Ir a Brasília me remete sempre ao passado. Cheguei àquela cidade com 3 anos de idade e vivi até os 18 ali. Descobertas, transformações, medos, conquistas e tantas coisas. Primeiro beijo, primeira namorada..tantas coisas sob aquele sol, e os traços do arquiteto, e nossos sonhos que perderam-se pelo Planalto Central. E volto à cidade mas dessa vez não é a visita escolhida e feliz, regresso para ver minha mãe e isso em qualquer outro momento seria uma grande felicidade, dessa vez não podia ser.
Elegante e charmosa, mesmo depois dos estragos feitos pela quimioterapia, fui visitá-la e pude estar com ela algum tempo. Almoçamos juntos, falamos de muitas coisas, tentava ser positivo e pensar que as coisas ainda podem mudar e desejo mesmo que de repente alguma coisa estranha aconteça e ela fique boa. Mas ao mesmo tempo a realidade está diante de nós e baseados nela, devemos estar próximos enquanto podemos e quando podemos. Sei que para meus irmãos ali cotidianamente é mais difícil, estou longe mas não significa que dói menos. Partilho aqui essas sensações porque de repente é também uma forma de lidar com tudo isso, mesmo assim também é um jeito de se liebrtar dos fantasmas, mas dizendo sempre, eu a amor demais.
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