terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Novas Economias

As mudanças recentes no cenário econômico mundial a partir da crise iniciada com a comercialização das hipotecas,os créditos "subprime" inventados em Wall Street e que encontrram na Europa um mercado especultivo intenso,o mesmo acontecendo nos EUA e,quando as pessoas não puderam mais pagar seus financiamentos,quebrou-se a cadeia e o mercado financeiro entrou em crise.Os bancos,sem dinheiro pediram socorro ao governo,mas o povo reagiu muito mal ao uso de dinheiro público para salvar financistas porque,como dizia o saudoso economista Celso Furtado: "apenas existe a socilização do prejuízo,da pobreza.Os lucros sempre são privados".
O problema foi que a "economia real" acabou sendo contaminada,o que pode ser visto na crise das montadoras de veículos nos EUA que reclamam uma ajuda superior a U$ 50 bilhões.Desemprego reduz consumo e torna a crise mais aguda,nesse quadro de crise dois países que vinham se destacando pelas altas taxas de crescimento: China e Índia que juntos possuem proximadamente U$ 3 trilhões,sendo que a China já superou o Japão na posse de papéis do tesouro dos EUA,ou seja,são os maiores credores norte-americanos.
Os bancos brasileiros não tinham um número volumoso de hipotecas e por isso nao foram diretamente contaminados pela crise,embora estejam sofrendo com a retração do mercado.A diminuição da demanda de matérias primas reduziu os preços das comodities,caso do petróleo por exemplo,que em julho do ano passado ultrapassou a marca histórica dos U$150,00 e,na última cotação estava pouco acima dos U$60,00, o que afeta países cujo principal produto é o petróleo ou o gás, na Améric Latina isso tem a ver,diretamente,com a Venezuela e a Bolívia.Os países árabes já vivem disso faz muito tempo,aprenderam a se estruturar para as variações de preço da comoditie.
A economia estava centralizada nos EUA e na Europa(sobretudo os países da zona do Euro,a UE) e de repente aqueles países periféricos,ex-colônias do Império Britânico,vítimas da expansão neocolonial do século IX,surgem como potências emergentes que desejam ocupar seu espaço nessa nova ordem mundial que se desenha e onde os chamados "países emergentes" passam a ter um papel determinante.O BRIC (Brasil,Rússia,Índia e China) possuem capacidade econômica e produtiva para defenderem posturas próprias e não aceitarem mais as determinações que antigamente partiam de EUA e Europa.
O novo presidente dos EUA quer resgatar a auto-imagem do país e demonstrar ao mundo que o país se recuperará rápido.Um novo "new deal"se impõe mas,o déficit público norte-americano,que já é elevado,teria que aumentar ainda mais a fim de poder financiar os custos de recuperação.
As esquerdas no mundo sentem-se surpresas porque não imaginavam que a crise do capitalismo viria do mercado financeiro...mas é preciso entender que o capitalismo se renova,reconstrói e sempre é perigoso determinar o fim de algo,como fez Francis Fukuyama quando,após a queda do Muro de Berlim,decretou o "Fim da História",porque a dicotomia capitalismoXsocialismo,havia acabado. Na verdade,começava um novo ciclo da história da qual a atual crise seja o primeiro capítulo de uma nova ordem em construção...

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