sexta-feira, 11 de março de 2011

Revoltas Árabes e Política Internacional

A União Européia declarou faz pouco(20:45 horas em Brasília) que não reconhece mais a autoridade de Kadaffi e passa a ter nos rebeldes os interlocutores oficiais. A medida não deixa de ser, em minha opinião, precipitada. Kadaffi ainda é o presidente da Líbia, mesmo que seu governo não seja nenhuma democracia, como não era o governo de Saddam Hussein ou o ex presidente da Tunísia. Precipitam ou tentam forçar a queda do governante líbio mas é curioso ver que são atos e apoios escolhidos. Ninguém mais fala da ditadura militar em Mianmar, talvez porque a China, que também ocupa o Tibet, demonstre sua contrariedade quando outros opinam sobre o seu quintal. Como não é bom, econômica nem militarmente, ter a China como inimiga, deixam tudo em paz...
A política internacional tem essa flexibilidade curiosa que envolva escolhas e apoios. Não apenas os EUA, mas também a União Européia e mesmo países da América do Sul, especialmente o Brasil, tomam a postura que julgam mais adequada aos seus interesses. O fim da Guerra Fria não impõe mais um alinhamento "automático" como foi no passado. Embora a imprensa muitas vezes apenas reproduza o que interessa aos " donos do poder " e seus "patrões ou sócios" e isso produz muitas críticas, como foi o caso de nossa aproximação com o Irã, ou a Venezuela de Chaves. Mas isso faz parte de uma política externa independente que a liderança de Celso Amorim soube conduzir e espero sinceramente, Antonio Patriota saiba conservar, sem medo dos críticos de plantão que, por suas preferências só consentiriam que tivéssemos embaixadas em Londres, Tóquio, Washington,Roma e Paris. E o mundo é mesmo muito maior do que isso, nossas relações comerciais que se dinamizaram com o mundo árabe, com o Leste Europeu, Pequim, tudo isso tem produzido resultados importantes em nossa economia, hoje não há mais espaço para esses patrulhamentos de "esquerda e direita" como se fosse a marcha cadenciada de cadetes num quartel.

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