As vezes gosto de imaginar alguns encontros entre escritores ou personagens,os quais teriam sido muito interessante caso tivessem ocorrido.É algo sobre o que pretendo voltar vez por outra,o encontro de hoje é entre dois autores dos quais gosto por razões diversas e na minha opinião,ambos merecem destaque no cenário cultural brasileiro.
A Confeitaria Colombo,no centro do Rio de Janeiro funciona desde 1894 e foi um lugar de encontros interessantes,conspirações políticas,romances,e tudo o mais que se queira atribuir a essa charmosa confeitaria que está no imaginário dos cariocas faz mais de um século e meio.
Em uma das mesas,sentado saboreando um café,estava Dom Casmurro.Tinha um ar aborrecido e parecia não estar muito interessado em conversar mas,um homem de ar afável,simpático,com um cigarro no canto da boca, de repente se aproxima da mesa de Casmurro e pergunta se ele se importava em partilhar a mesa pois a Confeitaria estava cheia naquele dia.Diante dos gestos do recém chegado,Casmurro faz um aceno de aquiescência com a cabeça.
O estranho toma assento,pede um café eum cinzeiro ao garçom.Olha com curiosidade para seu colega de mesa e se apresenta:
-Prazer.Nelson Rodrigues,jornalista.Qual sua graça?
-Casmurro.
Nelson sentiu que o estranho não parecia muito disposto a conversar mas pensou: pessoas assim em geral possuem segredos muito interessantes e a matéria prima das crônicas que escrevia para o jornal eram as inconfidências feitas em ambientes como aquele,em conversas informais.Ele então tentou novamente:
-Casmurro,se não lhe importa que diga,o amigo parece estar aborrecido,coisas da política,dinheiro ou,o mal que nos aflige a todos:amor?
-Na verdade,nem sei porque estaria a falar de minhas intimidades para com um estranho mas o certo é que algo me consome a alma e talvez seja bom partilhar minhas inquietações.Trata-se de amor,acompanhado de uma grande desconfiança.
Estimulado por esse começo de confissão,Nelson disse sua frase favorita:
-Conte-me tudo,não me poupe nem mesmo dos detalhes mais sórdidos...
-Bom,em criança conheci uma menina,Capitu.Linda,cabelos negros,olhos com ar de ressaca.Éramos companheiros de brincadeiras.Mas minha mãe havia prometido que eu me dedicaria à vida religiosa.Contudo,depois de idas e vindas,o certo é que não pude renunciar a Capitú.Abandonei a vida religiosa,casei-me com o grande amor de minha vida...
E o que houve com a pequena?o abandonou?fugiu?
-Não.Infelizmente ela morreu.Mas o pior é que me sinto terrivelmente culpado e ao mesmo tempo,tenho essas dúvidas...
-Que espécie de dúvida?
-Havia um grande amigo meu.Escobar.Ele passou a frequentar nossa casa,Capitú afeiçoou-se a ele,mas dizia sempre que o afeto dela movia-se pela atenção que Escobar dispensava à minha pessôa desde que estivemos juntos no seminário.Ela dizia gostar dele como de um irmão.Nada além disso.
-Bom,amigos em casa,sempre podem despertar curiosidades escondidas,sabe-se lá o que se passa na alma das mulheres.de repente as aborrecemos,imaginam que não damos a atenção que desejam e,alí está umamigo atencioso e disponível,alguém que ouve as reclamações delas...nunca podemos saber...
-Capitú engravidou,ficou linda em toda a fase até o nascimento da criança.Escobar vinha à casa com mais assiduidade,trazia frutas para Capitú,buscava algum doce que ela dizia estar com desejo de comer...Eu sentia-me desconfortável com tanta atenção,mas Escobar era um amigo...O s problemas começaram quando olhei para o menino recém nascido e pensei ver nos olhos dele,os olhos de meu amigo Escobar...Pouco tempo depois ela morreu numa epidemia de gripe.Jamais pude esclarecer minhas dúvidas,hoje nem mesmo tenho certeza de que o menino de fato se parece com Escobar...
-Olha amigo,lamento a sua dor mas,deixe que eu seja sincero.O amigo alí acompanhando a gravidez,a semelhança da criança com o tal Escobar.. É batata,a pequena o traiu,não há dúvidas...Sei que é difícil encarar os fatos,eu mesmo,conheci uma pequena..chamava-se Engraçadinha mas,infelizmente teremos que deixar essa conversa para outro dia.Preciso sair,está na hora de entregar minha crônica no jornal.Até mais ver e obrigado pel cortesia de partilhar a mesa.
-Tenha uma boa tarde cavalheiro.Em outra oportunidade,quem sabe,partilhemos outra chávena de café.
Nelson partiu feliz,tinha mais uma crônica da vida como ela é,das emoções humanas,da sordidez da qual são capazes as pessoas...
mesmo aquelas com quem convivemos,as que pensamos conhecer,podem ser capazes de baixezas inomineis..veja o pobre Casmurro...um amigo, mulher por quem foi apaixonado desde a infância..um filho,talvez bastardo..que vida..
A Confeitaria Colombo,no centro do Rio de Janeiro funciona desde 1894 e foi um lugar de encontros interessantes,conspirações políticas,romances,e tudo o mais que se queira atribuir a essa charmosa confeitaria que está no imaginário dos cariocas faz mais de um século e meio.
Em uma das mesas,sentado saboreando um café,estava Dom Casmurro.Tinha um ar aborrecido e parecia não estar muito interessado em conversar mas,um homem de ar afável,simpático,com um cigarro no canto da boca, de repente se aproxima da mesa de Casmurro e pergunta se ele se importava em partilhar a mesa pois a Confeitaria estava cheia naquele dia.Diante dos gestos do recém chegado,Casmurro faz um aceno de aquiescência com a cabeça.
O estranho toma assento,pede um café eum cinzeiro ao garçom.Olha com curiosidade para seu colega de mesa e se apresenta:
-Prazer.Nelson Rodrigues,jornalista.Qual sua graça?
-Casmurro.
Nelson sentiu que o estranho não parecia muito disposto a conversar mas pensou: pessoas assim em geral possuem segredos muito interessantes e a matéria prima das crônicas que escrevia para o jornal eram as inconfidências feitas em ambientes como aquele,em conversas informais.Ele então tentou novamente:
-Casmurro,se não lhe importa que diga,o amigo parece estar aborrecido,coisas da política,dinheiro ou,o mal que nos aflige a todos:amor?
-Na verdade,nem sei porque estaria a falar de minhas intimidades para com um estranho mas o certo é que algo me consome a alma e talvez seja bom partilhar minhas inquietações.Trata-se de amor,acompanhado de uma grande desconfiança.
Estimulado por esse começo de confissão,Nelson disse sua frase favorita:
-Conte-me tudo,não me poupe nem mesmo dos detalhes mais sórdidos...
-Bom,em criança conheci uma menina,Capitu.Linda,cabelos negros,olhos com ar de ressaca.Éramos companheiros de brincadeiras.Mas minha mãe havia prometido que eu me dedicaria à vida religiosa.Contudo,depois de idas e vindas,o certo é que não pude renunciar a Capitú.Abandonei a vida religiosa,casei-me com o grande amor de minha vida...
E o que houve com a pequena?o abandonou?fugiu?
-Não.Infelizmente ela morreu.Mas o pior é que me sinto terrivelmente culpado e ao mesmo tempo,tenho essas dúvidas...
-Que espécie de dúvida?
-Havia um grande amigo meu.Escobar.Ele passou a frequentar nossa casa,Capitú afeiçoou-se a ele,mas dizia sempre que o afeto dela movia-se pela atenção que Escobar dispensava à minha pessôa desde que estivemos juntos no seminário.Ela dizia gostar dele como de um irmão.Nada além disso.
-Bom,amigos em casa,sempre podem despertar curiosidades escondidas,sabe-se lá o que se passa na alma das mulheres.de repente as aborrecemos,imaginam que não damos a atenção que desejam e,alí está umamigo atencioso e disponível,alguém que ouve as reclamações delas...nunca podemos saber...
-Capitú engravidou,ficou linda em toda a fase até o nascimento da criança.Escobar vinha à casa com mais assiduidade,trazia frutas para Capitú,buscava algum doce que ela dizia estar com desejo de comer...Eu sentia-me desconfortável com tanta atenção,mas Escobar era um amigo...O s problemas começaram quando olhei para o menino recém nascido e pensei ver nos olhos dele,os olhos de meu amigo Escobar...Pouco tempo depois ela morreu numa epidemia de gripe.Jamais pude esclarecer minhas dúvidas,hoje nem mesmo tenho certeza de que o menino de fato se parece com Escobar...
-Olha amigo,lamento a sua dor mas,deixe que eu seja sincero.O amigo alí acompanhando a gravidez,a semelhança da criança com o tal Escobar.. É batata,a pequena o traiu,não há dúvidas...Sei que é difícil encarar os fatos,eu mesmo,conheci uma pequena..chamava-se Engraçadinha mas,infelizmente teremos que deixar essa conversa para outro dia.Preciso sair,está na hora de entregar minha crônica no jornal.Até mais ver e obrigado pel cortesia de partilhar a mesa.
-Tenha uma boa tarde cavalheiro.Em outra oportunidade,quem sabe,partilhemos outra chávena de café.
Nelson partiu feliz,tinha mais uma crônica da vida como ela é,das emoções humanas,da sordidez da qual são capazes as pessoas...
mesmo aquelas com quem convivemos,as que pensamos conhecer,podem ser capazes de baixezas inomineis..veja o pobre Casmurro...um amigo, mulher por quem foi apaixonado desde a infância..um filho,talvez bastardo..que vida..
3 comentários:
otima migo adorando ler vc viu!!!!
bjsssss realizada
Inevitável ler o texto como uma analogia aos tempos modernos, quando a traição a um amigo se torna infelizmente tão comum...
Parabéns por mais um texto irretocável
Olha eu aqui outra vez .. rs .. adorei .. mas aqui já tem um comentário legal onde engloba com poucas linhas o seu texto.. PARABÉNS .. eu.. "olhos de ... "
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