terça-feira, 24 de agosto de 2010

Latitudes Culturais: Educação, Eleições e Compreensão

Latitudes Culturais: Educação, Eleições e Compreensão

Educação, Eleições e Compreensão

Os partidos políticos, independente da ideologia que alegam ter, defendem a educação como uma bandeira de avanços e transformação. Citam exemplos de países como Cuba, Coréia do Sul, Japão, Alemanha, Finlândia, dentre outros onde foram feitos investimentos em educação, tanto por parte do Estado como também com projetos privados, e isso propiciou grandes desenvolvimentos.
As diferentes visões sobre ensino e aprendizado também negam-se, sobretudo no espectro mais à esquerda, em compreender que educação seja sim um NEGÓCIO. As pessoas se arrepiam, falam que estou delirando, que isso é um absurdo. Mas se existe uma bolsa de valores que comercializa conhecimento através de " softwares" ( Bolsa Nasdaq) isso é uma prova material de que é sim um produto. O professor vende sua força de trabalho: não é o seu conhecimento e sua habilidade relativa a conhecimentos específicos? O estado investe em universidades, escolas técnicas ( espero que sejam muitas mais) cria mecanismos que permitam o acesso ao ensino superior para mais pessoas. Enquanto isso, faltam soldadores para a Petrobrás, camareiras, garçons, recepcionistas em hotéis, dentre outras carências que poderiam ser melhor supridas com formações técnicas, sem a necessidade de elevar Hotelaria e Turismo ao nível Universitário.
Diante de tudo isso, acredito sim que a educação seja transformadora. Abre nossa mente para o mundo. Mas as pessoas crescem também porque anseiam mais de suas vidas, ou por serem levadas a novas escolhas. Trago interessante texto que me enviou uma amiga, espero que apreciem e reflitam....
" O Porteiro do Prostíbulo

Não havia no povoado pior ofício do que 'porteiro do prostíbulo'.
Mas que outra coisa poderia fazer aquele homem?
O fato é que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, não tinha nenhuma outra atividade ou ofício.
Um dia, entrou como gerente do porteiro um jovem cheio de ideias, criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento.
Fez mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções.
Ao porteiro disse:
- A partir de hoje, o senhor, além de ficar na portaria, vai preparar um relatório semanal onde registrará a quantidade de pessoas que entram e seus comentários e reclamações sobre os serviços.
- Eu adoraria fazer isso, senhor. - Balbuciou - Mas eu não sei ler nem escrever!
- Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando aqui.
- Mas senhor, não pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida inteira, não sei fazer outra coisa. - Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo senhor. Vamos dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer. Eu sinto muito e que tenha sorte.
Sem mais nem menos, deu meia volta e foi embora. O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer?
Lembrou que no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava, com cuidado e carinho.
Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego.
Mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado.
Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas completa.
Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra.
E assim o fez.
No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:
- Venho perguntar se você tem um martelo para me emprestar.
- Sim, acabo de comprá-lo, mas eu preciso dele para trabalhar ... já que..
- Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo.
- Se é assim, está bom.
Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse:
- Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim?
- Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens mais próxima está a dois dias de viagem sobre a mula.
- Façamos um trato - disse o vizinho.
Eu pagarei os dias de ida e volta mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento. Que lhe parece?
Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias.... aceitou.
Voltou a montar na sua mula e viajou.
No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa.
- Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo.
Eu necessito de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem, mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras.
Que lhe parece?
O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e foi embora. E nosso amigo guardou as palavras que escutara: 'não disponho de tempo para viajar para fazer compras'.
Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas.
Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro trazendo mais ferramentas do que as que havia vendido.
De fato, poderia economizar algum tempo em viagens.
A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viagem, faziam encomendas.
Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes.
Com o tempo, alugou um galpão para estocar as ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão e transformou o galpão na primeira loja de ferragens do povoado.
Todos estavam contentes e compravam dele.
Já não viajava, os fabricantes lhe enviavam seus pedidos.
Ele era um bom cliente.
Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens, a ter de gastar dias em viagens.
Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos.
E logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc ...
E após foram os pregos e os parafusos...
Em poucos anos, nosso amigo se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de ferramentas.
Um dia decidiu doar uma escola ao povoado.
Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício.
No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e lhe disse: - É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira página do livro de atas desta nova escola.
- A honra seria minha - disse o homem. Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou analfabeto.
- O Senhor?!?! - Disse o prefeito sem acreditar.
O senhor construiu um império industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado. Eu pergunto:
- O que teria sido do senhor se soubesse ler e escrever?
- Isso eu posso responder. - Disse o homem com calma.
Se eu soubesse ler e escrever... ainda seria o PORTEIRO DO PROSTÍBULO!!!

Isso foi contado por um grande industrial chamado Sr. Tramontina...

Eleições e Internet

Os políticos estão divulgando mensagens pela internet. Usam Twitter, mandam e-mails, empregam pessoas que entram em sites de debates, entre tantas coisas dessa era tecnológica. Gostaria de lembrar que VIRTUAL, conforme preceitua o nosso dicionário da língua portuguesa, quem desejar pode acessar o sitio da ABL, é a expressão empregada para algo que ainda NÃO ACONTECEU. Partindo dessa premissa, os jornalistas deveriam ser mais cuidadosos quando falam que o candidato "A" ou "B" está investindo muito em sua campanha Virtual.
Das muitas promessas que leio e vejo na TV(sim, eu assisto ao horário eleitoral) me incomodam aqueles candidatos que falam em : " Leis mais severas para combater os crimes VIRTUAIS". Preocupam-se com os crimes que ainda não ocorreram?Também aqueles que falam em penas mais graves e os mais ousados falam em Pena de Morte. Grifei em itálico essa última porque a proposição em sí deixa claro que: 1) O candidato proponente não tem nenhuma noção de Direito Constitucional. Desconhece o artigo Quinto de nossa Constituição promulgada em 1988. Também não faz idéia de direito internacional, de tratados dos quais o Brasil é signatário. Dentre esses tratados está o Pacto de San José da Costa Rica, onde os países signatários comprometem-se em não adotar a Pena de Morte. Os países que assinaram mas onde tal ação punitiva já existia fizeram as ressalvas de que, não haveria pena de morte para aqueles crimes onde não houvesse até a assinatura do referido pacto, legislação a respeito. 2) Pior é se o candidato proponente Sabe direito Constitucional, conhece a Constituição. Porque aí é pura e simplesmente Má Fé. Sabe que sua proposição não poderá ser levada adiante, mas acredita que seja um discurso que agrade certos segmentos da população.
Também recebi material contra a Dilma, difamando o Lula, e que citava uma revista cujo nome nem repetirei, mas que tem entre seus pseudo jornalistas um rapaz que Protógenes Queiroz, o combativo delegado federal que prendeu o banqueiro bandido ( foi julgado e condenado, transitou em julgado) Daniel Dantas, informou que escreve a soldo do aludido DD. Dentre outras coisas falam da escolaridade do Presidente, ou a falta dela...bom, um sociólogo poliglota viu-se assustado com a crise do México e a usou como desculpa...o analfabeto enfrentou a crise de 2008 acreditando na capacidade do país, no aumento da poupança interna e em seus programas de distribuição de renda. Mas as pessoas insistem nessa tecla.Bom, isso mostra que faltam argumentos e a eleição da Dilma como continuadora dos projetos em andamento realmente assusta aqueles que acreditavam que antes do segundo ano de mandato Lula, nas palavras do capitão Nascimento, da Tropa de Elite: " Ia Pedir Pra Sair!."

Tyson Estava Ansioso

Mike Tyson, meu Rotweiller, ainda não havia encontrado uma namoradinha mas estávamos empenhados em buscar uma moça cuja personalidaede combinasse com a dele. O veterinário que cuida do Mike encontrou a candidata, falou ao proprietário dela e esse concordou e quando ela entrou no período fértil, levaram a Malú para seu primeiro encontro amoroso, e para Mike também era o primeiro.
Logo que a Malú chegou, Tyson ficou ansioso e excitado, mas ela tratou de estabelecer limites, mordeu a orelha dele como quem diz: sem conversar primeiro não rola nada. Conviveram uma semana, passearam pelo sítio, se entenderam, mas eu soube pelo veterinário que não foi dessa vez que a Malú engravidou, teremos que esperar pelo próximo cio, ou por uma outra cadela, ou as duas coisas, pois ele precisa adquirir alguma prática....engraçado como cães e humanos podem ser parecidos.
As vezes uma pessoa idealiza um encontro, conversa, imagina que vai ser bom, afinal existe uma série de afinidades. Vencidas as dificuldades acontece de estarem frente a frente. Conversam, bebem, sorriem, trocam carinhos, concordam que vale a pena dar continuidade àquela intimidade e se permitem fazê-lo. Uma vez a sós aprofundam os carinhos, mas pouco conversam sobre aquilo do que gostam ou não, temem falar de seus desejos e fantasias, permitem-se apenas que o roteiro seja formal, como aprendem os adultos em sucessões de erros e acertos ao longo da vida. Terminado aquele encontro separam-se. Ambos não estão satisfeitos, mas nenhum deles fala abertamente do que pode ter dado errado. Ansiosos porém sem diálogo, tornaram ruim o que poderia ser delicioso caso antes tivessem falado adulta e abertamente.
Diferente dos humanos, os cães seguem seus instintos. Mike estava mesmo a fim, mas não estava familizarizado. Malú também queria, mas não tinha experiência para guiar seu jovem e estabanado namorado...
Alguns dirão que eu não deveria humanizar dessa maneira meu cachorro, em inglês usa-se a expressão " it" para designar animais, a mesma usada para objetos: " It is a dog. It is a car." Mas me recuso a tratar meu cachorro como coisa, porque sei que ele me entende e creio que eu o entenda também e nesse caso, legal mesmo é quando o Internacional de Porto Alegre joga, e escuto pelo rádio. Tem um atacante do time gaúcho chamado Tyson e cada vez que o locutor fala: Tyson no aquecimento, vai entrar..Tyson avança com a bola, parte em direção ao gol...meu cachorro para ao lado do rádio e late, como se aquelas palavras fossem pra ele...Bom, espero que ele em breve vença sua ansiedade, a falta de prática e dê filhotes ao mundo....

Eu Te Darei o Céu Meu Bem...

O título desse post é inspirado em uma música da Jovem Guarda e seria a trilha sonora do horário político na Tv e nas rádios. Tantas promessas dos que ainda não foram mas caso se tornem farão, os que tiveram a oportunidade e juram que fizeram e pretendem fazer mais. Esses últimos, se tivessem mesmo se dedicado como apregoam em seus discursos, a julgar por aquilo que prometeram antes de se eleger, não haveria mais problema nesse país.
Temos ex-jogadores de futebol, entre os quais destacarei Bebeto, Romário e Marcelinho Carioca. Foram competentes em sua profissão, os dois primeiros trouxeram o Tetra Campeonato de futebol para o Brasil em 1994. Ídolos de suas torcidas, em campo deram muitas alegrias. Fico curioso em saber se eles de fato acreditam que podem ser úteis em Brasília ou nas Assembléias Legislativas Estaduais. E caso eles acreditem que sim, gostaria muito que apresentassem uma plataforma coerente com o que viveram: relação trabalhista dos jogadores, direito de imagem, subordinação aos interesses dos clubes, lei do passe, entre outras coisas ligadas ao futebol.
Imaginar que Tiririca, Kiko (KLB) Mulher Fruta ( não lembro de Melão, Morango, Uva, mas imagino que todas, com o tempo serão Mulher Maracujá), essas pessoas pensam que o Congresso é uma piada? Terão os maus políticos feito isso e não nos demos conta?Temas para refletir...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O senado e Nosso Senador

Esse ano duas vagas ao Senado Federal estão em disputa. O estado do Rio de Janeiro, desde a fusão na década de 1970, perdeu representatividade na medida em que ficou com três senadores quando antes, à época do estado da Guanabara, eram eleitos seis senadores, 3 pelo RJ e 3 pela Guanabara. A perda de representação, a eleição de senadores pouco comprometidos com os interesses do Rio de Janeiro, fez com que os cidadãos fluminenses pouco soubessem a respeito de sua representação na Câmara alta.
O Senado Federal seria a representação dos estados dentro do conceito de federalismo, o que inclusive é pouco efetivado e penso que devemos aprofundar os debates em torno dessa representação e de como ela é exercida. O trâmite de uma lei que se origina na Câmara dos deputados, segue ao Senado e se não sofre modificações, volta à Câmara para ser votada e depois sancionada pelo Presidente da República.
Ex-Governadores sentem especial atração pelo Senado. Basta relacionar alguns: Pedro Simon (RS), ACM(BA), Tasso Jereissati(CE),Álvado Dias (PR). Apenas para citar alguns de diferentes partidos e estados. Acredito que a experiência no Executivo seja importante para entender melhor como funciona aquela casa legislativa. Mas quando me refiro à passagem pela administração, vale tanto em nível de estado como também de município. As agruras de tentar viabilizar a gestão ensinam muito àquele que torna-se prefeito destinado à administração de problemas que se acumularam e os quais, muitas vezes, a população espera ver resolvidos como em um passe de mágica.
O ex prefeito de Nova Iguaçú, Lindberg Farias, governou um município problemático na Baixada Fluminense, foi reconduzido à prefeitura com 65% dos votos da população que deu a ele o aval de ter sido diligente e trabalhado em favor da maioria da população. Dos postulantes a vaga de senador, acredito que Lindberg Farias seja quem reúne mais qualidades para representar o Rio de Janeiro. Foi deputado competente e combativo. Amadureceu, não ficou na cidade do Rio em campanhas confortáveis. Elegeu um desafio e foi enfrentá-lo e o fez com garra e bastante trabalho. Acredito que Lindberg tenha uma noção mais clara do estado do que, por exemplo, alguém que se eterniza na assembléia legislativa e apenas atua como correia de transmissão das vontades do executivo, me preocupa eleger um senador que não tenha a mínima independência. Também fico inseguro em eleger pessoas cuja postura conservadora retarda votações de matérias importantes, como a do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Precisamos de pessoas que sejam atuantes e comprometidas, mas que tenham independência, opinião e atitude. Baseado nessas premissas, votarei em Lindberg Farias e só não destino os dois votos a ele porque a legislação eleitoral proíbe.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Começou a Campanha

A Copa do Mundo terminou e finalmente a disputa eleitoral foi iniciada. Hoje os primeiros programas eleitorais foram exibidos na TV. Gostei do programa da Dilma, mas não gosto, em nenhum programa, debate, discussão, quando a pessoa usa a expressão " eu acho". Meu saudoso avô dizia: " Quem acha não sabe!"Concordo com ele e por isso, ao ver Dilma repetir várias vezes esse irritante "achismo" fiquei incomodado.
A internet é um território onde a campanha se desenvolve em diferentes frentes. Encontramos varias postagens, e muitas coisas interessantes podem ser encontradas. Confesso que não precisava de argumentos que me convencessem a votar na Dilma, pois acredito que o governo Lula foi bom e a candidata indicada por ele já havia demonstrado sua competência quando foi secretaria de estado no governo Alceu Collares, do PDT no RS.
Os detratores da candidatura Dilma apresentam-na como " ex-terrorista" como se isso fosse um argumento contra mas entendo que ela lutou a favor do Brasil e como eu existe muita gente que vê as coisas sob esse prisma. Dentre os muitos textos, há um em especial, da autoria de Celso de Barros, cujo link postarei aqui e o qual republico aqui e espero que o autor não se ofenda, respeito a ele e apenas estou partilhando algo que julgo de bom gosto e bem feito. Vamos ao texto:
" Os três principais candidatos nessa eleição presidencial são muito bons. A terceira colocada deve ser Marina Silva, e Marina Silva seria melhor presidente que 90% dos presidentes do mundo. Levando em conta só os competitivos, nos últimos dezesseis anos só Garotinho (que a The Economist traduzia como “Little Kid”) avacalhou nosso currículo, onde, na minha modesta opinião, devemos ter orgulho de ostentar Lula e FHC.
Mas é preciso escolher, e, no que se segue, argumentarei que a melhor opção para o Brasil no momento é uma ex-guerrilheira nerd.
1.Um bom governo, na minha opinião, deve (a) ser democrático, (b) não avacalhar a estabilidade econômica, e (c) combater a pobreza e a desigualdade. Por esses critérios, o governo Lula foi indiscutivelmente bom.
O governo Lula, tanto quanto o governo FHC, foi um governo democrático. Quem lê jornal no Brasil não apenas percebe que é permitido falar mal do governo, mas pode mesmo ser desculpado por suspeitar que falar mal do governo é obrigatório por lei. Os partidos de oposição atuam com plena liberdade, os movimentos sociais, idem, e, aliás, eu também. O Olavo de Carvalho se mandou para os Estados Unidos, dizem que com medo de ser perseguido politicamente, mas, se tiver sido por isso, foi só frescura. De qualquer modo, nunca antes nesse país exportamos tantos Olavos de Carvalho.
A economia foi muito bem gerida durante a Era Lula, a despeito do que falam muitos petistas (talvez preocupados com a falta de oposição competente). Companheiros, deixemos de falar besteira: a política econômica foi um sucesso. Mantivemos o bom sistema de metas de inflação implantado por Armínio Fraga no (bom) segundo governo FHC, e acrescentamos a isso: uma preocupação quase obsessiva por acumular reservas internacionais, a excelente ideia de comprar de volta nossa dívida em dólar, e medidas de incentivo fiscal quando foi necessário. A dívida como proporção do PIB caiu consideravelmente, e só voltou a subir quando foi necessário combater a crise. Certamente voltará a cair já agora.
Por essas e outras, fomos os últimos a entrar e os primeiros a sair da maior crise econômica desde 1929. Os tucanos se consideravam uma espécie de Keynes coletivo por terem sobrevivido à crise do México. Com muito menos custo, sobrevivemos à crise dos EUA. E isso se deu porque a economia durante a Era Lula foi muito mais bem administrada do que durante o primeiro governo FHC. No segundo governo FHC, aí sim, a economia foi bem gerida, e Lula fez muito bem em copiar seus métodos de gestão.
E, na área social, o Lula realmente se destaca na história brasileira, e na conjuntura econômica mundial. FHC não merece nada além de parabéns por ter copiado o Bolsa-Escola do governo petista do Distrito Federal (cujo governador havia idealizado o programa ainda na década de 80), e o PT merece críticas por ter atrasado sua adoção insistindo no confuso “Fome Zero” por tempo demais; mas, uma vez re-estabelecida a sanidade, o programa foi implementado com imenso sucesso, e, associado à política de recuperação do salário mínimo, e à boa gestão da economia, geraram resultados que não estavam nas projeções do mais otimista dos petistas em 2002. Para ser honesto, eu sempre votei no Lula, mas nunca achei que fosse dar tão certo.
A pobreza caiu algo como 43%. Vou dizer com palavras, para não dizerem que sou cabeça-de-planilha: a pobreza no Brasil caiu quase pela metade. Rodrigo Maia, escreva essa frase no quadro cem vezes. Mais de 30 milhões de pessoas (meia França, não muito menos que uma Argentina inteira) subiram às classes ABC. Cortamos a pobreza extrema pela metade (mas ainda é, claro, vergonhoso que tenhamos pobreza extrema). A desigualdade de renda caiu consideravelmente: a renda dos 10% mais ricos cresceu à taxa de 3 e poucos % na Era Lula, enquanto a renda dos mais pobres cresceu mais ou menos 10% ao ano, as famosas taxas chinesas. E tem uns manés que acham que os pobres votam no Lula porque são ignorantes ou mais tolerantes com a corrupção. Dê essas taxas à nossa elite e o Leblon inteiro tatua a cara do Zé Dirceu.
Não é à toa que o economista Marcelo Neri, um dos mais respeitados estudiosos da pobreza no Brasil, fala no período de 2003-2010 como “A Pequena Grande Década”. Tanto quanto sei, Neri não é petista.
Por outro lado, há algumas semanas, o sociólogo Demétrio Magnoli escreveu um balanço crítico do governo Lula, que considera um desastre. O artigo praticamente não tem nenhum número. I rest my case.
2.Seria idiota dizer que isso não é, em nenhum grau, motivo para votar na Dilma. Dilma participou ativamente disso tudo, e, no mínimo, apoiou isso tudo. Marina Silva, é verdade, apoiou quase tudo isso. José Serra não o fez, e muitos de seus simpatizantes continuam convictos de que os últimos oito anos, em que a renda dos brasileiros mais pobres cresceu no ritmo da economia chinesa, foi uma era das trevas da qual a nossa elite bem pensante (hehehe) acordará em breve, chorando de felicidade porque era só um pesadelo.
Mas, até aí, eu considero que a Era FHC também foi boa para o país, por outros motivos, e mesmo assim foi bom que Lula fosse eleito em 2002 (como irrefutavelmente provado acima). Por que não seria esse o caso, agora?
Em primeiro lugar, porque não acho que será bom para o Brasil se o governo Lula tiver sido só um intervalo. Se Serra ganhar a eleição, eis o que se tornará a versão oficial sobre esse período: uns caras com diploma governavam muito bem o Brasil por muitas décadas, aí surgiu um paraíba muito carismático que acabou % ganhando a eleição, mas não fez nada demais, por isso eventualmente a turma do diploma retomou o controle da coisa toda. Coloquei um sinal de porcentagem no meio da frase para que ela tivesse pelo menos um erro que não fosse também papo furado.
É importante compreender que os novos atores que compõem o PT vieram para ficar, pois são sócios-fundadores de nossa democracia, e que, de agora em diante, o Brasil é um país com uma esquerda que sabe ser governo. Isso quer dizer que agora a direita, para vencer eleições, precisa apresentar boas candidaturas (de preferência sem roubar nossos sociólogos, ou economistas heterodoxos) e, o mais crucial de tudo, apresentar propostas para os mais pobres, que acabam de descobrir que podem melhorar imensamente suas vidas com o voto. A direita brasileira ainda não fez esse trabalho: continua pensando como se fosse um direito natural seu governar o país, e esperando que algum movimento legitimista re-estabeleça a ordem nesta budega.
Enquanto a justiça eleitoral não fizer o voto do Reinaldo Azevedo ter peso 50 milhões, a estratégia de fingir que o governo Lula não desmoralizou os anteriores, diminuindo a pobreza sem desestabilizar a economia, não vai ganhar eleição. Enquanto não tiver um projeto para o país (o que, diga-se, o Plano Real foi), a oposição não merece voltar ao governo. Como o PT dos anos 90, por exemplo, não merecia ganhar a presidência, pois seu programa era o que, no jargão sociológico, era conhecido como “nhenhenhém”. O PT venceu quando reconheceu que o papo agora era outro, e era preciso partir das conquistas já alcançadas. Não há sinal que consciência semelhante exista na oposição como bloco político, embora, sem dúvida, o candidato Serra o tenha compreendido.
3.Mas esse tampouco é o melhor motivo para se votar na Dilma. O melhor motivo para se votar na Dilma é a Dilma.
Dilma tem uma trajetória política muito singular, como, aliás, tinham FHC e Lula. Quem tiver lido seu perfil recente na revista Piauí pode notar que há tantos fatos interessantes na sua vida que o jornalista mal teve espaço para falar dela, como pessoa. Dilma foi guerrilheira, foi torturada, e, durante a democratização, entrou para o PDT. Quando visitou, recentemente, o túmulo de Tancredo, a turma de sempre reclamou que o PT não o havia apoiado no Colégio Eleitoral. Bem, Dilma, como o PDT, apoiou Tancredo. Eventualmente, foi parar no PT, onde cresceu fulminantemente, e foi beneficiada pela decisão da oposição de queimar um por um dos quadros petistas mais famosos, algo pelo que, suspeito, já começam agora a se arrepender. Estariam pior agora se o candidato do Lula fosse, digamos, o Dirceu?
Tem gente que, com temor ou esperança, acha que Dilma mudará o rumo da economia. Eu posso estar errado, mas, baseado no que vi até agora, acho o seguinte: Dilma está singularmente posicionada para fazer com que, sob essa mesma política econômica, e com o mesmo compromisso com a justiça social, o país comece a crescer bem mais rápido do que cresceu nos últimos dezesseis anos.
Eu gosto de dizer o seguinte sobre política econômica: é verdade, o Banco Central desacelera o crescimento quando mantém os juros altos (e segura a inflação). Mas, a essa altura, o crescimento econômico já levou uma surra; antes de chegar no Banco Central, o carro do crescimento já tomou batidas da nossa falta de política de inovação, da baixíssima capacidade de investimento do Estado, da pobreza (que diminuiu, mas, para nossa vergonha, ainda está aí), do nosso abissal nível de qualificação educacional, dos entraves inacreditáveis para se abrir ou fechar um negócio, dos problemas gravíssimos da nossa urbanização. Essa desacelerada que o Banco Central dá é porque, depois de tomar tanta batida, ou nosso carro desacelera ou ele desmonta na pista.
Nossa visão deve ser a seguinte: queremos ter produção tecnológica como a Índia, mas com muito mais preocupação com a justiça social, e queremos ter o crescimento da China, mas com a mais absoluta democracia e com as garantias ambientais necessárias. Se esses limites nos atrasarem um pouco, paciência, somos, em nossos melhores momentos, um país que leva essas coisas a sério. O que não é admissível é que qualquer coisa que não nossos princípios atrase nosso progresso.
Muita gente diz que Lula entregou a candidatura à Dilma de mão-beijada, mas, aproveito para advertir, muita calma nessa hora, meu povo. Lula também lhe entregou uma roubada incrível, que foi também um teste. Quando Dilma foi colocada na direção do PAC, experimentou em primeira mão o quão ineficiente é nosso Estado como indutor do investimento: uma legião de entraves burocráticos, pressões políticas e uma história de más prioridades tornaram nosso Estado incapaz de investir e de oferecer infra-estrutura (tanto física quanto legal quanto humana) para o investimento privado.
A beleza da coisa é que Dilma é uma c.d.f. obcecada por políticas públicas. Quem leu sua entrevista no livro organizado pelo Marco Aurélio Garcia e pelo Emir Sader não pode ter deixado de se divertir com a diferença entre as coisas que os entrevistadores querem perguntar e as coisas que ela quer responder: os caras lá falando do liberalismo, de não sei o que mais, e ela animadona com um jeito de furar poço de petróleo, com um jeito qualquer de administrar hospital. Respeito muito o Marco Aurélio, que foi meu professor, mas a Dilma sai da entrevista muito melhor que ele e o Sader.
Me anima especialmente que, em vários momentos, tenha visto Dilma puxando o assunto das políticas de inovação. O Brasil não vai dar um salto qualitativo em termos de desenvolvimento enquanto não produzir tecnologia. Tecnologia é o tipo de coisa que depende de bons arranjos entre governo e setor privado, e, a crer nos relatos até agora a respeito de sua passagem pelo ministério de Minas e Energia, Dilma tem uma postura pragmática saudável nessas questões.
Lula deu ao capitalismo brasileiro milhões de novos consumidores, e essa descendência política exigirá de Dilma compromisso forte com a inclusão social. Mas agora é hora de dar ao capitalismo brasileiro a competitividade necessária para que ele gere os empregos de que precisam os novos ex-miseráveis, os formandos do ProUni, ou das novas Universidades Federais, inclusive; é hora de montar um Estado que entregue aos cidadãos as cidades necessárias à boa fruição da vida moderna, e montar um sistema de inovação tecnológica que tire da direita o monopólio do discurso moderno.
Por conhecer melhor do que ninguém o tamanho desse déficit, e pelo que se depreende de sua postura até agora diante desses problemas, Dilma Rousseff é a melhor opção para a presidência do Brasil nos próximos oito anos.
Até porque, contará com um recurso que só o PT tem: uma imprensa tão hostil que o sujeito realmente, realmente tem que prestar atenção para não fazer besteira. Superego é uma coisa útil, senão você trava.
4.Certo, mas deve ter gente pensando, ah, mas ela é só uma tecnocrata, vai ser engolida pelos políticos (o bom é que essa mesma turma dizia que o Lula, por não ser um tecnocrata, ia ser engolido pelos políticos). Deve ter gente, à direita e à esquerda, com esperança de manipular a Dilma. A Dilma, no caso, é aquela menina que, aos vinte e poucos anos, inspirava respeito até nos caras do Doi-Codi, como se depreende dos documentos da época. Se quiser ir tentar manipular essa dona aí, rapaz, boa sorte, vai lá. Depois você conta pra gente como é que foi.
* Celso Barros, Rio de Janeiro-RJ, é mestre em Sociologia pela Unicamp e doutor em Sociologia por Oxford. Blog: napraticaateoriaeoutra.org

sábado, 7 de agosto de 2010

Novelas;;;

Um núcleo da novela Passione vale por todas as coisas mal escritas de uma trama em geral frágil e de gosto duvidoso: a família de Clô ( Irene Ravache) e as cenas que estão envolvidas alí. São bem feitas e divertidas e os atores, em especial o Bruno Gagliaso e suas eposas, que dão um belko tom de comédia.
Mas de resto, uma empresa familiar com acionistas e onde, mais uma vez, é possivel explicar aos alunos da faculdade de direito, na parte relativa a direitos e sucessões, como uma herança está mal distribuída, e também como é uma composição acionária em uma empresa, dentre outros equívocos.
Uma novela em que na roda dos fatos todos se aparentam, vejamos: Bete é mãe de Totó, assim, Berilo é casado com uma neta de totó e ao mesmo tempo, com a filha dele; segundo as revistas de fofocas, Mauro seria filho de Bete, que mulher promíscua e irresponsável deixaria que a filha tivesse um romance com o irmão, a menos que depois se descubra que a Melina também não seja filha de Bete;Felícia teve uma filha com Saulo, a menina, coitada, transou com um irmão sem saber e, para ficar pior, seu outro irmão está apaixonado por ela, a menos que isso também não seja assim,e será preciso resolver.
Mas tudo bem, deveria ser divertido, desde que tivesse mais qualidade...quem me lê sabe que gosto de novelas. Não compro as revistas, apenas leio as manchetes, mas confesso que faz tempo as produções, especialmente as da Globo, pecam pelos erros e os enredos.

Atualidades

Neva no sul, o Inter vai pra final da Libertadores e disputará o Mundial Interclubes, amanhã é dia dos pais, ainda não sei se meu cachorro Mike Tyson vai ser pai, a crise na Europa ainda se desenha, reflexos tardios do subprime, os EUA precisam de uma recessão para emergirem da crise, e tantas são as coisas por aí....

PAI É PARA SEMPRE

Faz exatos 30 anos meu pai teve que se ausentar de nosso convívio, infelizmente o tivemos por muito pouco tempo e mesmo assim, permanece vivo para nós e o que ensinou, deixou, enriquece nossa existência, nossas memórias. Antes dele, havia perdido o Papa Hoerlle, com quem pouco pude conviver e faz pouco partiu Papa Wadewitz, com quem tive mais tempo, de comermos bom bom Sonho de Valsa ( predileto dele) , passearmos no Zoo de São Leopoldo, RS e darmos nomes aos animais, bebermos guaraná Antártica, esses sabores do Brasil de que ele tanto gostava e que nos EUA naquele tempo não estavam disponíveis.
Meus irmãos tornaram-se belos exemplares de pai, acredito que herdaram de meu pai ensinamentos e valores que foram sendo aprimorados, mas a matriz sem dúvida era boa, o modelo forte, e os meus sobrinhos refletem o que receberam e me enchem de orgulho. Minha irmã casou-se com um homem bom e os filhos dela também recebem um amor intenso e uma criação que os prepara para a vida. Dedicam-se em serem bons pais os meus irmãos e meu cunhado, e acredito que o fazem bem.
Em minha vida não gerei filhos biológicos, mesmo assim, assumi três crianças que hoje estão construindo uma vida adulta e procuro, com muitos erros mas com boa vontade, tentar ser um pai postiço que preencha o espaço de afeto, carinho, respeito e amor na vida de Carol, Chico e Nathália. Mas se nem eu as vezes me aturo, creio que eles também aprenderam a me aceitar nesse convívio que dura mais de 13 anos.
Por tudo isso, para todos os pais e futuros pais, aos filhos, um feliz dia dos pais e se tiverem um tempinho ouça "" Father and Son" de Cat Stevens