As vezes vamos a uma pinacoteca e vemos quadros de um pintor e ao lado ou na parte inferior da tela há alguma explicação ou apenas o título da obra. O que vemos pode não ter nada a ver com aquilo que o autor da obra imaginou. Os críticos de arte costumam construir textos explicativos sobre coisas que apenas eles enxergam. Uma tela diz coisas distintas a cada um que a vë e em cada visita ela pode transmitir algo que não havia sido compreendido mas é curioso esse sentimento que existe em todos nós. Desejamos ver o belo, e o conceito é individual mesmo que pretendam coletivizá-lo. Senso comum que faz as pessoas admirarem a Monalisa, ou os quadros de Monnet, Miró ou Andy Warhol:a primeira tem significados por tudo que seu autor representa, o segundo, pintou várias vezes as mesmas paisagens mas soube variar os tons como variam os dias e as estações, mesmo assim acho que ele teve uma existëncia monótona como suas obras me transmitem. Já o pintor catalão virou ícone de traços soltos, nesse sentido os esboços criativos de Oscar Niemeyer deveriam estar todos devidamente emoldurados e catalogados como arte e os desenhos que um dia ornamentaram as geladeiras da casa de nossos pais, os cartões que pintamos na escola para o dia das mães ou dos pais, também deveriam ser elevados à categoria artística...sobre o último, colorir retratos de pessoas famosas como Marilin Monroe, ou colar um lata de sopa sobre uma tela, penso da ex esposa de um amigo, ela jogou um vaso nele e quando aquele objeto de cerämica espatifou-se na parede criando uma mancha desordenada mas curiosa...não deveriam ter pintado a parde, se a fotografassem e projetassem como arte quem sabe o quanto valeria o instante de fúria de Maria Cändida...
Mas Salvador Dalí achava a boca da atriz Mae West sensual e provocante. Algo que merecia outro significado e ele com sua genialidade criou algo a partir disso: Criou um sofá no formato daqueles lábios. Façam uma pesquisa porque não consegui copiar a imagem para colar aqui..Essa capacidade genial mas que não fazia coisas como colar uma foto dos lábios da atriz em uma tela e chamar de arte, criou móveis, jóias, expressou a criatividade que o imortaliza em diversas coisas, até mesmo perfumes, canetas, pequenos objetos. E talvez hoje ele continuasse criando coisas assim e penso nos lábios que inspirariam outros móveis, sofás, divãs...sem o botox ou o silicone porque subverteriam o sentido artístico natural, mas olho para algumas bocas e penso que ousaria chamá-las " Dalinianas"...
Desculpem-me os fãs de Warhol, Miró e outros assim, " cults e vendáveis, caros e sem paixão" é como os vejo. O gënio Catalão é Dalí na pintura, Gaudi na arquitetura e como em tudo que vemos e nos emociona, aqui também creio que vale ser tão passional quanto preferir o Internacional ao Grëmio ou o Botafogo ao Flamengo, não importa que esse último tenha a maior torcida, existe uma aura romäntica sobre Internaional de Porto Alegre e o Botafogo, como Dalí e sua obra e, quanto aos outros dois, seriam obras de Warhol e Miró...