quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Vivaldi, As 4 Estações - Verão 3° Movimento
A chuva começou a cair na madrugada, intensa e inclemente arrastava tudo pelo caminho. As pedras soltavam-se das encostas e não havia nada que as detivesse exceto aquelas casinhas onde dormiam famílias. Era uma passagem de tempo que se tornava catastrófica. Um cachorro late assustado, ouvem-se estrondos, mais uma casa cai, mais árvores e pedras...agora um caudaloso rio de lama avança com fúria, e as pessoas surpreendidas de seu sono demoram a entender o que está acontecendo. O dia amanhece o cenário é de tristeza, medo e desolação. Mas a chuva recomeça, e mais barreiras caem, falta luz, os telefones param de funcionar. O barulho da chuva, dos desabamentos, gritos de dor e desespero, em um instante perde-se a vida, a casa, os pais são separados de seus filhos...a lama soterra, o rio leva...os corpos fundem-se ao cenário e o mundo vê estarrecido a natureza cobrando sua fatura. É um verão de medo, de caos, mas também a solidariedade e o amor, tantas vezes testados nesse país, mostra um povo solidário onde até os que tem muito pouco querem ajudar àqueles que em um momento ficaram sem nada. Porque somos assim, unidos na dor, solidários e sentidos. Articulam-se grupos de ajuda, Ongs, e mesmo os animais, perdidos entre os escombros, são objeto de atenção e cuidado. Pessoas se comunicam, reunem amigos, procuram ajudar, cada um a sua maneira. Há oportunistas, sempre existem aqueles que buscam tirar proveito da tragédia mas esses poucos não tiram a beleza dos gestos de amor. Não existe raça, cor, credo, preferência política. Pessoas precisam de ajuda. Pessoas querem ajudar. É o verão, intenso e forte, rápido como os andamentos dessa música...
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Um comentário:
Parabéns Paulo! Realidade pura.
Arnaldo Rodrigues
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