quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Estado é Laico mas, Os Religiosos votam e Influenciam

Algumas denominações religiosas decidiram se envolver diretamente na política partidária. Seus membros e líderes filiam-se a partidos e se candidatam a cargos eletivos. Há pastores, bispos, em diferentes partidos ocupando cargos municipais, estaduais e federais. Representam seus fiéis e levam até o Congresso muitos projetos que envolvem o Estado em muitas questões quedeveriam estar restritos à subliminaridade da fé.
O convívio na fé deve ser algo que nos fortaleça em nossas convicções, mas não devemos nos deixar cegar por pseudo líderes que muitas vezes se beneficiam pessoalmente da crença dos seus fiéis e os vendem como massa de manobra. As vezes é preciso que as pessoas se questionem sobre aquilo que estão ouvindo e procurem mais informação, para além do que diz seu padre ou seu pastor.
Faz três gerações que em minha família há pastores na Igreja Evangélica Luterana do Brasil, e também na Igreja Luterana dos EUA. A Reforma Protestante liderada pelo monge agostiniano Martinho Lutero, que indignou-se com procedimentos da Igreja Católica no século XVI e a partir desse movimento reformista surgiu a Igreja Luterana. Um pastor, para ser ordenado, ter autoridade para assumir uma congregação, deve passar pela Faculdade de Teologia onde estuda por quatro anos, depois faz estágio de um ano sob a orientação de um pastor mais antigo, então será considerado apto. Todo esse procedimento significa assegurar às pessoas que frequentam a igreja que elas estão sendo orientadas por alguém que se dedicou, estudou e foi preparado.
A Igreja Católica também tem uma formação teológica profunda, acontecendo o mesmo com as igrejas: Batista, Metodista, Pentecostal, Assembléia de Deus, para citar algumas. Mas também tem prosperado no Brasil uma infinidade de templos neopentecostais liderados por pessoas de conhecimento teológico discutível e uma moral um tanto quanto flexível. Mas em nome da liberdade religiosa assegurada em nossa Constituição, e que julgo tão importante quanto a liberdade de pensamento, reconheço que muitas dessas igrejas prestam importantes serviços aos seus fiéis e se existem desvios, não me cabe julgá-los e creio que eles podem acontecer em todos os credos.
Panfletos da TFP falando contra a candidata Dilma Rousseff, bispos católicos recomendando que seus fiéis não votem na candidata do PT e agora, um grupo de igrejas evangélicas do Espírito Santo, o estado capixaba, também definiu-se contra a candidata à sucessão do presidente Lula. Escolhem o adversário ou há algum estímulo em suas decisões que desconheço? e não falo de questões envolvendo o aborto ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas questiono as razões de estarem esses senhores incomodados nessas eleições, específicamente. Seria acaso ou o senador Magno Malta, eleito pelo ES, pastor evangélico não está à vontade com a candidatura de Dilma Rousseff?Os bispos católicos do interior de SP também deram a conhecer aos seus fiéis as orientações de Serra sobre o aborto a ser realizado pelo SUS quando era ministro da saúde? ou isso foi "esquecido" por esses que se pretendem líderes espirituais?
Em sua carta aos Coríntios, diz o apóstolo Paulo:" TODAS AS COISAS ME SÃO LÍCITAS, MAS NEM TODAS AS COISAS CONVÊM" (1 Coríntios 10:23). Deveriam essas lideranças que pretendem orientar seus fiéis refletir sobre essas palavras e pensar até que ponto suas escolhas políticas realmente possuem algum fundo de fé, ou são movidas por interesses que eles não podem assumir públicamente?

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