domingo, 26 de setembro de 2010

Mídia e Política

A imprensa faz escolhas políticas e isso pode ser visto na forma como escolhe divulgar fatos que envolvem os candidatos aos quais apóia bem como aqueles a quem faz oposição. Mas em nenhum momento a mídia explicitou suas preferências, tudo ficava sempre em um "campo de sombras" e isso se manteve até essas eleições. Pela primeira vez em nossa história uma publicação semanal, a revista Carta Capital, assumiu públicamente seu apoio à candidatura de Dilma Rousseff.
Os mais tradicionais veículos de comunicação do país mantiveram, a princípio, sua aparente neutralidade. O presidente da República, incomodado com os ataques sistemáticos à candidata do governo, cobrou coerência da mídia e manifestou sua vontade de ver os jronais e revistas assumirem suas escolhas. Nova avalanche de críticas, alegações de que o presidente era contra a liberdade de imprensa e outros argumentos igualmente esdrúxulos.
O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, durante as investigações da operação Satiagraha divulgou nomes de jornalistas que seriam remunerados pelo banqueiro Daniel Dantas, e dentre esses estavam alguns pseudo-escribas a soldo da família Civita. A mídia não divulgou essa informação porque atacava alguns de seus aliados e espunha pessoas e temas que em nada interessavam a grandes veículos de comunicação.
A escolha que a revista Carta Capital fez rendeu aborrecimentos a essa publicação. A vice procuradora geral eleitoral Sandra Cureau enviou à revista o ofício número 335/10 no qual dá prazo de 5 dias para que a referida publicação informe a relação de publicidade do governo federal nos anos de 2009 e 2010, os respectivos contratos bem como os valores recebidos a esse título.
Os fatos:
1- Houve uma denúncia anônima contra a revista Carta Capital,acatada pela doutora Sandra Cureau;
2- O mesmo cuidado não foi manifestado quando outras publicações tiveram contratos, no mínimo discutíveis, com governos, em especial com o governo de São Paulo à época em que José Serra era governador;
A dra Coureau negligencia um princípio insculpido em nossa Carta Constitucional, no artigo quinto, inciso IV: " é livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato". Já seria motivo suficiente para arquivar a denúncia e não alimentar esse tipo de atitude. Mas não foi esse o caminho escolhido pela vice procuradora geral .
Alguns contratos que a Dra Cureau talvez pudesse apurar com o mesmo cuidado dedicado a uma denúncia anônima contra a revista Carta Capital:
" 1-Nova Escola - DO-25/10/2008 15/1165/08/04- Fundação Victor Civita - Aquisição pela FDE de 220000(duzentas e vinte mil) assinaturas da Revista Nova Escola, com 10(dez) edições anuais,para Unidades Escolares da Rede Estadual de Ensino de São Paulo. Prazo:300 dias; valor R$3.740.000,00. Data da assinatura: 1/10/2008.
2-VEJA - DO-20/mai/2009 15/0355/09/04 - Editora Abril S/A- Aquisição de 5.449 assinaturas da Revista Veja.51 edições destinadas às escolas da Rede Estadual de Ensino- SP. Prazo, 364 dias. Valor: R$ 1.167.175,80 data da assinatura: 18/05/2009
3-Guia do Estudante- DO-11/02/2009 15/0063/09/04 Editora Abril S/A Aquisição de 430.000 exemplares do Guia do Estudante Atualidades Vestibular - Edição número 8, e 20.000 exemplares da publicação Atualidades Revista do Professor, incluindo entrega às 3.530 unidades escolares e 91 diretorias de ensino da Rede Estadual de Ensino de São Paulo. Prazo, 45 dias. Valor: R$ 2.498.838,00. Data da assinatura: 05/02/2009." ( fonte: Revista Carta Capital. edição de 29/09/2010, número 615 páginas 34 e 35)
Esses contratos não foram objeto de questinamento?Por acaso a editora Abril que ataca o governo Lula e a candidata governista Dilma Rousseff sistemáticamente, não foi beneficiada enormemente por esses contratos?não há outras publicações dirigidas à educação que prencheriam essa necessidade? As escolas recebem mesmo esses exemplares?Apenas para ficar nas perguntas mais básicas.
Assim, essa mídia que fala em liberdade de imprensa, que se apresenta " neutra" e não assume suas reais intenções, acaba se expondo quando omite notícias que seriam importantes a todos os brasileiros. A matéria anterior, envolvendo a filha de José Serra e a irmã de Daniel Dantas, sócias em uma empresa que facilitaria contratos de empresas interessadas em negociar com o Estado brasileiro, do qual à época, o pai de Verônica Serra era ministro da saúde, uma das pastas com as licitações mais caras.
Nas eleições que aconteceram nos EUA em 2008 alguns jornais se posicionaram a favor do candidato Barak Obama, outros apoiaram John McCain e o fizeram em editoriais e a sociedade estadunidense achou essa escolha uma manifestação democrática porque cada um compra o jornal que preferir. É importante lembrar que a legislação Norte Americana não permite que um mesmo grupo controle emissora de Rádio, emissora de TV e Jornal Impresso. É preciso escolher UM ÙNICO VEÌCULO. Assim, não existe ameaça à democracia nem à liberdade de imprensa.
Não estamos às vésperas de 1964, José Serra está a anos luz de ser um espectro do que foi Carlos Lacerda e o PSDB até tem vontade de se parecer coma UDN em alguns aspectos mas, apenas em seus anseios golpistas eles conseguem se aproximar um pouco daquele baluarte golpista anti Vargas, que acabou contribuindo diretamente com a crise que lançou o país em um obscuro período do qual, políticamente o DEM, aliado de José Serra, foi fiador e alguns órgãos da imprensa como o Estado de São Paulo, organizações Globo, entre outros, mantiveram laços estreitos, cordiais e de cooperação.

Nenhum comentário: