De repente pequenas histórias podem ser divertidas e as vezes criar é um exercício lúdico onde escolhemos personagens,contextos e dar a eles voz e forma,como se fosse uma daquelas novelas de rádio,ou os folhetins publicados nos jornais e que as pessoas acompanhavam...
HISTORIETA DE UM CARNAVAL
Dedé adorava carnaval,sempre gostou de samba,das escolas,as fantasias e todo aquele espírito coletivo que tomava conta da vizinhança nos meses que antecediam o grande dia do desfile na avenida.As pessoas trabalhavam árduamente,não recebiam por todas aquelas horas de esforço,mas era a materialização de sonhos coletivos levados para que o público visse.
Mas aquele ano era diferente.Em uma viagem de férias ela torceu o joelho.Morava longe do carnaval,havia crescido,escolhido uma profissão,tornara-se funcionária pública e trabalhava para o governo cuidando de cálculos e análises para as obras que seriam feitas.Também prestava consultoria depois do expediente,trabalhava bastante e sempre estava ocupada.
Os desfiles veria pela televisão,temia que sua escola do coração fosse hostilizada na avenida porque escolheu homenagear uma estado cujo governador estava afastado,envolvido em escändalos de corrupção.Mesmo assim,esperava que tudo desse certo.Ela era inquieta e mesmo com aquele joelho doendo,inchado,limitando seus movimentos,queria fazer tudo ao mesmo tempo:descer até a cozinha para fazer um café com canela,ver o desfile,mexer no computador...quem sabe uma sala de bate-papo apenas para espantar o tédio que sentia por estar sózinha em casa..as filha haviam viajado e ela não foi,com aquele joelho achava que iria atrapalhar a distração dos outros,preferiu ficar em casa,reavaliar coisas mas..mesmo isso a entediava um pouco.
Dedé era meiga e doce,dona de um sorriso fácil.Seletiva quanto as pessoas que encontrava na internet,até porque sobram malucos trafegando pelos cabos da rede mundial de computadores,ela procurava se proteger e conseguia isso lendo com atenção as mensagens e procurando decifrar quem estava do outro lado da tela.Já havia feito bons amigos e também teve sua dose de decepções mas no carnaval,os solitários encontravam alí um espaço para interagir e as vezes funcionava como uma válvula de escape e,foi pensando nisso e sem maiores expectativas que Dedé começou a ir nas salas de bate-papo,ler mensagens e observar os pseudönimos buscando uma vida inteligente.
Alguém a chamou reservadamente e perguntou se poderiam conversar...ela achou que dalí poderia vir algo interessante e,caso não viesse era só sair da sala ou desligar o computador.Começou a conversar com o desconhecido e aos poucos estabeleciam uma relação de afinidades que os aproximava sob diferentes aspectos...era uma sexta feira,o joelho doía,o carnaval começava,ela não sabia ao que aquilo poderia levar mas,em princípio a sensação era agradável e Salvador Dalí,o estranho com quem conversava parecia ganhar formas,adquirir contornos reais para além da tela...curiosas coicidëncias....(continua)
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