quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Novelas e Equívocos

Em diferentes momentos postei textos sobre novelas nesse espaço. Acredito que podemos utilizar informações e conteúdos mesmo em algo que destine-se ao lazer. E tenho acompanhado novelas desde os anos 1970 por diferentes razões mas sem me preocupar com aqueles rótulos do tipo: "homem não vê novela"; o que creio ser uma grande bobagem.
A criatividade de alguns autores, a qualidade dos textos de Dias Gomes, com a colaboração de Ferreira Gullar em alguns momentos, as histórias criadas por janete Clair, trilhas sonoras bem escolhidas e produzidas criaram alguns momentos especiais em nossa teledramaturgia. " O Bem Amado", " Saramandaia" e " Roque Santeiro" estão dentre algumas das produções mais interessantes que pude acompanhar.
O núcleo de novelas da Rede Globo, especialmente no " horário nobre" passou por muitas mudanças. Infelizmente para o público de novelas, Janete Clair e Dias Gomes morreram, e Ferreira Gullar não colabora mais com a TV Globo. Alguns autores ocuparam aquele espaço e mesmo admitindo que algumas produções recentes tiveram qualidade, a repetição de algumas fórmulas e o desgaste que isso produz não parece estar sendo notado pela direção da emissora: " quem matou" é uma fórmula que se repete desde a década de 1980 com o personagem " Salomão Ayala" em " O Astro". Funcionou muito bem nos anos 1990 na trama " Vale Tudo", onde Glória Pires e Reginalda Farias brilharam e a música de abertura, " Brasil" de Cazuza, na voz de Gal Costa, é uma das coisas marcantes daquela produção.
Os autores se repetem, insistem e a sensação é de que ao sentirem a queda de interesse, matam alguém e ressucitam a fórmula. Pior ainda, insistem em temas que desconhecem completamente e nessa novela de agora, tratam o telespectador como tolo: com dinheiro roubado, o personagem vem e compra no mercado de ações o controle de uma companhia. Em princípio, de fosse uma empresa de capital aberto, sujeita ao controle e fiscalização da CVM, ás auditorias externas periódicas, aos interesses de acionistas minoritárias que precisam ter seus interesses protegidos e respeitados, a tal " metalúrgica Gouveia" não poderia empregar a família inteira e decidir projetos e gastos sem o mínimo cuidado.
Ao tratar dos temas com tamanho descaso, o que vale também para questões legais, avaliações econômicas, dentre outros assuntos, a emissora do Jardim Botânico subestima o público e imagina-se acima de tudo e de todos. Mas as pessoas cada vez são mais críticas e podem partilhar suas idéias e a influência da TV Globo está em declínio, o que sem dúvida não deixa de ser bem interessante....

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