quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Ziraldo, Monteiro Lobato, Carnaval e Preconceitos

O Brasil é um país com maravilhosa diversidade étnica. Darcy Ribeiro conseguiu ver em nossa mestiçagem traços positivos que indicavam a capacidade do brasileiro expressa nos mais diversos campos e que era necessário superar aquela " síndrome do cachorro vira lata" à qual se referiu Nelson Rodrigues e também Roberto DaMatta. A herança preconceituosa que atribuía à mestiçagem uma das razões do nosso atraso.
A produção cultural do Brasil nas décdas de 1930-1940 analisava questões relatvas à raça. Estudos de Gilberto Freyre ( Casa Grande & Senzala) Sérgio Buarque de Hollanda(Raízes do Brasil) e o racismo era algo que estava bem presente na explicação das mazelas do país, pois não analizava-se então um conjunto de outras questões: no sul do país, por exemplo, a população negra é menor do que a verificada no Nordeste e no Sudeste e na lógica de uma política de cotas, migrar para o sul assegura uma vaga que, na Bahia, SP ou RJ torna-se improvável.
Faz alguns anos, em debate promovido por instituição privada de ensino superior no RJ, estive com o então vereador Edson Santos, posteriormente alçado à condição de Ministro da Igualdade Racial no final do governo Lula. Naquela oportunidade argumentei que a COTA SOCIAL seria mais adequada à realidade brasileira até por conta da intensa miscigenação. No passado as cédulas de identidade definiam a raça em: Branco, Negro e Pardo. Bom, uma pessoa branca, cuja mãe seja parda, técnicamente seria afrodescendente mas ela não usufrui de uma política de cotas e muitas já foram declaradas " claras demais ou não serem negras o bastante", o que também seria racismo mas isso não entrou na discussão. Naquela oportunidade ele apresentou frágeis argumentos para a defesa de cotas dirigidas apenas a uma raça em especial.
Monteiro Lobato era racista como muitos de sua geração e mesmo assim, produziu livros que nos encantaram a todos antes desse processo de "revisionismo às avessas". Foi defensor de nossas riquezas, conseguiu estimular crianças a descobrirem o gosto pela leitura e agora, tantas décadas depois, tudo isso se perde porque a postura pessoal dele macula sua obra?tenho minhas dúvidas.
Na década de 1970 um estudo antropológico intitulado: Para Ler o Pato Donald, fazia uma releitura do universo criado por Walt Disney, incluindo a comparação entre os personagens que representam as Américas e como essas regiões eram vistas: Brasil , América do Sul, Zé Carioca:malandro, sambista que mora no morro e engana a Rosinha; Panchito é um pato de sombrero, sempre preocupado com a "siesta" e que representa o México e a América Central e por fim, o dedicano mas as vezes atrapalhado Pato Donal, branco, cuida dos sobrinhos, trabalha para o tio Patinhas, seria o estadunidense da classe média...Não lembro de terem execrado os trabalhos de Disney e os personagens continuam por aí...
Não tenho procuração para defender o Ziraldo e nem creio que ele precise:Menino Maluquinho, Flicts, entre outras saborosas leituras também ajudaram as crianças do Brasil a descobrirem a leitura. Vendeu um personagem para a ditadura é forte. Pelé declarou que os brasileiros não estavam preparados para votar, logo depois de ter feito o milésimo gol, ninguém fala disso por que?Charlie Brown Júnior vendeu sua música para a Coca Cola, e aí?também devemos persegui-lo?
Esse texto foi motivado a partir de um material que postaram e com o qual me incomodei: No Blog " O Biscoito Fino e a Massa" há uma " Carta Aberta ao Ziraldo" no endereço:www.idelberavelar.com

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