domingo, 28 de setembro de 2008

E eu não Ganhei Doces

Mais um dia de são Cosme e são Damião passou e a cada ano sinto-me regressando à infância em Brasília.Eram tempos interessantes,gordinho,filho do pastor da igreja luterana,criado até os 3 anos em Porto Alegre,a primeira vez que vi um grupo de crianças correndo de um lado para o outro,não sabia o que acontecia até que alguém me explicou:estavam distribuindo doces em homenagem a São Cosme e Damião.Bom,eu fiquei bastante curioso e acabei seguindo o grupo,ganhei alguns doces e voltei para casa bastante contente,embora meu pai não tivesse gostado muito.
Nos anos seguintes eu esperava o final de setembro com ansiedade porque adorava doces,na verdade ainda gosto muito.Cresci,mudei para Porto Alegre onde vi pouco Cosme e Damião,depois vim morar no Rio,onde as pessoas distribuem doces como nos tempos em que eu era criança.E assim,uma porta ao passado ficou aberta,e todos os anos me sinto regressando à infância mas,uma coisa sempre lamentei,adultos não ganham doces das promessas de Cosme e Damião,mesmo assim as pessoas deveriam pensar na criança interior que habita em todos nós e essa memória afetiva é doce como os pacotes com pé-de-moleque,jujuba e balas que eu ganhava.

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