As UPPs foram a grande vedete da campanha eleitoral de Sérgio Cabral e outros compraram a idéia que, com as devidas ressalvas, não deixa de ser um projeto bem interessante. O empresário Eike Batista anunciou ontem que contribuirá anualmente com 20 MILHÕES de reais para que as Unidades sejam implantadas e mantidas. Bastante dinheiro que pode ser gasto sem licitação porque não origina-se dos cofres públicos. Um empresário que inclusive chama outros para aderirem ao projeto porque trata-se de um homem de negócios que tem interesses no Rio, recentemente comprou e está renovando totalmente o Hotel Glória. Esse é um projeto bem mais amplo do que a mera pacificação de áreas onde acontece o tráfico.
Os policiais reclamam pela aprovação da PEC 300, que prevê um piso salarial de, se não me engano, R$3.500,00 e convenhamos: nesse clima de medo e insegurança, qual político dará a cara para bater votando contra o aumento salarial dos policiais? Mudar e qualificar a polícia é algo com o qual todos concordam mas pouco é feito. Aumentar o salário para tornar a função atrativa e no mesmo nível, aumentar as exigências para ingresso na polícia é necessário mas aí surgem discursos que vão: do alto custo para o estado, e também aqueles setores que dizem ser uma forma de discriminar, pois todos devem ter acesso à função pública. É preciso analisar os diferentes aspectos do problema...
Desigualdade social e foquismo criminal também estão presentes em nossa cultura repressiva. As comunidades são focos criminosos e o Estado deve dirigir para lá seu aparato repressivo. Isso já foi visto em outros momentos da história. Mas é inegável que a violência precisa sim ser enfrentada, isso porém exige um projeto mais amplo e os diferentes componentes desse processo devem ser compreendidos: tráfico de armas;remuneração insuficiente para policiais que se corrompem;legislação penal deficiente;advogados corrompidos pela expectativa de ganho vultoso e rápido;ausência do Estado;discursos oportunistas sazonais. Deficiências no controle das fronteiras e também uma política de saúde pública que combata o consumo de drogas.
Espetacularizar as ações policiais em busca de audiência, relativizar a violência, ver nas ações policiais uma eugenia racial e social , são apenas alguns dos muitos aspectos negativos desse conjunto de problemas. Mas a hipocrisia ainda persiste.
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