As convenções do PSDB e do PT definiram seus candidatos à presidência da República. A campanha já havia começado. Algumas inserções dos então pré-candidatos apresentavam os mesmos e também outros partidos, caso do DEM e do PPS, também começaram a fazer propaganda com a intenção de divulgar seus candidatos à Câmara, Assembléias Legislativas Estaduais e ao Senado.
Pesquisas de intenção de voto, opinião de especialistas, colunistas de diferentes jornais publicam suas impressões e as pessoas nas ruas também começam a tomar partido. As propagandas, os futuros debates e tudo o que envolve uma campanha eleitoral que define o próximo governante do país, os governadores, os deputados federais, estaduais, os senadores, também pode representar a sobrevida para alguns partidos ou o fim de outros. Nesse contexto o DEM, ex-PFL, ex-ARENA, vive uma situação curiosa. Pressionado pelo mensalão de Brasília, por lideranças enfraquecidas (caso do ex-prefeito do RJ César Maia) é um partido que liga sua existência a uma eventual vitória de José Serra pois de outra forma, com mais 4 anos de PT e seus aliados, a tendência do DEM é fundir-se a outros partidos.
A gênese do DEM é a antiga UDN. Criado para dar sustentação parlamentar à ditadura militar, a Aliança Renovadora Nacional esteve no poder ao longo dos 21 anos do regime de exceção e mais tarde, com a volta à democracia, mudou o nome para PFL e um de seus ex-líderes, José Sarney, acabou tornando-se presidente. No governo FHC, o vice era Marco Maciel, um dos principais líderes do antigo PFL.
Do país cuja política baseava-se no "coronelismo e clientelismo" resta muito pouco hoje. Os grotões, as áreas mais miseráveis onde antes eram os coronéis e as trocas de favores que determinavam os rumos da política local, hoje são governistas porque programas sociais como o Bolsa Família mudaram essa realidade; as pessoas acreditam que o governo têm mudado suas vidas e melhorado oferta de trabalho, infra-estrutura, saneamento básico e para essas pessoas, a troca pelo desconhecido assusta.
O PSDB nasceu de uma fissura dentro do PMDB mas vive uma crise de identidade. Não escolheu o vice até agora, demorou a confirmar a candidatura de José Serra, e seus parlamentares olham algumas alianças, especialmente com o DEM, cheios de desconfiança e preocupados em não serem arrastados para dentro dos recentes escândalos que envolveram o partido do ex-vice presidente Marco Maciel. O PPS apresenta-se como "um partido decente" mas vive o desconforto de ter recebido doaçõs do banqueiro Daniel Dantas, e sabe que isso também vai acabar sendo exposto e perderá preciosos minutos defendendo-se e para completar, uma de suas parlamentares, policial civil licenciada, é campeã de ausências no Congresso, mas ela andou aparecendo nas recentes inserções do partido tentando ganhar visibilidade para buscar a reeleição.
Dos partidos grandes, o PMDB está mesmo em uma posição mais confortável. Aliou-se ao PT, indicou o vice, está administrando diferenças regionais, convenceu o PT a não lançar candidato em MG, importante colégio eleitoral onde o PSDB pretendia arrecadar votos baseado na popularidade de um governo competente exercido por Aécio Neves que tinha pretensões a presidente mas, nó final das contas, acabou sendo preterido pelos cardeais paulistas do partido. Não houve uma política café-com-leite como nos tempos da República Velha e acredito que os mineiros vão cobrar do PSDB ter negado a oportunidade ao seu governador...o tempo e as urnas esclarecerão isso...
Agora resta acompanhar e ficar atento porque mudanças importantes, projeto ficha limpa, por exemplo, indica a escolha por um parlamento renovado e mais qualificado...
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