A igreja ficava na entrequadra 403/404 Norte, em Brasília. Nossa casa era nos fundos minha irmã, meu irmão, eu e o caçula. Alguns dias antes meus pais compravam doces em distribuidoras e confeccionavam pequenos pacotes que seriam distribuídos às crianças após o culto de Natal. Minha irmã era a única autorizada por meus pais a entrar naquele espaço cheio de balas, pirulitos, chocolates...mas depois do culto também ganharíamos nossos pacotes.
Dona Magdalena acumulava as funções de diretora musical, regente do coral da igreja, diretora da peça, além de ser a mamãe noel, ajudar as crianças nos ensaios, também costurava nossas roupas, ou melhor, as vestimentas características que usaríamos no culto. Ela era dedicada e incansável, queria que tudo estivesse lindo e sempre acabava dando certo.
O pastor Herbert era carismático e tinha o dom de pregar e nos manter atentos, mesmo as crianças. Havia uma historinha a ilustrar a mensagem e naquelas noites de Natal tudo parecia e era mesmo muito mágico. A árvore, um enorme pinheiro natural, toda enfeitada, ficava perto do púlpito, em baixo, dois sacos vermelhos grandes onde ficavam os doces que seriam distribuídos. Natais simples e doces dos quais sinto uma imensa saudade porque podíamos estar todos alí naquele espaço de amor e união e depois do culto, da distribuição dos doces, depois íamos para nossa casa, só a família Hörlle.
A mãe e o pai entregavam nossos presentes e vinham da cozinha, assados no forno, nossos mistos quentes e Coca Cola à vontade. Nossas primeiras ceias de Natal em Brasília eram assim e tinham um sabor que poucas ceias, por mais fartas que fossem puderam ter. Uns tempos depois, vinha a tia Lali e o Ernst, ela era a única irmã de minha mãe no Brasil. Tinha três filhos e fazia um pudim de leite condensado que ainda me deixa com saudades.
Em 1976 quando mudamos para a casa nova, o Natal alí foi especial. Tínhamos uma casa própria, meu pai tinha vencido um câncer, estavamos todos alí reunidos depois do culto de Natal. Haviá Chester, pudim, presentes e o melhor, sempre, todos em amor reunidos.
A vida segue seus rumos e vamos pelos caminhos escolhidos., Alguns anos atrás minha irmã veio passar o Natal comigo, fomos a um culto como sempre fazíamos, ceiamos em minha casa com as crianças e lembramos de nossos natais...e mais um chegou, e devo pensar que estamos distantes físicamente mas nunca deixamos de estar unidos em amor.
Um comentário:
A lembrança do Natal na Igreja Luterana é a melhor lembrança de Natal da minha infância!!!!!!!!!!!
Obrigada por fazer parte dela!
bjs,
Júnia
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