O filme que dá título a esse post é de uma poesia lindíssima, a trilha sonora também foi escolhida com apuro, cuidado, e faz com que nos sintamos dentro do enredo, transportados nele através dos detalhes envolventes. E a escolha se justifica pois através da internet fui reencontrando pessoas muito queridas de um passado recheado de eventos especiais.
Era a década de 1990 e tornei-me professor de história do Colégio Americano, que havia passado a se chamar Instituto Metodista de Educação e Cultura, mas ainda permanece o nome com que ficou conhecida essa instituição de ensino fundada em Porto Alegre em 1885 e que se afirmou na cidade. Minha mãe havia estudado nesse colégio e quando soube que eu me tornei professor lá, ficou muito contente e contou aos meus avós, tios, fechava-se para eles um ciclo familiar e todos acharam interessante mas, isso me impunha uma obrigação extra, fazer bem o meu trabalho.
O professor, era também ativista político, filiado ao sindicato, acreditava nas lutas e sendo oriundo da faculdade de história, sentia-se compelido a participar das lutas e a escola era tambem um micro campo de lutas onde me tornei delegado sindical. Tínhamos uma associação de professores que lutava internamente pelas demandas conforme as mesmas se apresentavam e isso fazia com que muitas vezes houvesse conflitos com a direção da escola.
A direção do colégio estava a cargo da professora Eliane Thaís,docemente conhecida como Nina, ela realmente foi uma linda pessoa com quem tive o privilégio de conviver e mesmo não estando mais em nosso convívio, creio que a passagem dela pela terra enriqueceu aqueles que a conheceram. Acima dela, como diretora geral, estava a profesora Alba Salgado Beloto, a quem cabia a palavra final em nossas negoiações e ela era muitas vezes dura, aprendi demais com aqueles embates e creio que tenham contribuído para minha atividade como advogado. Estávamos em lados opostos, elas representavam os patrões e a nós, da associação, cumpria a função de defender os empregados.Mas sempre houve respeito mútuo, mesmo quando discordávamos, era com fidalguia e acredito que em alguns momentos conseguimos mesmo ter uma relação de proximidade cúmplice. No aniversário dos 105 anos da escola, se não me falha a memória, a APIMEC(entidade dos professores) pagou a instalação de alguns "outdoors" cuja arte foi confeccionada por um ex-professor de artes. Foi nossa maneira de homenagear a instituição pela qual nutríamos verdadeiro afeto. Nina chegou à escola, nos chamou a sua sala e disse que : " chorei ao ver o outdoor, assim vocês me matam de emoção." Se não me engano, a professora Magáli, era quem presidia a associação, e o Paulo Reverbel era o vice, eu continuava delegado sindical. Foi um momento muito agradável em nossa relação.
Os alunos que conheci ali, e muitos deles estou reencontrando graças a internet, foram e são importantes em minha vida. Sinto uma pontada de orgulho ao ver os caminhos que escolheram, as pessoas nas quais se tornaram. Ensinei a eles os conteúdos de história previstos em nosso programa, mas procurei ser também amigo, e aprendi muito com eles.
Assim o presente e o passado se encontram nas ondas da banda larga. Mandei e recebi pedidos de amizade, troco mensagens, posso estar de novo em contato com tanta gente querida. Se fosse postar aqui um música dedicada a todos eles, creio que seria o tema daquele filme com Sidnei Poitier:" Ao Mestre Com Carinho". Um dia em uma formatura, já aqui no Rio, quando fui um dos professores a quem fizeram homenagem eu disse que tínhamos algo de vaidade, uma busca pela imortalidade, pois imaginávamos que nos perpetuaríamos através daqueles a quem ajudamos a formar...não sei se isso faz sentido mas,aqueles meninos que chegaram em minha sala de aula, na turma 101,ou 102... e depois, ao sair, nas turmas 301,302... hoje muitos estão casados, alguns tem filhos, e meus colegas estão em diferentes escolas, formando mais gente, e mesmo aqueles que não mais estão físicamente entre nós, permanecem em nossas carinhosas lembranças.
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