quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Cotidianas Violências

Outro dia escrevi sobre ouvir pelo rádio orientações para os motoristas e,em dado momento o repórter informou que não era seguro passar por certas ruas da zona norte da cidade do Rio de Janeiro,pois estavam ocorrendo intensos tiroteios entre policiais e traficantes de uma das "comunidades"do entorno.Também os moradores do bairro do Morumbi, na cidade de São Paulo,foram surpreendidos pela violência na favela de Paraisópolis,encravada nesse tradicional bairro paulistano e,lembro que quando jogava Banco Imobiliário um hotel no Morumbi era ótimo negócio...
São notícias que chegam pela tv,rádio,que lemos nos jornais...Cotidianos de violência que assustam e não importa quantos especialistas sejam consultados,ou que projetos de segurança pública sejam desenvolvidos e,mesmo a análise das causas,também é algo que precisa ser reavaliado.Antes as explicações em geral eram fundadas nas desigualdades sociais que retroalimentavam o sistema de uma maneira cíclica na qual instituições pretensamente correcionais para jovens infratores eram apenas o ponto de preparo e passagem para uma vida de continuidade delitiva.
O sistema é caro e ineficiente.E hoje,quando a imprensa noticia que uma quadrilha foi desbaratada,com a prisão de,aproximadamente,50 pessoas em 8 estados,muitos dos presos,jovens bem nascidos,de classe média,dedicados ao tráfico de drogas sintéticas,bem o discurso da violência fundado na desigualdade social ganham outros contornos.
A droga e os lucros que aparentemente representa pode ser atraente para um caminho de riqueza rápida e pelo jeito,muitos jovens estão com pressa e buscam atalhos.Julgam-se inteligentes mas se de fato o fossem estariam buscando caminhos lícitos e menos arriscados mas,uma perspectiva onipresente e onipotente,a sensação de impunidade é o que os move em direção a esse caminho.
Todo sistema requer que haja demanda e essa leva à disputa pela venda,espaços e clientes.Com as drogas não é diferente.Se os jovens bem nascidos querem se drogar,precisam de dinheiro para continuar a financiar o vício quando a mesada dos pais já não é suficiente,fornecer a droga a outros para custear a própria torna-se alternativa,são os traficantes do asfalto com acesso a casas,festas e pessoas que jamais subiriam ao morro ..
A discussão sobre descriminalizar a droga,dar tratamento ao consumidor porque a dependência química é uma doença,ainda vai se estender por muito tempo e existem tantos interesses difusos envolvidos que fica mesmo difícil afirmar qual seria o caminho mas o modelo repressivo-punitivo não tem funcionado,talvez algumas experiências em áreas pré-determinadas pudessem ser tentadas antes de simplesmente afirmar que a descriminalização ou liberação,legalização,é um erro.
O assunto merece ser revisto e discutido com seriedade e,a eleição de áreas de violência já não me parece uma escolha acertada.Na Barra da Tijuca,em Ipanema, no Méier ou no Maracanã, em Paraisópolis ou no Morumbi,na Asa Sul ou em Ceilândia,na Piuma ou n Baixa do Sapateiro,no Moinhos de Vento,no Bom Fim ou na Vila Farrapos ou em Sapucaia,qualquer um desses lugares entre Rio de Jneiro,São Paulo,Brasília,Salvador ou Porto Alegre, convive com a violência e,a desigualdade social deixou de ser a única e central causa faz tempo...

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