domingo, 27 de fevereiro de 2011

Seres, Produtos e Miséria

A experiência de convívio forçado produz desgastes em todo tipo de ambiente. Da concentração de um clube de futebol aos presídios. Mas reunir pessoas em uma casa, oferecer a elas um prêmio àquela que conseguir permanecer até o final eliminando as outras, é algo que estabelece outro tipo de parâmetro: a ambição e o que as pessoas estão dispostas a fazer por dinheiro.
O ser humano tem ambições e desejos, a vaidade é o pecado favorito inventado pelo diabo, pois em nome dela as pessoas cometem todos os demais pecados capitais, e entre eles está a ganância. Mas é curioso ver que em um produto vendido ao público como é esse Big Brother, inspirado na obra de George Orwell 1984, onde o " Grande Irmão" observava tudo e todos, o prêmio em dinheiro é um incentivo mas a exposição, a possibilidade de contratos publicitários futuros que vão desde pontas em novelas, posar nua para revistas masculinas, nú para revistas gays, divulgar alguma coisa sua (música, poesia, rap) adquirir uma notoriedade qualquer, mesmo que ela dure alguns meses após o término do programa.
As 10 edições anteriores do programa pareciam um pouco mais contida, não porque os participantes fossem mais pudicos mas creio que a própria orientação delimitava um pouco as coisas e dessa vez, em busca de audiência e polêmicas houve uma candidata transexual, um candidato gay, esses eram de conhecimento público mas além destes, se todos ali assumissem suas escolhas ou preferências sexuais, esse não seria o Big Brother da diversidade mas talvez fosse o com maior incidência de homossexuais. Nada disso afeta nossas vidas, quem sai ou fica, o próximo paredão, as angústias das pessoas que pretendem chegar ao prêmio milionário. Mas as pessoas na rua fazem escolhas, comentam e muitos tem ficado admirados por ser essa a edição mais promíscua, onde os competidores não tem o menor auto respeito, o corpo é apenas parte da estratégia, um sexismo tosco e muitas vezes exagerado.
O merchandasing do programa é intenso e gera ganhos enormes para a emissora. As pessoas pagam ao ligar, compram o pacote do " pay per view" , existe uma loja com os produtos do programa, os patrocinadores exclusivos e aqueles que compram publicidade durante o programa. O prêmio a emissora arrecada em uma única noite em que as pessoas ligam ou mandam torpedos para votar em um dos escolhidos para sair do programa.
A emissora soube vender seu produto e vários clientes avaliaram que seria boa publicidade. Dentre muitas coisas, dou uma dica aos representantes da Kia Motors no Brasil: exijam a revisão do que pagaram pelo merchandasing dos carros na novela " Insensato Coração" porque ela segura a audiência do BBB11 e na primeira chamada pós novela, entra o comercial da Fiat, que não pagou a mesma cota do preço de merchandasing em uma novela de 6 meses, mas está com uma exposição privilegiada.
O que você estaria disposto a fazer por um milhão de Reais? que valores você trairia? não digo amizade, pois ao entrar em uma disputa dessas ningém pensa em amigos. Fidelidade tambem é produto raro nesses programas. Sedução pode ser uma tatica de disputa, mas vale tudo? As pessoas na rua parecem incomodadas com os níveis de baixaria estimulados pela emissora, sobretudo nas festas, onde a bebida liberada faz com que os participantes percam as inibições e tudo é permitido, até a música do Tim Maia deixa de ser respeitada, afinal " só não vale dançar homem com homem nem, mulher com mulher, o resto vale tudo" nesse big brother também vale mulher com mulher e o que mais acharem que vale...sem moralismos, mas com certeza é a miséria humana televisionada e levada a nívie impensáveis tempos atrás.

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