terça-feira, 2 de agosto de 2011

Equações Celestiais, saudades Terrenas

A comunicação ágil fez chegar a minha caixa de correio primeiro e, depois uma mensagem no mural davam conta de que meu amigo Amadeu Barin Filho, com quem tive o prazer de trabalhar no Curso Mauá e no Colégio Americano, deixou carentes os ex-alunos e aqueles que o conheceram. Não mais poderemos ter sua companhia e me recordo com detalhes, lastimo mesmo que na época não haviam celulares com câmera pois com certeza, eu teria fotografado várias vezes os quadros negros nos quais ele expunha e explicava a matemática.

Havia naqueles quadros paíxão, muita arte e uma simetria tão perfeita que eu, cuja escrita era irregular, que sempre misturei as letras, sempre apagava com pena, como se estivesse destruindo uma obra de prima, o quadro do Amadeu. E todas as vezes sentia isso. Ele tinha por seu trabalho um carinho romântico e com certeza, se mais professores de matemática existissem e fizessem seu trabalho da forma como o Amadeu, a Magáli, a Dolurdes e alguns poucos que conheci fazem, faz muito que estudar matemática teria se convertido em prazer ao invés de ser uma ameaça de castigo, um desconforto nerd.


A iinformação foi enviada por uma professora de matemática que, por sua vez a recebeu de outra professora de matemática,ex mulher do professor de matemática. Mas todos sentimos que nessa subtração da presença do amigo, a equação do afeto ficou mais complexa,não sei ao certo que acontece aos catetos, nem a razão da proporção da perda, pois isso é particular, a parte faz falta ao todo e nessa intersecção de sentimentos, menos aqui não vai virar mais,pela simples razão de que não é possível repor,não fecha essa conta mas o que conta é o carinho que nos une e desejo à Ju e ao Mano, o subproduto afetivo mais caro da existência do Amadeu,que lidem com a dor como lidaram com a vida, com esse desprendimento de quem sabe que no fim das contas, o amor se impõe. Dodô também receba meu carinho afetuoso e somam-se a vocês em solidariedade todos que vos conhecem e sabem o quanto vocês são especiais.

Vai Amadeu, desenhe quadros no céu, e daqui imaginaremos aquelas linha simétricas que tanto nos encantaram.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Era uma Vez a Cozinha

As pessoas consomem coisas que as deixam felizes. Alguns que conheço compram nesses sites ou através de programas que estimulam as pessoas para que adquiram as coisas mais bizarras. Me recordo com um divertido sorriso que as crianças lá de casa sempre foram muito criativas e um dia organizaram o programa: Não lembro o nome mas, digamos que soasse como Trouble Shot. Carol era a apresentadora, Chiquinho fazia a função de Câmera man e Nathalia era a consumidora a quem não sei por qual razão eles denominaram dona Maria do Carmo. Nessa época, Carol devia ter uns 12 anos, Francisco seus 9 ou 10 e Nathalia uns 8. Estávamos fora trabalhando e quando chegamos eles haviam produzido um programa muito divertido.
Hoje ao acompanhar as peripécias de uma querida amiga candidata a chef, e comprou um fogão para descobrir que o mesmo não cabe em sua cozinha. Havia toda sorte de sugestões. Tirar a porta, derrubar parede, subir o fogão com uma corda, para tentar que entrasse pela janela. Mas creiam, ela nem sequer usou e vai ter que vender aquele objeto de desejo convertido em produto de consumo, quase reduzido a móvel de decoração e por fim rebaixado à categoria de "Porcina Culinária"uma vez que Foi sem nunca ter sido, já que minha querida Aninha nem água conseguiu esquentar, porque o fogão não entrava, nem de ladinho...
Bom, a cozinha não ganhou um novo fogão, a Ana estava furiosa com a compra mas logo encontrará quem assuma o bicho, espero apenas que ela não desista de ser chef e se aprimore em dotes culinários que espero poder provar quando ela vier passear por aqui...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Tornar-se Seguidor

Existem muitos blogs por aí e o meu foi criado de maneira descompromissada e tenho certa dificuldade em manter a periodicidade das publicações, muito embora reiteradas vezes tenha postado aqui que desejava porder fazer isso; Mas nem sempre as coisas andam da maneira como desejamos e alguns projetos tornam-se mais difíceis de serem mantidos, mesmo assim ainda me esforço e talvez acabe conseguindo.

Um amigo mantém um blog e decidi tornar-me seguidor porque gosto de muitas coisas postadas alí e o humor ácido que ele pratica em geral me faz bem. Por essas e outras que Oscarmundongo.blogspot.com é agora um dos poucos blogs que eu sigo.

sábado, 30 de abril de 2011

Mães,Não há Um Dia,são em tempo integral

A minha avó tem 97 anos e preocupa-se com todos seus filhos. Minha mãe, manda presente de Natal, acompanhado de cartão, preocupa-se com cada um de seus filhos e ora por eles todas as noites pedindo a Deus que os guie e proteja. Mas essas mulheres maravilhosas são apenas minha referência familiar que define esses seres especiais, para os quais seremos sempre crianças, e elas preocupam-se mesmo quando se tornam o objeto de nossas preocupações.

Os filhos devem ser criados, isso minha mãe disse a mim e aos meus irmãos, devem ser criados com raízes e asas. Saber que haverá sempre um lugar seguro para onde voltar, o coração materno será sempre esse abrigo quando o mundo parecer frio e cinzento, mas também, devemos poder ir em busca de nossos sonhos, voar em qualquer direção,e as mães nos preparam para isso.

Uma vez lí que as mulheres passam por mudanças auditivas quando tornam-se mães. Ficam mais sensíveis a sons agudos para que despertem quando os bebês choram. Creio que isso aconteça mas e depois? mesmo quando crescemos, elas continuam a se preocupar, passam a escutar com o coração, sentem quando algo não vai bem, não importa a distância física,elas sabem,nunca adianta ocultar nada de uma pessoa que nos deu a vida porque ela vai saber.

Há um dia em maio que convencionou-se como sendo dedicado às mães. Mas sabemos todos, que elas o são em tempo integral, desta forma, podemos até usar o dia para mandarmos mensagens, cartões, darmos presentes ( contanto que não sejam panelas nem quaisquer outrso utensílios domésticos, dêem passeios, viagens,almoços, jantares, dias de limpeza e faxina em que elas nada precisem fazer) mas elas contentam-se com um simples: Mãe, eu amo você, sempre vou te amar e sou grato por esse teu incondicional amor.

Em Algum Lugar do Passado

O filme que dá título a esse post é de uma poesia lindíssima, a trilha sonora também foi escolhida com apuro, cuidado, e faz com que nos sintamos dentro do enredo, transportados nele através dos detalhes envolventes. E a escolha se justifica pois através da internet fui reencontrando pessoas muito queridas de um passado recheado de eventos especiais.

Era a década de 1990 e tornei-me professor de história do Colégio Americano, que havia passado a se chamar Instituto Metodista de Educação e Cultura, mas ainda permanece o nome com que ficou conhecida essa instituição de ensino fundada em Porto Alegre em 1885 e que se afirmou na cidade. Minha mãe havia estudado nesse colégio e quando soube que eu me tornei professor lá, ficou muito contente e contou aos meus avós, tios, fechava-se para eles um ciclo familiar e todos acharam interessante mas, isso me impunha uma obrigação extra, fazer bem o meu trabalho.

O professor, era também ativista político, filiado ao sindicato, acreditava nas lutas e sendo oriundo da faculdade de história, sentia-se compelido a participar das lutas e a escola era tambem um micro campo de lutas onde me tornei delegado sindical. Tínhamos uma associação de professores que lutava internamente pelas demandas conforme as mesmas se apresentavam e isso fazia com que muitas vezes houvesse conflitos com a direção da escola.

A direção do colégio estava a cargo da professora Eliane Thaís,docemente conhecida como Nina, ela realmente foi uma linda pessoa com quem tive o privilégio de conviver e mesmo não estando mais em nosso convívio, creio que a passagem dela pela terra enriqueceu aqueles que a conheceram. Acima dela, como diretora geral, estava a profesora Alba Salgado Beloto, a quem cabia a palavra final em nossas negoiações e ela era muitas vezes dura, aprendi demais com aqueles embates e creio que tenham contribuído para minha atividade como advogado. Estávamos em lados opostos, elas representavam os patrões e a nós, da associação, cumpria a função de defender os empregados.Mas sempre houve respeito mútuo, mesmo quando discordávamos, era com fidalguia e acredito que em alguns momentos conseguimos mesmo ter uma relação de proximidade cúmplice. No aniversário dos 105 anos da escola, se não me falha a memória, a APIMEC(entidade dos professores) pagou a instalação de alguns "outdoors" cuja arte foi confeccionada por um ex-professor de artes. Foi nossa maneira de homenagear a instituição pela qual nutríamos verdadeiro afeto. Nina chegou à escola, nos chamou a sua sala e disse que : " chorei ao ver o outdoor, assim vocês me matam de emoção." Se não me engano, a professora Magáli, era quem presidia a associação, e o Paulo Reverbel era o vice, eu continuava delegado sindical. Foi um momento muito agradável em nossa relação.

Os alunos que conheci ali, e muitos deles estou reencontrando graças a internet, foram e são importantes em minha vida. Sinto uma pontada de orgulho ao ver os caminhos que escolheram, as pessoas nas quais se tornaram. Ensinei a eles os conteúdos de história previstos em nosso programa, mas procurei ser também amigo, e aprendi muito com eles.

Assim o presente e o passado se encontram nas ondas da banda larga. Mandei e recebi pedidos de amizade, troco mensagens, posso estar de novo em contato com tanta gente querida. Se fosse postar aqui um música dedicada a todos eles, creio que seria o tema daquele filme com Sidnei Poitier:" Ao Mestre Com Carinho". Um dia em uma formatura, já aqui no Rio, quando fui um dos professores a quem fizeram homenagem eu disse que tínhamos algo de vaidade, uma busca pela imortalidade, pois imaginávamos que nos perpetuaríamos através daqueles a quem ajudamos a formar...não sei se isso faz sentido mas,aqueles meninos que chegaram em minha sala de aula, na turma 101,ou 102... e depois, ao sair, nas turmas 301,302... hoje muitos estão casados, alguns tem filhos, e meus colegas estão em diferentes escolas, formando mais gente, e mesmo aqueles que não mais estão físicamente entre nós, permanecem em nossas carinhosas lembranças.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O Caderno (Toquinho) - Cristina Motta

Era 1990 quando fui contratado como professor de História Geral,para os alunos do primeiro ano do segundo grau(hoje ensino médio) e também lecionava História do Brasil para os alunos do terceiro ano. Eles se encontravam comigo ao sair do então ginásio,quando estavam com 14, 15 anos, e depois, aos 17,voltávamos a nos encontrar.
O Colégio Americano, instituição Metodista tradicional em Porto Alegre, na qual minha mãe havia sido aluna nos anos 1950, foi especial em minha vida por uma serie de razões. Os professores com quem tive o prazer de trabalhar, o momento histórico vivido,e de uma maneira mais do que especial, os alunos que conheci durante os anos em que lecionei naquela instituição.
Era tradicional mas nos permitia ousar. Festival de músicas com letras baseadas no conteúdo de biologia moviam o "Bio In Concert", e nós da história, junto com o pessoal de português, literatura, filosofia,matemática(porque os professores daquele tempo, naquela escola, praticavam uma interdisciplinaridade linda)bolamos o "Oscarito" festival de vídeos produzidos pelos alunos. Categoria ficção e documentário. Fantásticas mentes criativas produzindo diferentes coisas. Também tinha gincana, olimpíadas das escolas metodistas, entre outros projetos.
E também teve greve, e conflito, demissões e perdas. Mas todos crescíamos,a convivência era positiva,ensinávamos nossas matérias, mas aprendíamos muito com nossos alunos também. Quando o Inter(meu time) perdia, já sabia que haveria algo no quadro sobre a derrota, logo que entrasse em sala mas, quando era o arqui-rival que tropeçava, sabiam os gremistas meus alunos, que também me divertiria.
A primeira passeata pelo Impeachment de Collor, no ensino privado do RS, partiu do Colégio Americano,um grêmio estudantil ativo,estudantes que participaram daquele momento histórico e hoje estão pelo mundo:engenheiros, advogados,médicos,fotógrafos,músicos,arquitetos,designers,foram em busca de seus sonhos, da realização.
E tanto tempo depois, graças aos recursos da internet, aos poucos, vou enconrando alguns,vendo seus progressos, sentindo-me orgulhoso porque, em algum momento de suas vidas, por breves instantes, pude de alguma forma contribuir com aquilo que eles decidiram ser.
Cada pedido de amizade no facebook me deixa alegre,e vejo a página, descubro o que fazem, muitos deles casados, com filhos, sim, o tempo passa para todos nós, e a escolha dessa música tem a ver com nossos tempos na escola...de ver cadernos rabiscados, corações desenhados,emblemas de times de futebol,e tudo que comportava um caderno.
Meus queridos ex alunos, meus amigos,desejo que sejam felizes em cada etapa de vossas vidas e na minha, vocês me deram muitas alegrias, tenham certeza.

Atrasos e Periodicidade

Ter um blog deveria também implicar na responsabilidade de escrever nele cotidianamente, atualizar os conteúdos e coisas assim, mas eu tenho essa dificuldade, de vez em quando venho e posto vários conteúdos, sinto-me à vontade para escrever e compartilhar mas em outros momentos, simplesmente não venho, ou porque nada há que eu desejo compartilhar ou, apenas ando sem inspiração.

Outro dia alguém me disse que basta postar qualquer coisa, mas isso me incomoda, mesmo assim, hoje, quando vim ao blog, planejava postar algo sobre meus tempos de Colégio Americano, Porto Alegre, anos 1990. Mas decidi que isso será feito com alguma música pertinente ao fundo, enquanto isso, peço desculpas ao amigos, aos leitores,por essa minha inconstância aqui,tentarei ser mais assíduo.

sábado, 19 de março de 2011

World War 3 ( 2012 ) : The Horrors

E o povo líbio agora vive cenas semelhantes,exposto aos ataques iniciados no dia de hoje, com caças franceses e navios norte americanos lançando bombas sobre seu território. Acusaram o presidente da Líbia de bombardear civis, o Conselho de Segurança da ONU autorizou uma "zona de exclusão aérea", não sabia que essa expressão era também um eufemismo para justificar ataques que em geral penalizam muitos mais a população civil. Trata-se de um país soberano que agora pode revidar e muitos dirão que tais atrocidades visam o bem do povo de um país governado por um tirano que, faz 42 anos governa a Líbia. Curiosa essa seleção de inimigos e "ditadores" porque até pouco tempo os governantes do Egito e da Tunísia eram aliados do Ocidente e só quando não foi mais possível manter os mesmos no poder, que "consentiram" com as revoltas e mesmo assim pretenderam dar a elas uma conotação distinta, suavizaram os efeitos. O mundo não pode simplesmente assistir esse ato de agressão injustificada, as armas de destruição em massa do Iraque até hoje não apareceram.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Revoltas Árabes e Política Internacional

A União Européia declarou faz pouco(20:45 horas em Brasília) que não reconhece mais a autoridade de Kadaffi e passa a ter nos rebeldes os interlocutores oficiais. A medida não deixa de ser, em minha opinião, precipitada. Kadaffi ainda é o presidente da Líbia, mesmo que seu governo não seja nenhuma democracia, como não era o governo de Saddam Hussein ou o ex presidente da Tunísia. Precipitam ou tentam forçar a queda do governante líbio mas é curioso ver que são atos e apoios escolhidos. Ninguém mais fala da ditadura militar em Mianmar, talvez porque a China, que também ocupa o Tibet, demonstre sua contrariedade quando outros opinam sobre o seu quintal. Como não é bom, econômica nem militarmente, ter a China como inimiga, deixam tudo em paz...
A política internacional tem essa flexibilidade curiosa que envolva escolhas e apoios. Não apenas os EUA, mas também a União Européia e mesmo países da América do Sul, especialmente o Brasil, tomam a postura que julgam mais adequada aos seus interesses. O fim da Guerra Fria não impõe mais um alinhamento "automático" como foi no passado. Embora a imprensa muitas vezes apenas reproduza o que interessa aos " donos do poder " e seus "patrões ou sócios" e isso produz muitas críticas, como foi o caso de nossa aproximação com o Irã, ou a Venezuela de Chaves. Mas isso faz parte de uma política externa independente que a liderança de Celso Amorim soube conduzir e espero sinceramente, Antonio Patriota saiba conservar, sem medo dos críticos de plantão que, por suas preferências só consentiriam que tivéssemos embaixadas em Londres, Tóquio, Washington,Roma e Paris. E o mundo é mesmo muito maior do que isso, nossas relações comerciais que se dinamizaram com o mundo árabe, com o Leste Europeu, Pequim, tudo isso tem produzido resultados importantes em nossa economia, hoje não há mais espaço para esses patrulhamentos de "esquerda e direita" como se fosse a marcha cadenciada de cadetes num quartel.

Depois do Carnaval

A Beija Flor foi campeã com um enredo sobre Roberto Carlos. Uma homenagem bonita porque a pessoa usufrui em vida e creio que deve ser uma enorme emoção estar na avenida tendo sua história contada de uma forma tão poética. Há de se lembrar que em 1987 a Unidos do Cabuçú apresentou enredo com o mesmo tema mas naquela oportunidade não logrou ir além de um sétimo lugar...
O carnaval tem seu aspecto popular, o apelo romântico dos barracões, pessoas apaixonadas trabalhando incansavelmente para que tudo aconteça da melhor maneira. Mas também não de pode deixar de entender essa megafesta como um grande negócio. Carnavalescos são disputados, recebem propostas de trabalho atraentes e mudam de agremiação. As Raínhas de bateria, antes escolhida dentre as moças da comunidade, hoje são celebridades do meio artístico e algumas vezes chegam a "contribuir" com a escola para poderem ocupar o posto e ganhar uma visibilidade, mesmo que por apenas um tempo de desfile.
Os jurados são escolhidos pela Liga Independente das Escolas de Samba, uma organização que tem administrado a festa de maneira competente, mesmo que muitos de nós possamos questionar determinadas escolhas e atitudes, em termos gerais, a LIESA faz um bom trabalho. Não vou tecer considerações sobre a notória presença de contraventores na organização do carnaval porque nesse quesito, os considero Mecenas e a festa não teria se perpetuado sem a contribuição desses senhores. Moralismos hipócritas de nada servem quando a Cultura é beneficiada e ninguém sai prejudicado.
As opiniões se dividem após o resultado da última quarta feira. Os apaixonados por suas escolas criticam os jurados mas também existem aqueles, como eu, que não possuem uma "paixão de escola" semelhante àquelas que temos por clubes de futebol, que assistem os desfiles e julgam por critérios como : enredo, alegorias, fantasias, não tenho capacidade musical para julgar bateria e outros aspectos mais tecnicos. De toda forma, pelos meus quesitos e os de alguns amigos mais afeitos às coisas do Carnaval Carioca, a Unidos da Tijuca merecia o título e a Vila Isabel teve desempenho melhor que o da Mangueira e ainda, o Salgueiro, mesmo tendo se demorado alem do tempo regulamentar, fez um belíssimo desfile.
Campeã Moral, Campeã do Povo, isso creio que a Unidos da Tijuca pode dizer que é: campeã dos corações.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Nossos Militares São Intocáveis?

A Argentina trouxe novamente ao banco dos réus generais já condenados, um a 25 anos de detenção e o outro a prisão perpétua pelos crimes praticados durante a ditadura naquele país. Dessa vez respondem pelo sequestro de mais de 30 crianças, filhos de militantes políticos, que foram detidas grávidas, tiveram seus filhos no cárcere e esses bebês foram entregues a militares ou famílias de posses que não podiam ter filhos e apoiavam o regime.
O Brasil não abre os arquivos, punir os militares parece uma afronta que ninguém ousa impor e diante desse acanhado comportamento fica difícil olhar para a história de nossos vizinhos: Uruguay processou e puniu os ditadores, a Argentina, o Chile mas aqui devemos simplesmente "virar essa página, seguir em frente, deixar de revanchismos" apenas para reproduzir algumas das coisas que já foram publicadas a esse respeito.
Os desaparecidos, até que provem em contrário, foram sequestrados, alguns, como Rubens Paiva, diante da própria família: se o sequestro dura enquanto não aparece a vítima, ou seja, trata-se de crime permanente, encontrar as pessoas que ordenaram essas praticas ou apenas seguir as cadeias de comando levaria aos responsáveis que ainda estão sujeitos ao devido processo legal. Mas tememos tratar nosso passado com seriedade e respeito àqueles que foram sacrificados em nome da democracia que hoje usufruímos.
A história é feita por todos, construída pelas micro realidades que somadas formam um todo. Não pertence a vencedores ou vencidos, a generais, comandantes ou " grandes vultos" mas é propriedade de todo país. Aos familiares dos desaparecidos aprova-se uma pensão, estipulam um valor indenizatório muitas vezes questionado ou criticado por muitos, em especial a grande imprensa, e acreditam que isso seja o suficiente para " sepultar o passado"! Nesse quesito, a iniciativa da OAB-RJ, sob a liderança de Wadih Damous, cobrando os arquivos e deixando expressa a vontade de que tenhamos as devidas respostas, é um passo importante.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Seres, Produtos e Miséria

A experiência de convívio forçado produz desgastes em todo tipo de ambiente. Da concentração de um clube de futebol aos presídios. Mas reunir pessoas em uma casa, oferecer a elas um prêmio àquela que conseguir permanecer até o final eliminando as outras, é algo que estabelece outro tipo de parâmetro: a ambição e o que as pessoas estão dispostas a fazer por dinheiro.
O ser humano tem ambições e desejos, a vaidade é o pecado favorito inventado pelo diabo, pois em nome dela as pessoas cometem todos os demais pecados capitais, e entre eles está a ganância. Mas é curioso ver que em um produto vendido ao público como é esse Big Brother, inspirado na obra de George Orwell 1984, onde o " Grande Irmão" observava tudo e todos, o prêmio em dinheiro é um incentivo mas a exposição, a possibilidade de contratos publicitários futuros que vão desde pontas em novelas, posar nua para revistas masculinas, nú para revistas gays, divulgar alguma coisa sua (música, poesia, rap) adquirir uma notoriedade qualquer, mesmo que ela dure alguns meses após o término do programa.
As 10 edições anteriores do programa pareciam um pouco mais contida, não porque os participantes fossem mais pudicos mas creio que a própria orientação delimitava um pouco as coisas e dessa vez, em busca de audiência e polêmicas houve uma candidata transexual, um candidato gay, esses eram de conhecimento público mas além destes, se todos ali assumissem suas escolhas ou preferências sexuais, esse não seria o Big Brother da diversidade mas talvez fosse o com maior incidência de homossexuais. Nada disso afeta nossas vidas, quem sai ou fica, o próximo paredão, as angústias das pessoas que pretendem chegar ao prêmio milionário. Mas as pessoas na rua fazem escolhas, comentam e muitos tem ficado admirados por ser essa a edição mais promíscua, onde os competidores não tem o menor auto respeito, o corpo é apenas parte da estratégia, um sexismo tosco e muitas vezes exagerado.
O merchandasing do programa é intenso e gera ganhos enormes para a emissora. As pessoas pagam ao ligar, compram o pacote do " pay per view" , existe uma loja com os produtos do programa, os patrocinadores exclusivos e aqueles que compram publicidade durante o programa. O prêmio a emissora arrecada em uma única noite em que as pessoas ligam ou mandam torpedos para votar em um dos escolhidos para sair do programa.
A emissora soube vender seu produto e vários clientes avaliaram que seria boa publicidade. Dentre muitas coisas, dou uma dica aos representantes da Kia Motors no Brasil: exijam a revisão do que pagaram pelo merchandasing dos carros na novela " Insensato Coração" porque ela segura a audiência do BBB11 e na primeira chamada pós novela, entra o comercial da Fiat, que não pagou a mesma cota do preço de merchandasing em uma novela de 6 meses, mas está com uma exposição privilegiada.
O que você estaria disposto a fazer por um milhão de Reais? que valores você trairia? não digo amizade, pois ao entrar em uma disputa dessas ningém pensa em amigos. Fidelidade tambem é produto raro nesses programas. Sedução pode ser uma tatica de disputa, mas vale tudo? As pessoas na rua parecem incomodadas com os níveis de baixaria estimulados pela emissora, sobretudo nas festas, onde a bebida liberada faz com que os participantes percam as inibições e tudo é permitido, até a música do Tim Maia deixa de ser respeitada, afinal " só não vale dançar homem com homem nem, mulher com mulher, o resto vale tudo" nesse big brother também vale mulher com mulher e o que mais acharem que vale...sem moralismos, mas com certeza é a miséria humana televisionada e levada a nívie impensáveis tempos atrás.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Ziraldo, Monteiro Lobato, Carnaval e Preconceitos

O Brasil é um país com maravilhosa diversidade étnica. Darcy Ribeiro conseguiu ver em nossa mestiçagem traços positivos que indicavam a capacidade do brasileiro expressa nos mais diversos campos e que era necessário superar aquela " síndrome do cachorro vira lata" à qual se referiu Nelson Rodrigues e também Roberto DaMatta. A herança preconceituosa que atribuía à mestiçagem uma das razões do nosso atraso.
A produção cultural do Brasil nas décdas de 1930-1940 analisava questões relatvas à raça. Estudos de Gilberto Freyre ( Casa Grande & Senzala) Sérgio Buarque de Hollanda(Raízes do Brasil) e o racismo era algo que estava bem presente na explicação das mazelas do país, pois não analizava-se então um conjunto de outras questões: no sul do país, por exemplo, a população negra é menor do que a verificada no Nordeste e no Sudeste e na lógica de uma política de cotas, migrar para o sul assegura uma vaga que, na Bahia, SP ou RJ torna-se improvável.
Faz alguns anos, em debate promovido por instituição privada de ensino superior no RJ, estive com o então vereador Edson Santos, posteriormente alçado à condição de Ministro da Igualdade Racial no final do governo Lula. Naquela oportunidade argumentei que a COTA SOCIAL seria mais adequada à realidade brasileira até por conta da intensa miscigenação. No passado as cédulas de identidade definiam a raça em: Branco, Negro e Pardo. Bom, uma pessoa branca, cuja mãe seja parda, técnicamente seria afrodescendente mas ela não usufrui de uma política de cotas e muitas já foram declaradas " claras demais ou não serem negras o bastante", o que também seria racismo mas isso não entrou na discussão. Naquela oportunidade ele apresentou frágeis argumentos para a defesa de cotas dirigidas apenas a uma raça em especial.
Monteiro Lobato era racista como muitos de sua geração e mesmo assim, produziu livros que nos encantaram a todos antes desse processo de "revisionismo às avessas". Foi defensor de nossas riquezas, conseguiu estimular crianças a descobrirem o gosto pela leitura e agora, tantas décadas depois, tudo isso se perde porque a postura pessoal dele macula sua obra?tenho minhas dúvidas.
Na década de 1970 um estudo antropológico intitulado: Para Ler o Pato Donald, fazia uma releitura do universo criado por Walt Disney, incluindo a comparação entre os personagens que representam as Américas e como essas regiões eram vistas: Brasil , América do Sul, Zé Carioca:malandro, sambista que mora no morro e engana a Rosinha; Panchito é um pato de sombrero, sempre preocupado com a "siesta" e que representa o México e a América Central e por fim, o dedicano mas as vezes atrapalhado Pato Donal, branco, cuida dos sobrinhos, trabalha para o tio Patinhas, seria o estadunidense da classe média...Não lembro de terem execrado os trabalhos de Disney e os personagens continuam por aí...
Não tenho procuração para defender o Ziraldo e nem creio que ele precise:Menino Maluquinho, Flicts, entre outras saborosas leituras também ajudaram as crianças do Brasil a descobrirem a leitura. Vendeu um personagem para a ditadura é forte. Pelé declarou que os brasileiros não estavam preparados para votar, logo depois de ter feito o milésimo gol, ninguém fala disso por que?Charlie Brown Júnior vendeu sua música para a Coca Cola, e aí?também devemos persegui-lo?
Esse texto foi motivado a partir de um material que postaram e com o qual me incomodei: No Blog " O Biscoito Fino e a Massa" há uma " Carta Aberta ao Ziraldo" no endereço:www.idelberavelar.com

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Years of Solitude / Años de Soledad

Era uma manhã cedinho, e o menino Ronaldo Nazário tomou o trem para ir ao São Cristóvão treinar futebol. Estava começando e as vezes nem o dinheiro do trem a mãe dele tinha. Mas os treinos revelaram um menino talentoso e logo o grande Jairzinho, o " furacão da Copa de 1970" viu que valia à pena investir. Comprou o passe e levou Ronaldo para o Cruzeiro. Tinha 16 anos e a vida começava a mudar, mas Bento Ribeiro nunca saiu de dentro dele. Depois de chamar atenção no Cruzeiro, ainda um menino, " ganhou" a Europa, esteve na Copa de 1994 quando o Brasil conquistou o Tetra, era então um jovem de 17 anos. E seguiu seu caminho de gols, contratos, ganhou dinheiro, fez algumas escolhas equivocadas, foi pressionado por patrocinadores, escalado fora de condições por técnicos inescrupulosos. Ronaldo Nazário foi dado como acabado quando se contundiu na Itália. Mas ele seguiu em frente e conseguiu tornar-se o artilheiro da Copa de 2002. Jogou com alegria e vontade, parecia de novo aquele menino de Bento Ribeiro. Mais frustrações, novas feridas, velhas marcAS..Veio encerrar a carreira no Brasil, foi jogar no Corinthians e quando não havia mais nada a provar, foi humilde em se desculpar aos torcedores por não avançarem na Libertadores da América. Encerra sua carreira, em minha opinião, continua digno, espero que seja feliz e avalio que deu muitas alegrias aos torcedores dos times pelos quais passou e ao Brasil, apesar das copas em que o sucesso não aconteceu...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Abusar da Liberdade de Expressão

Em sentença que condenou alunos da faculdade de farmácia da UNB a pagarem indenização por dano moral a uma professora, a juíza utiliza essa expressão:

"Na hipótese em que tivessem representado perante a autoridade competente, apontando objetivamente fatos que considerassem incompatíveis com a rotina universitária, não haveria como lhes imputar qualquer ilicitude. Mas preferiram abusar do direito de crítica, expondo a professora e afrontando sua reputação profissional perante os seus pares e o restante da comunidade acadêmica."(LINK PARA O SITE DO TJDF COM A SENTENÇA - http://tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?MGWLPN=SERVIDOR1&NXTPGM=tjhtml122&ORIGEM=INTER&CIRCUN=1&SEQAND=139&CDNUPROC=20050110725634)

As relações acadêmicas devem ser pautadas pelo respeito e muitas vezes os alunos exacerbam seu direito de crítica e o fazem de forma pública sem buscarem antes as vias institucionais adequadas mas também, é importante destacar, que tendo buscado sem sucesso os caminhos que seriam os mais adequados, premidos pela ansiedade em verem seus pleitos atendidos, muitas vezes os alunos acabam perdendo a paciência ou simplesmente desacreditando que aqueles que podem, farão algo para mudar uma situação que precisa ser resolvida.
Em instituições públicas, estaduais ou federais, em geral as exigências para o ingresso são bastante rígidas e regulamentadas nos parâmetros da CFRB/88 nos termos do artigo 37. Diante disso, acredita-se que um professor admitido para a função preencha os requisitos que o cargo impõe e a lei prevê, bem como o que em geral vem disposto no edital para o certame que trata do provimento do cargo em questão.
Os mesmos critérios, infelizmente, ainda não são uma realidade no ensino privado e a proliferação de faculdades apenas agravou o problema. Existe gente despreparada atuando em diferentes faculdades e os alunos, nesse caso, consumidores de produto educacional, nem sempre conseguem ter seus direitos respeitados. O fracasso de muitos nos exames da OAB demonstra que tem faltado cuidado e fiscalização por parte do MEC ao credenciar novos cursos. Poder-se-ia falar em " estelionato educacional"? estariam os donos ou controladores de algumas instituições ( considerando-se que algumas delas abriram capital em bolsa e tornaram-se S.A) " obtendo para si ou para outrem vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento" ( CP art 171 Caput).
A pedagogia muitas vezes requer sim, uma punição, para que as pessoas sejam chamadas às suas responsabilidades e saibam que existem limites a serem respeitados. Os estudantes da UNB foram esclarecidos quanto aos " excessos no uso da liberdade de expressão". Espero que tal fato seja apenas o começo de novas reflexões sobre as condições de trabalho e a realidade acadêmica nas instituições, tanto públicas quanto privadas, onde se produz, difunde e aprofunda o estudo universitário.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Frederic Chopin - Nocturne In E Flat Major, Op.9 No.2

De repente a chuva traz até nós transformações e vemos o quanto somos pequenos diante da natureza. Mas ao mesmo tempo em que nos assusta a fúria do tempo, nos compadecemos e conseguimos abandonar a vida individualista dos tempos modernos e recuperamos um senso de solidariedade. Por uma janela no tempo, os corações e mentes abrem-se à necessidade alheia e nossos pequenos problemas viram nada comparados àqueles que em instantes perderam a casa, a família, tiveram seus sonhos soterrados.

Vivaldi, As 4 Estações - Verão 3° Movimento

A chuva começou a cair na madrugada, intensa e inclemente arrastava tudo pelo caminho. As pedras soltavam-se das encostas e não havia nada que as detivesse exceto aquelas casinhas onde dormiam famílias. Era uma passagem de tempo que se tornava catastrófica. Um cachorro late assustado, ouvem-se estrondos, mais uma casa cai, mais árvores e pedras...agora um caudaloso rio de lama avança com fúria, e as pessoas surpreendidas de seu sono demoram a entender o que está acontecendo. O dia amanhece o cenário é de tristeza, medo e desolação. Mas a chuva recomeça, e mais barreiras caem, falta luz, os telefones param de funcionar. O barulho da chuva, dos desabamentos, gritos de dor e desespero, em um instante perde-se a vida, a casa, os pais são separados de seus filhos...a lama soterra, o rio leva...os corpos fundem-se ao cenário e o mundo vê estarrecido a natureza cobrando sua fatura. É um verão de medo, de caos, mas também a solidariedade e o amor, tantas vezes testados nesse país, mostra um povo solidário onde até os que tem muito pouco querem ajudar àqueles que em um momento ficaram sem nada. Porque somos assim, unidos na dor, solidários e sentidos. Articulam-se grupos de ajuda, Ongs, e mesmo os animais, perdidos entre os escombros, são objeto de atenção e cuidado. Pessoas se comunicam, reunem amigos, procuram ajudar, cada um a sua maneira. Há oportunistas, sempre existem aqueles que buscam tirar proveito da tragédia mas esses poucos não tiram a beleza dos gestos de amor. Não existe raça, cor, credo, preferência política. Pessoas precisam de ajuda. Pessoas querem ajudar. É o verão, intenso e forte, rápido como os andamentos dessa música...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Who is God? - A Seqüencia Fibonacci

Para aqueles que acreditam ser a matemática algo insosso e sem graça, e também homenageando aquelas pessoas que me ensinaram a gostar da matéria: Magali, Rosana, Dolurdes, Maria Laura, Jô, essas mulheres com quem tive o prazer de conviver em Porto Alegre, e que ainda hoje estão presentes em minha vida. Laíse também tem apreço por matemática, algo nem sempre comum entre operadores do direito. Não sou bom em modelos ou fórmulas, mas gosto de aprender e observar...

A Grande Mídia e Lula

Aristóteles disse certa vez que " A Lei é a Razão Livre da Paixão". E as recentes notícias sobre o ex-presidente Lula e seus familiares portarem passaportes diplomáticos, como se tivessem cometido algum ato condenável, foi repercurtido à exaustão pela mídia, notadamente os mesmos veículos que estiveram apoiando a candidatura de oposição à presidenta Dilma. Permanecem em sua cruzada para desacreditar o ex presidente que deixou o poder com quase 90% de aprovação popular.
Justificando a citação com a qual iniciei esse texto, vejamos o que diz a Lei 5.978/2006, artigo 6º:
" (...)Conceder-se-á passaporte diplomático:
I- Ao Presidente da República, ao Vice Presidente e aos Ex- Presidentes da República;
II- Aos Ministros de Estado, aos ocupantes de cargos de natureza especial e aos titulares de Secretarias especiais vinculadas à Presidência da República;
III- Aos Governadores de Estado e do Distrito Federal;
Parágrafo 1º: A concessão de passaporte diplomático ao cônjuge, companheiro ou companheira, a dependentes das pessoas indicadas nesse artigo será regulada pelo Ministérios das Relações Exteriores..."
O ex-presidente FHC não usa nem utilizou depois que deixou o cargo, um passaporte diplomático? e nenhum de seus dependentes? E mesmo assim um dos filhos de Lula informou que vai devolver o passaporte diplomático, o que faz apenas para que o deixem em paz, pois usar o referido documento é legal. O presidente da OAB, até mesmo em função da relevância do cargo que ocupa, deveria ser mais comedido em seus comentários, ainda mais quando aquilo que ele condena encontra-se disciplinado em lei. Acredito que as declarações de alguém que representa a categoria dos profissionais do direito não devam ser pautadas apenas por aquilo que a mídia diz, sob pena de transmitir insegurança àqueles que representa porque ao condenar o ex presidente Lula, explicitou seu desconhecimento do texto legal acima referido.
Em outros países os ex-presidentes são tratados com respeito e consideração e no caso de alguém que terminou o mandato com a popularidade de Lula, isso deveria ser ainda mais intenso. Não me recordo de questionarem outros ex-presidentes, de perseguirem familiares, e por atos como esse a grande imprensa se desmoraliza, deixa claro os interesses aos quais serve...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Reveillon, Posse e Simbolismos

Era dia 31 e meu irmão resolveu nos reunir na cobertura de seu prédio onde há um belíssimo e confortável salão de festas. Um evento bastante familiar onde minha mãe poderia estar confortável e com 3 de seus quatro filhos. Ela havia estado com o caçula para o Natal e ele então não veio para o Ano Novo. Desejamos que pudesse estar presente mas entendemos a ausência e conseguimos nos divertir bastante.
A música ficou por conta de uma sobrinha que divertiu-se em fazer uma seleção musical que atendesse todos os gostos e tinha um repertório bem variado. Minha cunhada preocupou-se com a comida e meu irmão providenciou bebidas da melhor qualidade. Em geral no reveillon dá-se mais atenção às bebidas, pois a ceia de Natal já cumpre essa parte do ritual das festas de final de ano. Tudo estava bom e alegre mas sem dúvida a alegria de minha mãe, apesar das limitações que uma quimioterapia impõe. E ficamos felizes em partilhar essa noite que sempre traz as esperanças de mais um ano. Todos fazem promessas e pedidos que esperam ver realizados, mesmo que nem sempre cumpramos as promessas.
No dia seguinte, já que estava em Brasília e a posse da primeira Presidenta era um fató histórico cheio de significados, decidi assistir a posse e ser mais um dentre os milhares de brasileiros que vieram testemunhar esse evento que movimentou a economia local. Meu irmão havia me convidado para o almoço e como ele viajava no dia seguinte concluí que era importante passarmos mais um tempo juntos, ele sabia que eu desejava ir à posse e se comprometeu a me deixar lá perto logo depois do almoço e assim fizemos.
Uma chuva caiu todo o dia, com alguns intervalos. Paguei o preço de ficar molhado no meio da multidão, tentei fotografar Dilma mas não obtive sucesso. Tenho algumas imagens do evento mas nenhuma pode transmitir a emoção. Quem viu pela televisão teve a competente cobertura dos diferentes canais mas as lágrimas do povo, quando Lula chorou, a emoção da Dilma transmitida ao povo e que ela recebeu de volta com palmas, assovios, gritos de " Agora é Dilma" ou o comentário de uma vendedora de acarajés: " Agora tem uma mulher mandando na casa", eram parte da festa que só quem está ali pode sentir e compartilhar.
O presidente Lula sempre gostou de analogias com futebol e trarei uma aqui: " Estar naquele dia presente ao evento equivale ao jogo final , naquele Estádio que você conhece desde menino, onde seu time conquista o Campeonato Brasileiro. " A sensação é muito parecida. Porque você acompanhou, torceu, se irritou com jogadas desleais dos adversários, com os comentários tendenciosos de alguns e a desconfiança de outros e no final, quand seu time ergue a taça, você saboreia a vitória sobre todos aqueles que de diferentes modos tentaram impedir que ela acontecesse. Dilma venceu assim, apesar de muita torcida contra e de jogadas bastante desleais que teriam dado o cartão vermelho aos adversários mas o povo como árbitro tratou de marcar o penalty e a Presidenta o converteu em gol, com paradinha porque teve 2º turno.
O Reveillon e a Posse são esperanças renovadas de um país melhor, de sonhos por realizar, promessas que tentaremos cumprir e pedidos especiais e os meus, pela ordem foram: o próximo reveillon, ainda com minha mãe, um bom governo da Presidenta. Os demais pedidos são aqueles de ordem afetivo-econômica que envolvem as pessoas amadas, mesmo quando as circunstâncias nos fazem estar distantes física e geográficamente.
A todos um feliz 2011, repleto de realizações e sonhos.