso que permite a operação de aviões de carga do porte dos B-52 e, também pode abrigar um contingente de 16 mil soldados nas proximidades da fronteira entre Brasil,Argentina e Bolívia.Em junho de 2005 o Congresso paraguaio autorizou a livre circulação de tropas norte-americanas e concedeu-lhes imunidade peal.Isto quer dizer que qualquer ato praticado por soldado americano em território paraguaio não poderá ser julgado pelas cortes do país.O objetivo norte-americano era obter as mesmas regalias no Cone Sul,a resistência de Brasil e Argentina impediu que isso acontecesse.Na época, parlamentares bolivianos manifestaram-se sobre a base dos EUA próximas à fronteira da Bolívia, na região de Tarija,onde está uma das duas maiores reservas de petróleo e gás do país.

A preocupação com a eleição de Fernando Lugo se explica porque,o Congresso do Equador não autorizou a instalação de novas bases militares norte-americanas no país, além de determinar que a base de Manta seja devolvida em 2009. O governo paraguaio poderá adotar a mesma atitude,até porque os acordos e autorizações dados aos EUA ferem a soberania do Paraguai.

Em recentes declarações à imprensa, o pré-candidato democrata Barak Obama declarou que continuaria a apoiar a Colômbia em sua luta contra as Farc e o narcotráfico. Apoiará o direito da Colômbia de atacar terroristas que buscam abrigo seguro cruzando as fronteiras. Uma clara alusão ao recente episódio de invasão ao território do Equador. Desta forma,mesmo se apresentando como um candidato da esperança e da renovação, para a América do Sul, é importante observar que os interesses econômicos norte-americanos vão continuar determinando sua política externa, mesmo que a justificativa seja a luta internacional contra o terrorismo.

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