Faz mais de 30 anos, quando Leonel Brizola foi eleito governador do RJ vencendo os adversários, inclusive a Rede Globo e a Proconsult, o político gaúcho trouxe uma proposta onde pretendia multiplicar as escolas no Rio de Janeiro. Eram os Centros Integrados de Educação Popular, que não seriam limitados à função educacional, também dariam suporte a outras atividades como: saúde preventiva, serviços de odontologia, atividades esportivas, e o envolvimento da população do entorno com a escola. Era uma forma de inserir o Estado e levar às populações a cidadania sonegada por muitas décadas.
A oposição, não apenas dos políticos tradicionais, mas também de empresários, da mídia, sufocou o trabalho do governador e quando vieram as eleições de 1986, Moreira Franco foi eleito pelo PMDB na esteira de sucesso do Plano Cruzado. Dentre as primeiras medidas, o novo governador abandonou o projeto dos CIEPs. Brizola na época advertiu que o preço a pagar seria alto para toda a sociedade fluminense mas não deram ouvidos ao velho caudilho...
Os soldados do tráfico e seus gerentes são filhos dessa desconstrução do projeto que pretendeu Brizola no começo dos anos 1980. Alguns que no passado, por razões políticas criticaram os CIEPs hoje fazem sua " mea culpa" e admitem que a escola em tempo integral e sua inserção nas comunidades são uma forma saudável de combater a criminalidade e estimular a cidadania. Mas com 30 anos de atraso, elevado número de mortos, perdas de território que aos poucos e assim mesmo, SE ocorrer uma política séria e que tenha continuidade, não mais veremos poderes paralelos submetendo populações que, apenas no Complexo do Alemão, chegam aos 400 mil habitantes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário