Faz alguns anos, quando lecionei na faculdade de direito de uma universidade privada( não cito o nome porque não pagam pela publicidade e por não mais lecionar lá) em Petrópolis,RJ, tive a oportunidade de conviver com um grupo de professores muito qualificados e nossos encontros na sala dos professores e no pós aula produziam debates dos quais todos sentimos falta.
Após o curso haver se consolidado, foi ocorrendo um desmanche daquele grupo. Acredito que para alguns, o fato de colegas terem se convertido em amigos ameaçava alguns interesses, existem administradores que temem a coesão de pessoas e desde os tempos da ditadura, quando as universidades passaram a ser por créditos, tendo se perdido aquela união das turmas que ntravam e saíam da faculdade juntas, vemos que isso se repete em muitos lugares.Na educação, infelizmente, isso também acontece.
O nosso grupo se dispersou e hoje tem gente na Paraíba, em Angra dos Reis, Niterói, Rio, poucos ficaram em Petrópolis e um desses "sobreviventes" outro dia falou sobre aquele tempo e após seu comentário a rede foi se restabelecendo aqui, entre mensagens e trocas de informações em murais do Facebook.
As ideologias afins também nos aproximavam e mesmo tendo visões distintas sobre muitas coisas, acreditamos em um modelo político distinto daquele que FHC e seus " sócios" queriam consolidar dentro de uma lógica neoliberal que, a crise do " subprime" mostrou ser algo bastante instável e o sistema americano foi pedir ao Estado para interferir, o mesmo acontecendo na Europa.
As eleições nos levaram a novos debates e os mesmos tem sido bem interessantes porque fundam-se em idéias e defendemos nossas opiniões e crenças sem perder o objeto da discussão, ou seja, o que de fato pretendemos para o Brasil. Coerentes, todos reconhecem que o país avançou sob Lula. Também reconhecemos a existência de problemas, e todas as administrações estão sujeitas a eles. Também somos uníssonos em relação aos males que o fisiologismo coronelista causou e causa . Mesmo assim, talvez as maiores divergências sejam quanto as alianças e o pragmatismo requerido quando você assume o poder. Ser oposição sempre foi mais fácil.
Espero que nossos debates continuem e sejam sempre qualificados. Mário, Onete,Jairo, espero que em breve tenhamos Iabela, Ernesto e outros que faziam parte daquela confraria entre cafés e as poucas opções noturnas que a cidade nos oferecia para quem saía da aula as 23:00 e simplesmente não tinha onde comer...Nossos alunos também podem vir participar, e alguns já o fazem...
Um comentário:
Paulo, este texto, que remete a um passado feliz e uma nostagia gostosa, é fruto das novas formas de comunicação que servem verdadeiramente à democracia. As redes sociais e blogs livres. Está é a verdadeira liberdade de expressão que as onze ou seis familias(?) não querem reconhecer para não perderem o seu lugar no bonde dos privilégios. Por outro lado, este encontro permite a constatação de que nossas convições e escolhas políticas e profissionais eram sólidas.
Concordo que praticamos o bom debate e que isto serve, de fato, à causa da democracia.
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