A próxima Copa do Mundo de Futebol será realizada no Brasil em 2014. Houve mobilização de vários setores: empresários do turismo, clubes de futebol, prefeitos, governadores,empresários da construção civil, governo federal, entre muitos outros. Foi uma conquista coletiva e a CBF, entidade de Direito Privado, importante dizer, é sem dúvida quem mais se beneficiou da escolha da FIFA.
O Comitê Organizador da FIFA manifestou sua preocupação com o atraso no início das obras e a CBF disse que os aeroportos brasileiros precisam de reformas urgentes para que tudo esteja pronto quando a Copa chegar. A crítica do presidente da CBF Ricardo Teixeira teria sido motivada por uma declaração de Lula, que manifestou-se a favor de um rodízio na presidência da entidade, presidida faz 6 mandatos pelo genro de João Havelange, o ex- presidente da FIFA.
Os recursos para obras de infra estrutura, reforma nos estádios, entre outros gatos previstos no projeto apresentado vão vir, em sua maioria, do Estado. Entendo que investimentos para melhorar as cidades são mesmo muito importantes e deveriam ser planejados independentemente de haver no país uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada. Impostos que todos brasileiros pagam devem mesmo ser revertidos em obras que beneficiem a população e isso está diretamente relacionado a melhorias na infra estrutura, transportes, entre outras. No que se refere às reformas dos estádios, bom, aí tenho minhas dúvidas sobre a pertinência e necessidade de investir dinheiro público em tais obras.
Os valores que a CBF arrecada com verbas de publicidade, merchandaising, patrocínios à seleção brasileira, cotas sobre jogos de exibição no exterior, direitos de imagem, direitos sobre transmissão de jogos, todas essas arrecadações vão para o caixa da CBF e sempre que alguém fala em prestação de contas, a primeira coisa a ser dita: A CBF é uma entidade privada, que não está submetida ao controle e fiscalização do Estado.
A inicitiva de trazer a Copa para o Brasil em 2014 é importante, dá mais visibilidade ao país e dinamiza a economia em vários setores. Mas se o Estado vai entrar com dinheiro, sugiro que seja dono de parte das arrecadações, que tenha poder de interferir e negociar, que tudo seja feito com transparência e todos possam acompanhar os contratos. Os brasileiros tem o direito de saber quanto valem os contratos, quanto o Itaú, a Antártica, a Vivo, a Coca Cola, a Seara, a Nike, entre outras fontes de arrecadação, depositam na conta da CBF mensalmente.
O debate está proposto. Juca Kfouri, um dos repórteres mais lúcidos do meio esportivo, crítico da gestão Ricardo Teixeira, é talvez uma das pessoas mais qualificadas para falar sobre essas questões.
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