sexta-feira, 5 de março de 2010

Por Falar em Cotas...

A " nova velha" novela de Manoel Carlos,que mais uma vez se passa no Leblon e tem a bossa nova na trilha sonora, também tem uma "Helena" pouco convincente e com exceção do namorado da irmã da personagem principal,que faz o esteriótipo negativo do morador de favela,ou seja,envolvido com a criminalidade,mulato que,de acordo com os conceitos do antropólogo baiano Nina Rodrigues, seguidor do italiano Césare Lombroso,a raça seria também determinante para a prática delituosa,o que depois foi desmentido por muitos estudos questionando esse determinismo racial e também o determinismo econömico,os demais negros trabalham,a mãe de Helena é dona de uma pensão em Búzios,onde o metro quadrado é sabidamente caro,não cabem na realidade de um país onde está sendo discutida cota racial para negros,como ação afirmativa que favoreça o ingresso nas universidades públicas.
Interessante que as novelas,embora sejam um espaço ficcional deveriam guardar alguma semelhança com a realidade e nesse caso em especial,"Viver a Vida" é dissonante em vários aspectos,entre eles o racial.A trilha sonora internacional é boa quando traz Burt Bacharat mas cansativa em sua versão nacional porque mais uma vez repete a Bossa Nova.Gosto do gënero e mesmo assim penso que poderia haver mais variação...
Antes que pretendam me acusar de racismo,quero deixar claro que ouvi de muitos negros declarações contrárias à política de cotas.Uma juíza,um desembargador,alguns advogados,pois é o meio em que convivo,além de vários professores universitários preocupam-se com esse tipo de política.Alguns disseram: " Depois de todo estudo para passar no vestibular e ingressar em uma faculdade de Direito em uma universidade pública.Conseguir se formar,estudar mais 4 ou 5 anos para ser aprovado em um concurso público para o Ministério Público,Magistratura,Defensoria Pública,e agora com essa política de cotas,mais tarde dirão que apenas somos subproduto de uma política discricionária voltada a favorecer os negros."
O debate continua necessário e espero que esses textos sirvam para que mais gente reflita sobre o tema.Dentre os amigos que cultivei ao longo da vida,vários são negros e sentem-se mal com essa proposta de ação afirmativa fundada em questões raciais as quais poderão mais adiante converter-se em problemas racistas.Eles venceram e conquistaram seu espaço sem facilidades.Foram dedicados,estudiosos,competentes e jamais pediram favores ou esperaram benesses de quaisquer natureza.A eles devo meu respeito e admiração e também dedico essas linhas,pois sei que também desejam uma decisão serena e ponderada por parte do STF onde,o competente ministro Joaquim Barbosa está porque é competente e teve uma carreira admirável não como resultado de uma equivocada ação afirmativa.

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