quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

ASTOR PIAZZOLLA & GERRY MULLIGAN - LIVE IN ITALY 1974

O calor em Niterói é intenso apesar de uma chuvinha fina que cai. Sentado na sacada escuto essa bela apresentação que fundiu Jazz e Tango. Penso que Anos de Solidão é um lamento que se enquadra em um cenário de minha vida. Se aos poucos coisas boas acontecem no espaço profissional, uma perda anunciada e dolorosa se forma com mais intensidade. A "indigitada das gentes" como a chamou um dia o poeta, insiste em buscar minha doce referência afetiva, a mulher doce que me ensinou a gostar de música, de livros e que educou seus filhos para o mundo, que desejou que eles tivessem " raízes e asas" pois assim não perderiam as referências do lugar de onde vieram mas ao mesmo tempo, seriam livres para voar em direção os seus sonhos. Com ela nós sorrimos e choramos, vestimos as roupas de muitas encenações de Natal. Dona Magdalena Horlle é assim, doce e sensível, criou 4 filhos com muito afeto, amor e carinho, sempre nos abraçou, me mandou chocolates no Natal, e uma camiseta do Inter, porque não se deixa vencer pela quimioterapia, e o desejo de ter a presença dela por muito mais tempo me faz pensar que existe tanta gente má no mundo, que não faria falta, que seria uma boa troca algo como : Moreira Franco, Arthur Virgílio, José Serra, Deus os leva em um pacote, e deixa mamãe mais tempo por aqui. O mundo com certeza ficará mais doce e o Brasil agradeceria. Mas nesse momento, orações, corações e mentes, pedindo que o tempo seja clemente, a medicina cumpra seu papel e as esperanças se renovem, porque afinal de contas, quero mais natais com douçura e cartões, sim ela ainda manda cartões de Natal pelo correio...

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