domingo, 14 de março de 2010

Política Externa e Patrulhamento

A independëncia da política externa brasileira incomoda algumas pessoas e de maneira especial setores conservadores que ainda estão presos aos tempos da Guerra Fria,quando sob a presidëncia dos generais Castelo Branco e Costa e Silva, caminhamos para um "alinhamento automático com os EUA." Hoje não estamos mais presos a essas relações subservientes,temos uma independëncia real,uma economia estruturada,atraímos investimentos externos,temos uma empresa petrolífera eficiente e rentável,mesmo sob controle do Estado,o que para os arautos do neoliberalismo pré-crise das hipotécas,era algo danoso ao país.
O presdiente Lula viajou mostrando nossas virtudes e ao mesmo tempo deu ao Ministro das Relações Exteriores e ao corpo diplomático, independëncia para trabalhar.O sociólogo sábio e preparado que antecedeu o atual presidente,interferia e tinha as pretensões de ser ele o condutor de nossa política externa.Avançamos pouco e não nos tratavam com respeito.Por isso ao ler que Lula foi citado pelo jornal espanhol "El País" como um dos líderes mundiais mais influentes do século XXI,FHC ficou bastante incomodado.
Temos relações econömicas e diplomáticas com o Irã.A imprensa conservadora condena,Jabour falou disso semana passada no Jornal da Globo, Merval Pereira na CBN,pareciam as vozes da consciëncia nacional.Onde eles andavam quando o coronel Oliver North negociava armas com o mesmo Irã,mesmo havendo um embargo proibindo tal comércio,e usava esse dinheiro para financiar os Contra Revolucionários na Nicarágua onde,em 1979 a Frente Sandinista de Libertação Nacional chegou ao poder.Essas vozes somente elevam seu tom quando seus financiadores ou patrocinadores encomendam as críticas.
Um dissidente político faz greve de fome e morre.Lula é questionado e diz que não pode interferir na política interna cubana.Fala em criminosos comuns,e logo é criticado,dizem que ele não poderia ter feito tal comparação,que é um absurdo e tudo o mais. Esses críticos teriam visto o filme " Em Nome do Pai", onde o sistema inglës condena inocentes e manipula o processo?O embargo comercial que pretendeu asfixiar Cuba por acaso é legítimo?Perguntem aos espanhóis,italianos,alemães,brasileiros,que investem na Ilha e obtem bons resultados.Os EUA,em função de sua política interna e externa,decidiu manter Cuba à distäncia,considerava-se crime a posse de charutos cubanos...Mas nada disso é lembrado.
A julgar por essas questões entendo esse patrulhamento sobre a política externa brasileira como algo que se origina na inveja e no preconceito.Pessoas que ocuparam postos de comando não faz muito tempo,e que não conseguiram projetar o país positivamente reagem com ressentimento e,suas Cassandras de plantão permanecem ocupando espaços na mídia, o que foi incömodamente divulgado pelo delegado da polícia federal Protógenes Queiroz,que após investigações demosntrou um esquema em que jornalistas,entre eles Roberto D'Ávila e Digo Mainardi,eram pagos por aquele banqueiro condenado criminalmente,Daniel Dantas.
O governo de Hugo Chavez comete erros e age com autoritarismo.Declara os EUA como inimigo e na época de G.W.Bush houve uma frustrada tentativa de golpe contra o presidente venezuelano.Curiosamente estes inimigos declarados continuam tendo relações comerciais e o petróleo,fonte da cobiça norte americana,é vendido regularmente.Mas o Brasil não deve,segundo os críticos,aceitar a Venezuela como parceira no Mercosul,embora nossas exportações para esse país somem bilhões de dólares,se os EUA comercializam com Chaves,por que deveríamos agir de outra forma?se neegociaram com o Irã,porque não podemos fazë-lo abertamente?
Àqueles que incomodam-se com Chaves,Venezuela e outras questões latino americanas,recomendo a leitura do Le Monde Diplomatique,edição de janeiro,onde há interessantes artigos sobre os EUA e seus avanços militares na região e quando da reativação da IV Frota,escrevi sobre o tema aqui,tendo o jornal acima referido como uma das fontes de pesquisa,outro é um livro sobre política externa americana:The Talons of the Eagle(as garras da águia)que também recomendo.
Como brasileiro tenho sentido orgulho da atuação do Ministério das Relações Exteriores:buscamos brasileiros no Chile,estamos no Haiti,aviões da FAB estiveram resgatando brasileiros no Líbano,no Perú,em episódios recentes.temos representações diplomáticas mais atuantes e eficientes,agimos com autonomia e independëncia e o Brasil é respeitado em grupos como o G20 além de ser apontado como um importante membro dos países emergentes com atuação estratégica.
Diante de tudo isso,antes de as pessoas saírem reproduzindo opiniões de jornalistas e comentaristas cujos textos são produzidos por encomenda,procurem mais informações,de preferëncia em outras fontes.No Brasil a revista Carta Capital e o jornal Le Monde Diplomatique podem ser considerados jornalismo sério e de boa qualidade e isso permite construir compreensões mais amplas.

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