domingo, 15 de junho de 2008

Graciliano Ramos e o poder da palavra

A obra de Graciliano Ramos analisada a partir de duas obras específicas: São Bernardo e Vidas Secas, permite compreender a preocupação do autor com o conhecimento, o domínio da palavra e o que isto poderia representar para as pessoas em um país no qual o acesso ao estudo era restrito a uma parcela ínfima da população à época em que escreveu estes livros, ou seja, na década de 1930.

Fabiano, em Vidas Secas, sente-se um bicho e em vários momentos faz referência explícita a esta sensação. Paulo Jorge, que de simples peão da fazenda, conseguiu tornar-se dono da mesma, em determinado momento esclarece que ter sido preso devido a uma briga foi algo que mudou sua vida.Foi na prisão que ele aprendeu a ler e foi modificando sua realidade até converter-se em dono da fazenda São Bernardo.

O estudo havia transformado por inteiro a vida de Paulo Jorge e, a falta de saber lidar com as palavras fazia de Fabiano refém de sua condição pois como não conseguia se comunicar com clareza, acabava sendo explorado, enganado nas contas, humilhado. Fabiano ia vagando pelo sertão fugindo da seca e tentando encontrar alternativa para ele e a família. Paulo Jorge havia conquistado bens e algum poder, casou-se com uma professora e depois sofreu por não sentir-se culto o bastante para acompanhar a esposa nos interesses desta e, perturbado pelos ciúmes ele tornou a vida da esposa tão perturbadora que ela não podia mais suportar e, num gesto de total desespero suicidou-se.

Em suas características próprias Graciliano Ramos demonstrou nos dois livros sua preocupação com o ensino e o quanto julgava importante que as pessoas tivessem acesso à educação porque isto permitiria uma mudança em suas realidades e libertar-se-iam da condição de inferioridade e submissão na qual se encontravam.

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