Eram frias as noites em Petrópolis quando comecei a lecionar história do direito em uma faculdade que estava sendo implantada naquela cidade. O grupo de professores foi sendo formado aos poucos e sem dificuldade estabeleceu-se uma camaradagem que produziu um saudável convívio extra sala dos professores.
E foi nesse contexto que conheci Madame Bottino. Cabelos vermelhos, olhos vivos e um sorriso que a deixa transparente. Veio escoltada pelo colega de cadeira, o Cavaleiro Lusitano, gentil e camarada, trouxe-a para nosso convívio e foi um acréscimo generoso a um grupo que se entendia muito bem, mesmo que a direção da faculdade não entendesse isso.
Com trabalho qualificado, conversas ídem, acredito que demos o melhor de nós para que os alunos que nos foram confiados recebessem uma formação realmente de qualidade. Muitos deles já foram aprovados no exame da OAB, de alguns recebemos notícias por esse novo mundo eletrônico que favorece as reaproximações e foi assim que aquele grupo, disperso porque a faculdade assim entendeu, voltou a trocar mensagens e realimentar cumplicidades. Não importa onde estejam, todos sentem a proximidade e mesmo quando discordamos uns dos outros, o fazemos fraternalmente porque podemos ser, eventualmente, adversários em circunstâncias políticas, mas como diria o amigo Mário, sabemos fazê-lo com fidalguia.
Um dia, sem razão aparente, chamei-a de Madame Bottino e gostei do som, a língua tem dessas coisas, gostamos de algumas palavras ou expressões pela sonoridade. Laíse adora: avassalador, minha vó gosta do som da palavra Vagabundo, gosto de Slobodan( o carniceiro sérvio)mas só o som, repita baixinho e me entenderá...e desde então me refiro àquela mulher interessante, inteligente, uma amiga bastante querida com quem sempre é agradável conversar, Madame Bottino.
Talvez um dia mais inspirado, devidamente autorizado por ela, cujo senso de humor não levará a me xingar depois dessas linhas,escreva uma crônica melhor, aqui hoje foi apenas um breve registro e espero que outros eu ainda consiga produzir e que resgatem um pouco aquelas figuras agradáveis de convívio dos nossos tempos na serra.
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