segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Pós Eleições para onde vai a Oposição?

A vitória da Dilma Rousseff, nossa Presidenta(mesmo que alguns linguistas prefiram não admitir a palavra) representou uma negação da sociedade à campanha de ódio e preconceitos pretendida por Serra e setores da mídia que o apoiaram. Na falta de um projeto de poder, de propostas alternativas, sem que tivessem compreendido algo que o próprio senador eleito por MG Aécio Neves já havia identificado, ou seja, a necessidade de uma postura propositiva pós Lula. Investiram em ser do contra, em desconstruir o outro à base de calúnias.
O governador eleito de SP Geraldo Alkmin, quando disputou com Lula, foi um adversário mais honesto, tratou a disputa nesse nível sem levar para o campo das inimizades, caminho escolhido por Serra e que demonstrou-se totalmente equivocado. Mostrou-se mais conservador do que os setores ultra reacionários paulistas, mais religiosamente fanático do que o neófito que descobre Jesus e a salvação.
A oposição precisará se reorganizar e pensar em como lidar com as próprias mazelas, antes devem lamber as feridas, mas o PSDB paulista quer procurar culpados pois assim evita se olhar no espelho. Aécio era uma alternativa, como em 2002 poderia ter sido Roseana a disputar com Lula. Nos dois momentos Serra se impôs pelas articulações internas do partido em SP, pagaram o preço por essa arrogância.
Em 2006 Serra foi viajar para não ter que apoiar Alkmin. Não teve o mesmo tratamento, pelo contrário, o governador paulista dedicou-se por Serra como poucos fariam depois de terem recebido dele o tratamento que Geraldo Alkmin recebeu. E talvez incomode a Serra saber que seu sucessor dialoga com os prefeitos do interior com maior proximidade, é religioso porém discreto, não usa sua fé de modo eleitoreiro e irresponsável, é conservador por formação e não porque de repente é uma conveniência eleitoral.
As pessoas foram às ruas, foram para a internet combater as campanhas de ódio, conversaram com amigos, expuseram argumentos e o conjunto dessas ações tornou possível eleger Dilma presidenta. As cumplicidades nas redes sociais, a divulgação de agendas positivas, o material distribuído, as mensagens que esclareciam as pessoas. Muitos anônimos que foram fazer análises comparativas entre os dois governos, mostrando os avanços da era Lula, foram determinantes para que pudéssemos demonstrar com clareza que as realizações justificavam o desejo pela continuidade, o que acabou por se confirmar.
Os comentaristas políticos ontem na Globo News eram a imagem da derrota. Não se continham, buscavam explicar as coisas e inferir o que pode ser, mas não conseguem mesmo imaginar os efeitos da vitória de Dilma que chega ao poder com maioria na Câmara e no Senado, aliás nesse segundo caso, bom dizer que a oposição própriamente dita não alcança número suficiente sequer para convocar uma CPI . Precisará negociar com o governo, com os partidos independentes.
O PT foi por muitos anos oposição. Antes, durante boa parte da ditadura, o MDB fez esse papel. Nos dois casos os partidos tinham uma proposta de poder, faziam críticas pontuais e mesmo quando criticou o Plano Real, o PT o fez por aquilo que o plano trazia de equivocado e que exigiu correções depois, caso específico do câmbio fixo igualado ao dólar, e que consumiu nossas reservas e exigiu novos empréstimos junto ao FMI, ao menos até a reeleição de FHC. Não votar em Tancredo Neves também estava dentro do contexto de que se pretendia eleger diretamente o presidente da República. O MDB também atuou contra a Arena, teve seus anti-candidatos, e atuou na oposição de maneira coerente.
As pessoas que conduziram a oposição ao governo Lula moveram-se por rancor, sem projeto. Atacavam pessoas, não propostas. Criticavam posturas, não ações de governo. Procuravam inimigos, não adversários. Faltava-lhes fidalguia em serem opositores qualificados. Há pessoas qualificadas na oposição, caso do senador Demóstenes Torres, do próprio Aécio Neves, mesmo o deputado Sérgio Guerra, do PSDB pernambucano, em que pese ser presidente do partido ( cargo que Serra agora ambiciona para não cair no ostracismo) no geral atacava políticamente mas não entrava em méritos pessoais.
O PSDB precisa rever seus conceitos pois enquanto a bílis paulista der o tom para a oposição, valendo o mesmo para os sem voto do DEM(cèsar Maia, Heráclito Fortes) ou um amargurado ex-senador amazonense,então a oposição irá continuar encolhendo. O PPs saiu dessas eleições com os ex-comunistas que guinaram à direita e perderam de vez a identidade. Podem fundir-se ao DEM ou ao PSDB e ninguém verá diferenças. O PV teve em Marina seu grande momento mas acabou apenas por servir de escada forçando um segundo turno. Os dirigentes ao optarem pela neutralidade também fizeram um papel feio. Nesse aspecto, Milton Temmer e Chico Alencar, ao defender um apoio crítico, foram muito mais coerentes, e a repercussão nas redes sociais, da declaração de Temmer mostra o que seus eleitores esperavam dele, não decepcionou.

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